Throughput - uma nova medida de produtividade em armazéns
Desde meados da década de 90 os armazéns vêm passando por profundas mudanças,
afetando a configuração de sua infra-estrutura e o seu modus operandi.
De grandes áreas acumuladoras, na qual a área de estocagem representava
até 90% da área total coberta, os armazéns estão evoluindo para verdadeiros
cross-dockings, priorizando o giro dos materiais, ou seja, valorizando a capacidade de
processamento na movimentação de entrada (inbound) e saída (outbound).
Na grande maioria dos casos na indústria e no varejo os estoques giram
até 3 ou 4 vezes por mês, porém existem um potencial para chegarmos a 8 vezes por mês
no médio prazo. Nada disso será possível sem uma infra-estrutura adequada. Em muitos
casos, a automação total ou parcial do Centro de Distribuição será requerida.
Nessa nova realidade operacional, a quantidade de docas e a existência das
áreas de stage-in e stage-out passam a ser tão (ou mais) importantes quanto o espaço
físico destinado à estocagem de materiais.
Enquanto a maioria dos armazéns dispõe de uma doca a cada 1.000 m² ou
mais de área construída, os novos Centros de Serviços Logísticos precisarão contar
com pelo menos uma doca a cada 500 m²; em algumas situações essa relação deverá ser
ainda inferior, como é o caso dos Centros de Distribuição Avançados, posicionados em
locais estratégicos para o atendimento de Clientes ou regiões específicas com um nível
de serviço diferenciado. No caso de terminais de carga de Transportadoras e operações
do tipo cross-docking, temos uma doca a cada 150 a 250 m².
Nesses novos armazéns, deixe de lado antigos conceitos, como as áreas de
stage de 6 a 8 metros, e trabalhe com stages de 12 a 15 metros. Há pelo menos três anos
os norte-americanos vêm operando stages de até 30 metros, incluindo uma área de
blocados para materiais em operações do tipo cross-docking.
Nesse cenário, no qual a velocidade (ou giro) é preponderante, as medidas
de throughput (ou processamento) tornam-se ainda mais importantes.
A medição do throughput é extremamente simples:
% de Eficiência em Throughput = Real Recebido + Real Expedido
Alguns outros indicadores podem ser medidos, de forma a monitorar o
desempenho dos MEIOS necessários para a realização do throughput, tais como:
1) Tempo de Doca ao Estoque = tempo total decorrido entre o recebimento do
material e o seu devido acondicionamento físico no estoque e registro nos sistemas de
controle da empresa.
2) Produtividade na Separação de Pedidos = total de linhas / pedidos / unidades
separadas e embaladas dividido pelo total de horas trabalhadas.
3) Tempo de Ciclo de Pedido = tempo decorrido entre o recebimento do pedido e a
disponibilização do material na doca de saída.
4) Nível de Utilização da Empilhadeira = tempo efetivo em operação dividido
pelo tempo teórico atual.
Não pense apenas em estocagem, pense também em capacidade de
processamento!
junho/2.009
Marco Antonio Oliveira Neves,
diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística Ltda
www.tigerlog.com.br
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