O “Maior dos Desafios” dentro dos Armazéns

Cada vez mais os profissionais de logística se depararão com novos obstáculos na gestão e operação de armazéns.
Além dos tradicionais desafios ligados à administração dos estoques, obsolescência de produtos e materiais, acuracidade do inventário, segurança patrimonial, gestão da mão-de-obra, produtividade operacional e logística reversa, outros problemas surgirão, e de mais difícil solução, principalmente aqueles relacionados à questão de infra-estrutura, que se manifestam na falta de espaço para a estocagem e consequentemente na utilização de corredores e áreas externas, dificuldades no recebimento e conferência dos materiais recebidos, atrasos na expedição, impossibilidade de organizar o armazém adequadamente, excessivos gastos com horas-extras, não realização do PEPS (Primeiro que Entra é o Primeiro que Sai), estocagem sem respeito aos critérios de endereçamento e outros.
Podemos considerá-los de difícil solução porque geralmente envolvem grandes investimentos na remodelação ou adequação do prédio, mudança de layout ou a construção de novas instalações. Nesse momento, algumas empresas acabam optando pela terceirização logística, transferindo aos Operadores Logísticos o ônus pelos investimentos necessários. Qualquer que seja a solução adotada, todas são medidas de médio prazo, e que demandarão pelo menos seis meses de trabalho árduo.
A grande maioria dos armazéns foi construída baseando-se em conceitos antigos, com baixo pé-direito, piso ruim, sistemas de ventilação e iluminação inadequados, pequena quantidade de docas, espaço insuficiente para manobras e estacionamento de veículos, etc.
Os novos armazéns, apesar de contemplarem importantes premissas operacionais em seus projetos, ainda falham principalmente no dimensionamento de docas. No novo ambiente empresarial tornou-se OBRIGATÓRIO o correto dimensionamento de docas, em função de cada vez mais priorizarmos o fluxo de materiais, e menos a estocagem dos produtos. Teremos armazéns menos estáticos e mais dinâmicos.
Ao projetar um novo armazém, ainda se utiliza a regra 1:1.000 m², ou seja, uma doca para cada 1.000 m² de área operacional construída, quando, na verdade, deveríamos dimensionar pelo menos uma doca a cada 500 m². Portanto, um armazém com 10.000 m² de área, teria, ao invés de 10 docas, 20 docas construídas. Armazéns exclusivamente dedicados a operações de cross-docking, principalmente os terminais ou hubs das grandes empresas de transporte de carga fracionada, devem prever uma doca a cada 150 a 250 m², dependendo do fluxo considerado.
Erros no dimensionamento de docas custarão muito caro às empresas, se traduzindo em maiores efetivos operacionais, maior número de equipamentos de movimentação, altos níveis de avaria nos materiais, maiores riscos de acidentes, maiores estoques e maiores dificuldades na conciliação dos estoques físicos e contábeis.

agosto/2.006

Marco Antonio Oliveira Neves,
Diretor da Tigerlog Consultoria, Hunting & Outplacement e Treinamento em Logística Ltda.
marcoantonio@tigerlog.com.br

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