Cross-dockings são operações simultâneas de
movimentação de materiais entre a doca de entrada e a doca de saída, sem a necessidade
da estocagem física.
Nos Centros de Distribuição de grandes fabricantes essa prática é
bastante comum para itens de alto giro e para itens pendentes em pedidos atrasados (back
orders).
Nas transportadoras, tem como finalidade o intercâmbio de mercadorias,
vindo ou indo para destinos diferentes. Nesse conceito, o cross-docking funciona como um
hub, recebendo mercadorias de diversas localidades, consolidando, e encaminhando para seus
destinos finais. É uma área de passagem, de transição e de fluxo contínuo de
materiais.
Cross-docks tem como finalidade principal a agilização da atividade de
transportes e a otimização da capacidade de transporte de veículos de carga, através
da consolidação de cargas.
Um fenômeno recente, até então imperceptível para muitos profissionais
de logística, está comprometendo a operação de cross-docking. Ao longo dos últimos
anos as empresas de transporte de cargas investiram em processos, equipamentos e sistemas
para atender aos seus Clientes da melhor e mais RÁPIDA forma possível. Porém, uma
pequena mudança vem ocorrendo há alguns anos no dinâmico e imprevisível mundo
logístico.
Aos poucos, mas num processo crescente, as empresas vêm solicitando o
AGENDAMENTO das entregas. Entregar o mais rápido possível deixou de ser prioritário,
para se entregar no momento desejado pelo Cliente, o que tem levado, inclusive, à
penalização financeira e moral de empresas de transporte de cargas que, por alguma
razão, realizam as entregas antes do prazo agendado.
Em função dessa necessidade de se adequar ao fluxo desejado pelo Cliente,
muitas áreas destinadas ao cross-docking estão se transformando em áreas de estocagem
temporária de materiais, o que tem levado as empresas a investirem em estruturas para a
verticalização de estoques. Essa medida tem como objetivos um melhor aproveitamento do
espaço existente, um maior controle dos itens em estoque e a adequada acomodação dos
materiais, evitando avarias no produto e nas embalagens.
Geralmente, feitas sem nenhum critério técnico, a verticalização da
estocagem dessas áreas de circulação de materiais acaba contribuindo ainda mais para a
perda de eficiência no processo de transporte.
Tentar adequar uma área de cross-docking a uma área de estocagem NÃO é,
na grande maioria dos casos, a melhor saída para as empresas de transportes,
principalmente para aquelas que movimentam grandes volumes de materiais. Mercadorias que
necessitem de estocagem temporária devem ser removidas dessa área de fluxo intermitente,
mesmo que isso signifique incorrer em custos adicionais de movimentação e armazenagem.
Estamos falando de atividades operacionais de diferente natureza técnica, e por isso,
devem ser tratadas separadamente. E cobradas distintamente!
Tentar conciliar atividades opostas poderá ser uma aventura perigosa!
Procure transformar este problema em uma nova oportunidade de negócio para a sua empresa,
cobrando pela estocagem dos materiais. Fácil não é, mas precisará ser feito!!!
maio/2005
Marco Antonio Oliveira Neves,
Diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística Ltda
marcoantonio@tigerlog.com.br
www.tigerlog.com.br
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