O Custo da Logística de Recolhimento e Coleta, por via Fluvial, dos Óleos Lubrificantes Usados, nos municípios do estado do Amazonas

INTRODUÇÃO:
A coleta do óleo lubrificante usado no Amazonas tem altíssimo custo logístico, devido à vasta extensão da região Amazônica, que é fortemente influenciada pela sazonalidade pluvial. Os sessenta e dois municípios amazonenses estão, em sua maioria, nas calhas dos rios da Bacia Amazônica, sendo a navegação o principal meio de acesso a eles. Dentre os principais geradores de óleos lubrificantes usados nesses municípios estão as usinas térmicas da CEAM, os veículos automotores e as embarcações. Exceto Manaus, os demais municípios não dispõem de empresas especializadas em coleta de óleos lubrificantes usados, assim sendo, o desenvolvimento de uma logística para seu recolhimento e coleta, via fluvial, para Manaus, reduzirá o impacto causado ao meio ambiente pelo seu lançamento indiscriminado em cursos de água ou na natureza. Os parâmetros para comparação dos custos logísticos com tributação (impostos, taxas, emolumentos), transporte, administrativo e embalagem, deverão ser os custos da recuperação ambiental dos mananciais.

METODOLOGIA:
Partiu-se do princípio de que não há serviço de coleta de óleos lubrificantes usados nos sessenta e um municípios do Estado do Amazonas, distribuídos ao longo dos rios Solimões, Negro, Amazonas, Madeira, Purus e Juruá, e que os principais geradores são as embarcações fluviais, os veículos automotores e os grupos geradores da Companhia Energética do Amazonas - CEAM.
Não se considerou a geração de óleos provenientes de aplicações industriais, devido esse setor estar concentrado na cidade de Manaus. Os municípios de Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva não fizeram parte do escopo deste trabalho, posto que o transporte do óleo usado para Manaus é por via rodoviária. Estimou-se o universo de geradores de óleo lubrificante usado, com base, dentre outros, no Relatório Final do Estudo de Transporte e Fluxo de Carga da Hidrovia do Rio Solimões (Manaus - Tefé), de dezembro de 2002, nas estatísticas do Departamento Nacional de Trânsito, de dezembro de 2005 e no Relatório de Gestão da CEAM, exercício de 2004. Através dos relatórios da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis - ANP, foram identificadas, no Estado do Amazonas, as empresas de navegação, autorizadas para o transporte a granel de petróleo, seus derivados e gás natural, por meio aquaviário, as empresas autorizadas a exercer a atividade de coletor de óleo lubrificante usado ou contaminado e as empresas autorizadas para a revenda a varejo de combustíveis automotivos em seu próprio estabelecimento.

RESULTADOS:
Verificou-se que as embalagens que apresentaram melhor relação custo x benefício foram os recipientes metálicos de 200 litros, com tampa. Esses recipientes deverão ser pintados na cor laranja, codificada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA, para resíduos perigosos. Deverão também ser identificados com o nome do município e do posto revendedor ou CEAM. Esses recipientes deverão ser distribuídos nos postos de revendas terrestres e flutuantes e CEAM e serão retornáveis. A quantidade total deles será de cerca de 1.500 unidades, suficiente para reposição dos recipientes armazenados com óleo usado ou em trânsito no trajeto entre os municípios e Manaus. Quando os recipientes estiverem cheios, os postos revendedores terrestres farão a comunicação aos escritórios da CEAM nos municípios, para seu recolhimento e substituição, que serão de responsabilidade dos próprios postos revendedores terrestres. Os escritórios da CEAM nos municípios concentrarão a guarda dos recipientes metálicos cheios, até o embarque desses para Manaus e vazios quando provenientes de Manaus. Os postos de revenda flutuante deverão efetuar o recolhimento e armazenagem dos recipientes metálicos cheios, entregando-os diretamente às empresas de navegação, que por sua vez os entregará a um coletor cadastrado na ANP, para a transposição dos óleos armazenados nos recipientes metálicos aos caminhões coletores, nos terminais das empresas de navegação, para posteriormente destiná-los ao refino.

CONCLUSÕES:
Uma alternativa factível pode ser a adoção de política ambiental semelhante à adotada pela Finlândia, onde a coleta é responsabilidade dos órgãos locais, como é a responsabilidade do Governo Estadual, no caso da CEAM, combinada com política ambiental semelhante à da Áustria, onde os pontos de revenda são obrigados a ter postos de coleta para óleo usado e embalagens vazias, quando gerado por veículos ou embarcações. Essas políticas, juntamente com a divulgação de campanhas semelhantes a que o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes - SINDICOM vem empreendendo na cidade de Manaus, em parceria com o Governo do Estado do Amazonas e a Promotoria do Meio Ambiente, para recolhimento do óleo usado, auxiliando na conscientização dos geradores de óleos usados, assim como campanhas promovidas pelos pontos de revenda, como “troca de óleo gratuita”, fará convergir para os mesmos, as manutenções para troca de óleo.

Palavras chave: Logística, Óleo Usado, Amazonas

março/2006

Abelardo Rodrigues da Costa Junior,
Engenheiro mecânico
Superintendência da Zona Franca de Manaus

ardcj@uol.com.br

Vanderlane dos Santos Costa,
Estudante de logística
Superintendência da Zona Franca de Manaus
vscosta@suframa.gov.br 


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