Quanto vale a sua empresa?

Júlio Simões compra Lubiani. Tegma compra Boni GATX. Ultracargo compra Petrolog. TNT compra Mercúrio. Ceva Logistics compra EGL. Etc, etc, etc.
Em um mercado aonde contamos com cerca de 26.500 empresas de transportes que têm mais de 5 caminhões, o número de fusões e aquisições pode parecer insignificante. Mas, diante das recentes transações no mercado de logística e transportes em todo o mundo, muitos profissionais da área têm se perguntado: quanto vale a minha empresa ou a empresa aonde trabalho?
A valorização da empresa pode ser encarada sob dois aspectos: o primeiro leva em conta os tradicionais princípios contábeis, e atrela o valor da empresa aos ativos e passivos existentes. Trata-se de uma visão antiquada, parcial, cada vez mais em desuso, mas importante, que é complementada por uma visão mais ampla, que considera o fluxo de caixa futuro e o valor de bens intangíveis (godwill), como a marca da empresa e a fidelidade dos Clientes. Essa nova visão incorpora conceitos como o valor presente líquido (VPL) e a taxa interna de retorno (TIR).
Porém, por mais que queiramos criar uma fórmula financeira “mágica” para a valorização de empresas, diversos outros fatores interferem na apuração de seu valor de venda.
A situação atual da empresa afeta os critérios de avaliação, e consequentemente, o seu valor de venda. Uma empresa pouco ou nada lucrativa, tende a ser sub-valorizada e avaliada apenas sob o ponto de vista contábil. Uma empresa lucrativa ou com potencial para tal, tende a apresentar um valor mais próximo da realidade, e muitas vezes acima de seu valor de mercado.
A situação da empresa a ser vendida também influencia o processo de valorização das empresas de uma outra forma. Se existe “pressa” ou necessidade urgente de venda, os valores se situarão bem abaixo do seu real valor de mercado.
Também influi nesse processo de valorização das empresas o ciclo de vida dos produtos comercializados. No caso da logística, ainda nos encontramos nos primórdios de seu desenvolvimento, caminho ainda para um processo de maturidade, portanto, as empresas tendem a apresentar valores maiores, dado o potencial futuro de rentabilidade.
A lei da oferta e procura também gera impacto sobre o valor das empresas; uma empresa “disputada” tende a apresentar um ágio significativo.
Um outro fator que interfere nessa avaliação é o motivo da aquisição ou fusão. Quando se trata de uma transação motivada pela necessidade de se expandir o leque de serviços ou a área de atuação geográfica, os preços pagos tendem a ser maiores. Em casos em que as negociações ocorrem apenas para ampliar volumes dentro do mesmo negócio, sem acrescentar novas competências, os valores são mais realistas e a compra norteada por critérios bastante racionais.

Outros fatores, menos comuns, poderão influenciar o processo de valorização das empresas, como a morte de um sócio, a necessidade de dissolução da sociedade por motivos pessoais ou profissionais, etc.
Lembre-se, que o comprador sempre terá uma postura otimista para o negócio em vista, portanto, fatores qualitativos ou quantitativos que melhorem essa percepção, influenciarão diretamente nos valores envolvidos.
Uma análise de vinte e cinco aquisições recentes no mercado de logística e transportes em todo o mundo, mostra que, em média, se paga de 60% a 70% do valor da receita de vendas da empresa adquirida. O momento e a percepção do comprador poderão transformar esses percentuais em 20% ou 120%.

Por isso tudo, o processo de valorização de uma empresa é algo complexo e difícil de se realizar, e quando se trata de avaliar empresas que faturam milhões ou bilhões de reais, qualquer erro ou diferente entendimento produzirão um impacto bastante significativo!

junho/2.007

Marco Antonio Oliveira Neves
Diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística Ltda
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www.tigerlog.com.br


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