O Brasil, a China e a Logística...

Enquanto que no Brasil a CNI - Confederação Nacional da Indústria estima um crescimento de 3,7% do PIB em 2006, a China apresenta um crescimento de 10,2% do seu PIB no primeiro trimestre, índice semelhante aos registrados em 2005 (9,9%) e 2004 (10,1%). No mesmo período, os investimentos em ativos fixos, em máquinas, equipamentos e construções saltaram 27,7%, representando um valor de US$ 173,85 bilhões.
O Brasil estimava investir R$ 5 bilhões em infra-estrutura de transportes em 2005, porém investiu apenas R$ 3,3 bilhões, segundo fontes oficiais do Governo Federal. Isso representa apenas 0,17 % do PIB de 2005, que foi de R$ 1,937 trilhão, conforme dado divulgado pelo IBGE em março deste ano.
Muito pouco para um país no qual apenas 9,5% das estradas são pavimentadas, sendo que desse total asfaltado, 75% apresentam algum tipo de imperfeição, segundo pesquisa anual da Confederação Nacional de Transportes (CNT).
Pouco para um país que tem menos de 30.000 km de ferrovias e diversos problemas com diferentes tipos de bitolas, passagens em centros urbanos, invasão de faixas de domínios, passagens de níveis, falta de regulamentação de tráfego mútuo e direito de passagem, etc.
Muito pouco para um país que explora apenas 20% de sua malha hidroviária, de um total de 42.000 km.

Já na China, os planos são ambiciosos para os próximos anos. Até 2010 a economia chinesa deverá representar o dobro da economia alemã, que ocupava o terceiro lugar em 2004. Até 2020 espera-se que o PIB da China atinja a incrível marca de US$ 4,5 trilhões, superando o Japão. Atualmente o PIB chinês encontra-se ao redor de US$ 1,8 trilhão.
Como no Brasil, na China existe o predomínio do modal rodoviário no transporte de cargas. Aqui as cifras estão ao redor de 65%, enquanto que lá atingem 76%. Entre 2006 e 2008 serão investidos cerca de US$ 70 bilhões por ano na ampliação da malha rodoviária e na manutenção da infra-estrutura existente.
Na China, o modal ferroviário representava 13,7% do total transportado em 2004, e deverá receber investimentos de aproximadamente US$ 8 bilhões anuais.
Em 2005 a China contava com 34.000 berços para a atracagem de navios, e deverá dobrar esse número através do investimento de US$ 6 bilhões ao ano nos próximos 5 anos. O modal hidroviário contará com US$ 1,1 bilhão de investimentos até 2010.
O modal aéreo, apesar de representar apenas 0,01% do total transportado na China, recebeu investimentos que permitiram a construção de 43 novos aeroportos desde 2001. Espera-se que a China tenha, em 2.024, cerca de 3.200 aeronaves em operação, um aumento substancial, se considerarmos que a frota atual não chega a 1.000 aeronaves.
No China investe-se cerca de 5% do PIB em infra-estrutura de transportes enquanto que no Brasil não atingimos sequer 0,2% do PIB. Nos anos anteriores de outros governos a marca girou ao redor de 0,1% do PIB.
Mesmo com a cobrança da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), que onera o custo do litro da gasolina em cerca de R$ 0,28 e o custo do litro do diesel em aproximadamente R$ 0,07, e que já arrecadou cerca de R$ 30 bilhões desde a sua criação em dezembro de 2001, não conseguimos melhorar a infra-estrutura de transportes existente. Parte dessa verba é utilizada para incrementar o superávit anual do Governo Federal e outra parte é desviada para outras finalidades.
Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) divulgada no final do ano passado, apontou que o Governo Federal, ao invés de investir as verbas na recuperação da infra-estrutura viária do país, desviou 41% da arrecadação da CIDE (equivalentes a R$ 9 bilhões), entre 2003 e 2004, para o pagamento de salários de cargos comissionados, diárias e alimentação de servidores.
Um país sério tem a logística no centro de seu planejamento estratégico. Um país mal administrado vive à sombra de “apagões” logísticos, como aquele que vivemos em 2004, e que onerou o custo de todas as empresas dependentes da importação e exportação.
Portanto amigos, esperem novos “apagões” nos próximos anos...

maio/2.006

Marco Antonio Oliveira Neves,
Diretor da Tigerlog Consultoria, Hunting e Treinamento em Logística Ltda.
marcoantonio@tigerlog.com.br

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