Resumo
O objetivo deste artigo é avaliar o impacto dos sistemas integrados de rastreamento de
veículos na logística empresarial e no gerenciamento de risco em transporte de cargas.
Para alcançar este objetivo, foi elaborado um questionário e feita uma pesquisa com 510
profissionais de logística e de gerenciamento de risco. A conclusão desta pesquisa
mostra que os sistemas integrados de rastreamento não são apenas modismos do mercado,
mas sim uma ferramenta importante para o aprimoramento das condições de transporte e de
segurança das empresas que empregam esta tecnologia.
Palavras chaves
Sistema de Rastreamento de Veículos, Gerenciamento de Risco, Logística
1. Introdução
Um dos maiores desafios da logística moderna é oferecer o serviço adequado para cada
cliente, que pode ser medido pelo seu desempenho e sua disponibilidade. No transporte de
cargas e pessoas, estas variáveis podem ser traduzidas pelo menor tempo de transporte,
maior confiança no serviço,
redução da variabilidade do tempo de transporte e rastreabilidade da carga e do
veículo. O Sistema Integrado de Rastreamento de Veículo (SIR) é uma tecnologia
largamente empregada pelos operadores logísticos para fazer face aos desafios de melhoria
do serviço de transporte.
Por outro lado, o roubo de carga nas estradas no Brasil apresenta um crescimento acelerado
nos últimos anos, constituindo-se em uma grande preocupação para empresas de transporte
e indústrias usuárias. Entre 1994 e 2001 o número de ocorrências cresceu de 3.000 para
8.000 delitos, ao mesmo
tempo em que o valor das cargas roubadas eleva-se de R$ 100 milhões para R$ 500 milhões
(EPTV, 2003). O SIR também vem sendo utilizado para tentar diminuir o roubo de cargas e
reduzir o custo do seguros de veículos e cargas no Brasil.
Todavia, até o presente momento não foram feitos estudos que comprovem a eficiência e
eficácia dos SIRs para melhorar o serviço logístico e reduzir o risco do transporte. O
objetivo deste artigo é analisar esta problemática, que pode ser substanciada pela
questão:
Os sistemas integrados de rastreamento são realmente efetivos para aprimorar a logística
e diminui o risco do transporte de cargas e passageiros?
Para responder a esta indagação, inicialmente foi feita uma revisão bibliográfica para
conceituar o SIR e apresentar as tecnologias associadas, revisão esta objeto da segunda
seção deste artigo. Em seguida foi elaborado um questionário, que obteve um total de
510 entrevistados, cuja descrição aparece na terceira seção. Na Seção 4 são
apresentados os resultados da pesquisa e conclui-se o artigo na Seção 5.
2. Referencial Teórico
Ballou (2001, p. 21) define a missão da logística nas empresas: "dispor a
mercadoria ou o serviço certo, no tempo certo e nas condições desejadas, ao mesmo tempo
em que fornece a maior contribuição à empresa". Segundo Ballou (2001), o controle
da logística empresarial consiste no gerenciamento do suprimento físico imediato, que é
o hiato de tempo e espaço entre as fontes
de material de uma empresa e seus locais de processamento (fábricas), e dos canais de
distribuição física, que representam o hiato de tempo e espaço entre os locais de
processamento e os clientes (consumidores).
O serviço logístico pode ser avaliado em termos de disponibilidade, desempenho
operacional e confiabilidade de serviço (Bowersox e Closs, 2001).
. Disponibilidade: garantia de fornecimento de produtos ao cliente com a gestão de
estoques;
. Desempenho operacional: "tempo decorrido desde o recebimento de um pedido até a
entrega da respectiva mercadoria" (Bowersox e Closs., 2001, p. 24);
. Confiabilidade de serviço: avaliação e o aperfeiçoamento contínuo da
disponibilidade de estoque e do desempenho operacional garantem a qualidade da logística
e a confiabilidade de serviço.
Segundo Porter (1985), a tecnologia é o principal fator alavancador de vantagem
competitiva, se ela for utilizada para desempenhar um papel significativo no
posicionamento estratégico de custo e diferenciação. Os sistemas de informação para
fins logísticos têm proliferado no mundo visando
a excelência nos negócios. Em particular, os Sistemas Integrados de Rastreamento de
Veículos (SIR) apresentam um grande potencial para o aprimoramento do serviço
logístico, principalmente na redução do desempenho operacional e na melhoria da
confiabilidade do serviço.
Um SIR pode ser definido como a tecnologia utilizada para controlar a movimentação dos
veículos no transporte de cargas, de modo a aumentar a segurança e a eficiência na
utilização da frota. Em geral, cada veículo é equipado com um módulo eletrônico que
inclui um receptor de GPS e um
dispositivo de comunicação, que permite a troca de mensagens entre os veículos e uma
Central de Controle.
Todavia os benefícios potenciais do SIR não se limitam à melhoria do serviço
logístico. A tecnologia, desenvolvida inicialmente dos EUA, era originalmente voltada
para a logística, mas foi logo percebido que só alcançaria o mercado se fossem
agregados a ele as necessidades de segurança (Garcia, 2002).
A preocupação das transportadoras reflete-se também nos gastos despendidos nos sistemas
de segurança de cargas: cerca de 18% do faturamento bruto. As cargas mais visadas são as
de fácil escoamento no varejo e de difícil reconhecimento de fontes de origem (ABTC,
2003).
O mercado se sofistica: não basta mais possuir um bom seguro para veículos e cargas.
Nesse contexto e sem perspectivas de solução para os índices assombrosos de roubo de
carga, transportadores e operadores logísticos têm que investir em uma forma segura da
carga chegar completa ao seu destino em tempo hábil, surge daí o gerenciamento de risco.
O Gerenciamento de Risco consiste no planejamento das ações de prevenção de riscos
operacionais relacionados à segurança das cargas transportadas, objetivando reduzir e
minimizar o índice de sinistros, garantir a qualidade dos serviços prestados e o
cumprimento dos prazos de entrega contratados.
O Gerenciamento de Risco permite à empresa que tenha o SIR instalado oferecer para a sua
clientela a mais ampla cobertura securitária, na forma da legislação vigente, com
apólices que contemplam desde acidentes rodoviários, avarias e faltas de mercadorias,
até incêndios, furtos e roubos, assim como a administração da movimentação da frota.
Esta movimentação é feita pelos SIR, que possibilitam o acompanhamento ou rastreamento
de cada veículo durante todo o percurso de transporte.
O gerenciamento de risco se afirma como uma ferramenta imprescindível para a conquista de
frete de grandes embarcadores e para fechar contratos com os corretores de seguro
especializados no setor. Estima-se que os sistemas integrados de rastreamento de veículos
sejam os responsável direto pela
recuperação de mais de R$ 1 bilhão em cargas roubadas entre 1997 até 2002 (Toscano,
2002).
As empresas de gerenciamento não levam em conta que além dos custos do próprio contrato
de gerenciamento, há investimentos paralelos em infra-estrutura que toda transportadora
é obrigada a realizar e que hoje giram, em média, em 12% do custo operacional (Garcia
2002). Um desses custos
adicionais é o de outro segmento importante envolvido no gerenciamento de risco, o das
empresas fornecedoras de equipamentos e sistemas de rastreamento.
Assim a questão central de nossa pesquisa visa a responder se o SIR realmente é eficaz e
efetivo para reduzir os riscos e custos associados à questão da segurança no transporte
de cargas e pessoas.
2.1. Tecnologia dos Sistemas Integrados de Rastreamento de Veículos.
Os SIR podem ser classificados em bloqueadores ou rastreadores de veículos.
Os bloqueadores são dispositivos de segurança que permitem o bloqueio do veículo à
distância, utilizando um pager embarcado no veículo. A abrangência é a dos sistemas de
pager, que engloba os grandes centros urbanos. Trata-se de equipamentos simples, que têm,
normalmente, funções antifurto como sensores de abertura de porta e bloqueio automático
a partir de um determinado tempo após o desligamento do veículo. Os bloqueadores não
fornecem a localização do veículo, pois não são capazes de enviar informações,
apenas de receber, já que os pagers são equipamentos de uma
única via. Os bloqueadores são indicados para evitar furto e roubo de veículos.
Os rastreadores de veículos incorporam inúmeras possibilidades de uso. Há desde
exemplos voltados para o controle de itinerários de caminhões, até sistemas
recomendados para quem quer monitorar carros de passeio.
Os sistemas rastreadores possuem as seguintes tecnologias: localização por
direcionamento, triangulação de antenas, duas opções que se baseiam na constelação
GPS e uma cujo funcionamento se faz inteiramente pela rede celular (Letham, 1996).
Na localização por direcionamento, um dispositivo eletrônico é instalado no veículo.
Sua função é emitir um sinal silencioso, criptografado, que passa a ser monitorado
quando há um aviso de roubo ou furto.
A triangulação de antenas é um sistema que segue o mesmo conceito aplicado aos
satélites, porém utilizando antenas em terra. Oferece uma localização muito precisa,
um custo de transmissão muito baixo, opera tanto "indoor" quanto
"outdoor", porém com uma área de abrangência limitada. O sistema pode ser
acionado via telefone ou imediatamente quando o carro é violado ou quando um "botão
de pânico" é pressionado. Há empresas que oferecem uma série de serviços de
segurança para complementar o trabalho.
O GPS é a mais conhecida de todas as constelações de satélites utilizados para
localização. O sistema GPS só fornece ao usuário as coordenadas de latitude e
longitude, além de temporização. Portanto, para um objetivo de segurança, torna-se
necessário combiná-lo com outro sistema capaz de transmitir, a uma central de
monitoramento, os dados de localização obtidos pelo "GPS receiver" embarcado
no veículo. A localização em grandes centros urbanos é complicada pelo número de
prédios próximos, já que o sistema GPS é baseado em visualização em mapa. Na maioria
dos casos, um modem é instalado no carro (a interface), para enviar e receber mensagens.
O GPS pode ser acoplado a um celular ou a um sistema de satélites.
Na combinação GPS e celular, a localiza é feita via GPS, conforme descrito, e a
transmissão das informações de coordenadas por um telefone embarcado no veículo. Os
comandos de bloqueio também são recebidos por esse telefone.
No uso do GPS combinado com o satélite, a transmissão de sinais pode ocorrer, por
exemplo, a cada minuto, por causa do baixo custo da comunicação via satélite. Por isto,
trata-se de um sistema muito indicado para o uso em caminhões, já que se torna possível
checar se a rota está sendo cumprida em
intervalos bastante curtos de tempo. Alguns possuem computadores de bordo, que permitem
que o motorista envie textos livres ou formatados para a central, relatando ocorrências
ou avisando sobre qualquer necessidade de mudança na rota, como também os tempos de
paradas.
O celular via célula ERB (Estação Rádio Base) oferece um posicionamento que não é
preciso (zoneamento) a um custo de transmissão mais caro que os da radiofreqüência. A
vantagem é a área de abrangência, que engloba todas as regiões cobertas pela rede
celular. Também tem uma boa velocidade de transmissão de dados, e tem o apelo dos
opcionais que podem ser acoplados
como por exemplo computadores de bordos (OBC). Sua finalidade é a comunicação
automática de arrombamento, roubo ou furto para a central de monitoramento, assim como
avisos de pânico emitidos pelos ocupantes do veículo em casos emergenciais, como
seqüestro relâmpago.
3. Metodologia
Nesta seção será a apresentada a metodologia que norteou a pesquisa.
Considerando-se o critério de classificação de pesquisa de Vergara (1990) toma-se como
base a qualificação da pesquisa em relação a dois aspectos: quanto aos fins e quanto
aos meios.
Quanto aos fins, a pesquisa é uma investigação explicativa que tem como principal
objetivo tornar algo inteligível, justificar-lhe os motivos. Visa, portanto, esclarecer
quais fatores contribuem, de alguma forma, para a ocorrência de determinado fenômeno.
Quanto aos meios, a pesquisa é de campo, bibliográfica e investigação "ex post
facto". Bibliográfica, porque as fundamentações teóricas - metodológicas do
trabalho estão baseadas em literatura especializada, materiais publicados e em
relatórios empresariais de organizações líderes de
mercado. A investigação é, também, "ex post facto", porque utiliza fato já
ocorrido nas empresas que digam a respeito ao objeto de estudo. A pesquisa é de campo
porque coletará dados utilizando o questionário aqui desenvolvido.
3.1. Objeto de estudo e questões de pesquisa
O artigo visa verificar o impacto que o uso dos sistemas integrados de rastreamento trazem
para os sistemas de logística empresarial. Este impacto foi medido através de um
questionário respondido por pessoas ligadas às áreas de logística e segurança. Este
questionário foi distribuído em operadores logísticos, gerenciamento de risco e
transportadoras em geral que utilizam os sistemas integrados de rastreamento no estado do
Rio de Janeiro.
A partir do objetivo apresentado, podemos extrair a questão central que norteia a
condução do presente trabalho: "Os sistemas integrados de rastreamento são
realmente efetivos para aprimorar a logística e diminui o risco do transporte de cargas e
passageiros?"
3.2 Hipóteses
Diante das questões colocadas, o trabalho busca testar as seguintes hipóteses:
1ª) Os SIRs são efetivos para a redução dos incidentes relacionados à segurança
(gerenciamento de risco).
2ª) Os SIRs são eficazes nos benefícios logísticos.
3ª) Os SIRs são eficientes com relação aos custos logísticos.
4ª) Os SIRs são integrados aos sistemas de informação empresariais.
5ª) Os SIRs são de fácil operabilidade.
3.3 Coleta de dados, universo e amostra
A coleta de dados foi feita através de um questionário específico para cada área de
atuação (logística e segurança). A distribuição foi feita por e-mail, fax e
pessoalmente.
A delimitação do universo da pesquisa de campo adotou os seguintes critérios: empresas
de logística, gerenciamento de risco e transportadoras que utilizem os sistemas
integrados de rastreamento no estado do Rio de Janeiro (Brasil), que tenham ao menos 20
equipamentos de SIR e pelo menos 6
meses de uso do SIR. A escolha destes critérios deveu-se à acessibilidade dos sujeitos
(critério geográfico) e a necessidade de um histórico de operações confiável.
3.4 Seleção dos sujeitos
Os sujeitos de pesquisa são funcionários da área de logística e segurança da empresa,
sendo estes: diretores, gerentes, analistas e técnicos de logística, diretores,
gerentes, analistas técnicos de segurança. Todos os entrevistados devem trabalhar na
área por mais de 1 ano.
3.5 Formulação do questionário (tratamento dos dados)
Segundo Babbie (1999), a preparação de questionário, sondagens e perguntas para
entrevistas são uma tarefa difícil e complexa. Essa elaboração consiste basicamente em
traduzir os objetivos específicos da pesquisa em itens bem redigidos. Esse problema
assume três dimensões principais:
. A relevância das questões;
. O impacto psicológico;
. Os preceitos estatísticos;
A relevância das questões é assunto que foi resolvido com conhecimento técnico e
experiência dos autores. A questão do impacto psicológico foi tratada com as seguintes
premissas que nortearam a confecção do questionário:
1) as questões são fechadas, mas com alternativas suficientes para abrigar a gama de
respostas possíveis;
2) a pergunta deve possibilitar uma única interpretação;
3) a pergunta não deve sugerir resposta;
4) foi evitada a inclusão, nas perguntas, de palavras estereotipadas, bem como a menção
a personalidades de destaque, que podem influenciar as respostas, tanto em sentido
positivo quanto negativo.
O problema de caráter estatístico diz respeito à agregação e tabulação dos dados
resultantes da aplicação dos questionários. Optou-se por questões com múltiplas
escolhas, ou seja, quando as respostas possíveis podem ser reduzidas a um número único
finito de alternativas. O dados foram tratados de forma quantitativa, isto é,
utilizando-se de procedimentos estatísticos.
Há dois grandes grupos de testes estatísticos: paramétricos e não paramétricos, nós
utilizamos os paramétricos, entre eles: a média, o desvio padrão, a soma e o contar.
Foi elaborado um questionário específico para cada área de atuação (logística e
segurança). Este questionário, que se encontra no Apêndice I, contém um total de 25
perguntas, sendo 18 perguntas da área de logística e 7 perguntas da área de segurança.
Foi adotado um questionário com perguntas
fixas (fechadas), devido às seguintes vantagens: padronização; facilidade de
aplicação, respostas analisáveis de maneira rápida e relativamente pouco dispendiosas,
além de aumentar a segurança de as respostas serem dadas num quadro de referência
significativo para o objetivo da pesquisa e sob uma
forma utilizável na análise.
Foi adotado um critério de 4 alternativas de respostas para não caracterizar a chamada
"tendência de centralização" que têm os respondentes para escolher as
respostas do meio nas perguntas de múltipla escolha com número ímpar de alternativas. A
distribuição foi feita através de e-mail, fax e pessoalmente, a devolução do mesmo
foi feita através de e-mail, fax, carta ou pessoalmente.
Para a formação da amostra, inicialmente foram enviados e-mails para as 14 empresas que
fabricam e distribuem SIR na região em estudo. Foram solicitas a estas empresas a
informação de quais clientes utilizam seus sistemas e a autorização para a
utilização da informação. Todas as empresas responderam, 5 delas forneceram o cadastro
de seus clientes e autorizaram a sua
utilização na pesquisa.
Os questionários foram enviados para 264 empresas que compunham o banco de dados
fornecidos pelas cinco empresas fornecedoras de SIR. Foram distribuídos 1.112
questionários, para os profissionais de logística e segurança dessas empresas, e
obtidas 510 respostas. O Gráfico 1 mostra a
distribuição por cargo do entrevistado dos questionários enviados e recebidos.
Gráfico 1: Distribuição percentual do envio e recebimento dos questionários.
A distribuição dos questionários foi realizada da seguinte forma: 470 questionários
por e-mail, 92 questionários por fax e 550 questionários pessoalmente. A devolução
teve 135 questionários recebidos por e-mail, 23 questionários recebidos por fax e 352
questionários pessoalmente.
3.6 Limitações do método
A metodologia escolhida para a futura pesquisa apresenta as seguintes dificuldades e
limitações quanto à coleta e ao tratamento dos dados:
A limitação da abrangência da pesquisa ao estado do Rio de Janeiro, deixando à parte
outras áreas importantes e de maior número de sistemas integrados de satélites
instalados, como o estado de São Paulo, por exemplo, em função do tempo disponível e
da limitação de recursos para a pesquisa.
Os questionários respondidos, por sua vez, podem fornecer respostas falsas, que não
traduzam suas opiniões, por razões conscientes (medo, por exemplo) ou inconscientes
(falta de compreensão da pergunta, por exemplo).
Quanto ao tratamento dos dados coletados, uma limitação diz respeito à própria
experiência profissional do autor, influindo em suas interpretações.
4. Análise de Resultados
Nesta seção será feita a análise do questionário e serão respondidas as hipóteses.
A análise estatística da pesquisa foi feita através do software Microsoft Excel,
utilizando a média e o desvio padrão como descritores, mas o presente artigo se aterá
somente à média.
Foram levadas em conta as seguintes dimensões para a análise das respostas do
questionário, sendo estas: com relação ao cargo na empresa, ao número de
funcionários, ao faturamento mensal e ao ramo de trabalho.
Os cargos na empresa são divididos em: gerente de logística, gerente de distribuição,
gerente de segurança, analista/operador de logística, analista/operador de segurança e
outros.
O número de funcionários foi dividido nas seguintes opções: até 50 funcionários, de
51 a 250 funcionários, de 251 a 350 funcionários, de 351 a 450 funcionários, de 451 a
550 funcionários e mais de 500 funcionários.
O faturamento mensal foi classificado segundo as faixas: não sei dizer, até R$ 100
mil, de R$ 101 mil a R$ 200 mil, de R$ 201 mil a R$ 300 mil, de R$ 301 mil a R$ 400 mil e
mais de R$ 400 mil.
Para o ramo de trabalho as opções são: transportadora geral, distribuidor
farmacêutico, consultoria em logística e segurança, órgão publico e outros.
Para a análise dos questionários, as perguntas foram divididas em duas escalas de
respostas. Os valores possíveis da escala de Tipo I foram: 0 - não observado, 1 -
piorou, 2 - não se alterou, 3 - melhorou. A escala de Tipo II admite as seguintes
respostas: 0 - não sei dizer, 1 - não, 2 -
parcialmente, 3 - sim. Para a análise dos dados foram descartados as respostas com valor
zero.
4.1 Hipótese 1
Esta hipótese indaga se os SIRs foram efetivos para a redução dos incidentes
relacionados à segurança (gerenciamento de risco). Para responder a hipótese temos as
perguntas do questionário de segurança:
1 - o roubo de cargas e assaltos, 2 - os acidentes nas viagens, 3 - a proteção do
carreteiro nas estradas, 4 - os roubos e furtos internos, 5 - os desvios de rota, 6 - o
bloqueio do veículo e/ou localização após a ação criminosa foram efetivos. A escala
empregada nas perguntas de segurança 1, 2, 3, 4 e 5 foi o Tipo I e na pergunta de
segurança 6 o Tipo II. A Tabela 1 sintetiza os resultados destas perguntas, onde um valor
3 significa uma resposta positiva às perguntas.
Tabela 1 - Análise estatística na hipótese 1
Dados Total geral
Média de Segurança 1 3,00
Média de Segurança 2 2,88
Média de Segurança 3 2,99
Média de Segurança 4 2,88
Média de Segurança 5 2,98
Média de Segurança 6 2,99
Média 2,96
Como pode ser observado na Tabela 1, as médias das respostas foram todas próximas ao
valor 3, o que caracteriza uma efetiva utilidades dos SIRs para redução dos riscos,
validando portanto a Hipótese 1.
4.2 Hipótese 2
Esta hipótese indaga se os SIR foram eficazes para aumentar os benefícios logísticos.
Para responder a hipótese temos as perguntas do questionário de logística:
1 - o tempo de carga e descarga dos veículos;
2 - após a instalação do SIR qual a satisfação percebida pelo cliente;
3 - qual o impacto percebido no marketing da empresa em função do uso dos SIR;
4 - a resolução dos problemas ocorridos no meio das viagens;
5 - a produtividade dos empregados e prestadores de serviços.
A escala empregada nas perguntas 1, 2, 3, 4 e 5 de logística foi o Tipo I. A Tabela 2
mostra a média da resposta a essas perguntas
Tabela 2 - Analise estatística na hipótese 2
Dados Total Geral
Média de Logistica 1 2,97
Média de Logistica 2 2,99
Média de Logistica 3 2,98
Média de Logistica 4 2,83
Média de Logistica 5 2,74
Média 2,90
Mais uma vez a resposta às perguntas foi positiva (média próxima a 3), o que valida a
Hipótese 2. Vale ressaltar que alguns entrevistados responderam a Questão 5
("aumento da produtividade dos empregados e prestadores de serviços") com
relação à produtividade da produção e não com relação ao SIR, o que explica uma
média mais baixa dessa questão.
4.3 Hipótese 3
Esta hipótese indaga se os SIR foram eficientes para redução dos custos logísticos.
Para responder a hipótese temos as perguntas do questionário de logística:
6 - horas paradas;
7 - km rodado;
8 - telefonemas interurbanos;
9 - gastos com manutenção e combustível;
10 - frete de retorno .
e a pergunta 7 - a redução dos custos com prêmios e seguros foi significativa do
questionário de segurança.
Tabela 3 - Analise estatística na hipótese 2
Dados Total geral
Média de Logistica 6 2,97
Média de Logistica 7 2,95
Média de Logistica 8 2,47
Média de Logistica 9 2,78
Média de Logistica 10 2,89
Média de Segurança 7 2,93
Média 2,83
Mais uma vez as respostas foram em média positivas às questões, o que permite validar a
Hipótese 3. Todavia a questão de Logística 8 (redução dos telefonemas interurbanos as
empresas) teve uma média de resposta menos favorável que outras. Isto pode ser explicado
por um componente cultural das empresas logísticas e dos caminhoneiros, que
freqüentemente ainda preferem a comunicação oral ao invés do meio eletrônico de troca
de mensagens.
4.4 Hipótese 4
Esta hipótese pergunta se os SIR nas empresas foram totalmente utilizados em seus
benefícios de integração dos sistemas.Para responder a hipótese temos as perguntas do
questionário de logística:
11 - os SIR são integrados com os sistemas de informática da sua empresa;
12 - você utiliza as funções de controle do ciclo operacional da frota do SIR na
sua empresa;
13 - a sua empresa utiliza softwares roteirizadores integrados com o SIR.
A escala das respostas foi do Tipo II. A Tabela 4 sintetiza as resposta para essas
perguntas.
Tabela 4 - Analise estatística na hipótese 4
Dados Total geral
Média de Logistica 11 1,52
Média de Logistica 12 1,95
Média de Logistica 13 1,00
Média 1,49
Todos os entrevistados destacaram que não há integração entre os SIRs e os
roteirizadores (pergunta 13). Todavia as respostas às perguntas 11 e 12 possuem algumas
nuances e mereceram uma análise mais detalhada, que aparece nas tabelas 5 e 6.
Tabela 5 - Questões 11 e 12 de logística, agrupadas por Cargo na Empresa.
|
Gerente Logística | Gerente distribuição | Gerente Segurança | Analista Logística | Analista Segurança | Outros | Média |
| 11 | 1,13 | 1,46 | 1,00 | 1,57 | 1,00 | 1,85 | 1,52 |
| 12 | 2,32 | 1,46 | 3,00 | 1,55 | 1,00 | 2,19 | 1,95 |
Tabela 6 - Questões 11 e 12 de logística, agrupadas por Ramo de Trabalho da
Empresa
Ramo
| Transportadora Geral | Distribuidor Farmacêutico | Consultoria em Logística e Segurança | Gerenciadora de Risco | Órgão Público | Outro | Total geral | |
| 11 | 1,35 | 1,39 | 1,08 | 1,33 | 2,73 | 1,89 | 1,52 |
| 12 | 1,86 | 2,25 | 1,93 | 1,56 | 2,58 | 1,56 | 1,95 |
Na Tabela 6 podemos notar que a percepção dos entrevistados de órgãos públicos é
mais positiva que em outros ramos. Isto talvez possa ser explicado por uma maior
integração dos SIRs aos sistemas de informação do governo, mas também pode ser
função do perfil dos respondentes deste ramo, eventualmente menos implicados com a
qualidade do serviço que as empresas privadas. Destaca-se na Tabela 5 a baixa pontuação
dos analistas de segurança, mas isto provavelmente se deve ao pouco conhecimento destes
respondentes sobre as questões 11 e 12, que envolvem logística e sistemas de
informação.
4.5 Hipótese 5
Esta hipótese indaga se os SIR são de fácil operabilidade. Para responder a hipótese
temos as perguntas do questionário de logística:
14 - houve treinamento adequado dos operadores do SIR;
15 - houve treinamentos adequados dos motoristas;
16 - os operadores estão capacitados no uso do SIR;
17 - os motoristas estão capacitados na utilização dos equipamentos;
18 - os softwares de SIR são de fácil utilização.
Nesta hipótese as perguntas foram valoradas na escala de Tipo II. A Tabela 7 mostra esses
resultados.
Tabela 7 - Analise estatística na hipótese 5
Dados Total geral
Média de Logistica 14 3,00
Média de Logistica 15 3,00
Média de Logistica 16 3,00
Média de Logistica 17 2,98
Média de Logistica 18 3,00
Média 3,00
Houve uma quase unanimidade dos entrevistados, que destacaram a facilidade de uso dos
SIRs.
5. Conclusões
Até alguns anos atrás, quando o motorista cruzava os portões das transportadoras e
saíam com os caminhões, eles se tornavam às pessoas mais importante para a empresa,
tanto o veículo quanto a carga ficavam em suas mãos. Com o advento dos SIRs, toda
informação referente à viagem passou a
ser disponibilizada, pautada e orientada para o completo gerenciamento da frota.
Com a confirmação das hipóteses 1, 2, 3 e 5 do estudo, podemos concluir que a questão
central do estudo - "Os sistemas integrados de rastreamento são realmente efetivos
para aprimorar a logística e diminui o risco do transporte de cargas e passageiros?"
é verdadeira. Os SIRs mostraram-se
eficientes para a redução dos custos de logística e de segurança e eficientes para
redução dos tempos de transporte e de carga e descarga.
Todavia a recusa da Hipótese 4 mostra que ainda há a necessidade de integração dos
SIRs aos demais sistemas de informação da empresa, especialmente aos Sistemas Integrados
de Gestão (ERP) e ao Sistemas de Roteamento de Veículos.
Uma importância tendência a ser estudada é a integração dos SIRs aos sistemas de
gestão de transportes e empresarial (como por exemplo TMS - Gerenciamento de transporte,
WMS - Gerenciamento de Armazéns).
Apesar dos fortes evidências que os SIR auferem benefícios logísticos, os custos de
aquisição dos equipamentos de SIR ainda são muito altos para uma grande parte
significante do mercado de transporte rodoviário.
Completo e instalado, um SIR pode chegar a R$ 10 mil por veículo se o cliente optar pelo
hardware e software completos, com todas as ferramentas de logística e gerenciamento de
risco. Se optar apenas pelos SIR de logística, vai pagar na faixa de R$ 5 mil a R$ 8 mil,
dependendo da tecnologia escolhida. Faz parte do pacote a instalação do equipamento no
caminhão e do software, além disto também é necessário considerar o treinamento para
utilização do SIR em ambos os casos.
Depois de comprar o sistema, o cliente se torna um assinante do serviço de comunicação.
A média de comunicação por caminhão varia de R$ 150,00 a R$ 180,00 - para quem usa os
sistema apenas para logística - e de R$ 210,00 R$ 240,00 para o pacote completo, de
logística e segurança. Geralmente o
treinamento dos usuários e a garantia de um ano, incluindo mão-de-obra, são fornecidos
pelo fabricante do SIR e são gratuitos. Há também em algumas das empresas fornecedoras
dos SIR um serviço de pós-venda que está dentro do pacote adquirido.
Segundo Ferronato (2004), estima-se que existam no mercado brasileiro em torno de um
milhão e oitocentos mil caminhoneiros que ainda não investiram em nenhum tipo de SIR.
Na nossa opinião, o problema principal não é custo de aquisição ou de manutenção
por dos SIR, mais sim uma questão cultural. Grande parte da frota de caminhões
brasileira ainda é de profissionais autônomos ou de pequenas empresas, que ainda não
dispõem de uma gestão profissional adequada. Isto faz que o uso de tecnologia ainda seja
pouco disseminado nestas empresas.
Todavia o mercado transportador brasileiro está enfrentando a concorrência de novos
players, o que está obrigando as empresas nacionais a se modernizarem rapidamente e por
isso cremos que os SIR têm um futuro bastante promissor pela frente.
Referências
LETHAM, Lawrence.GPS Made Easy. Canadá , 1996.
BALLOU, Ronald H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos : planejamento, organização e
logística empresarial ; trad. Elias Pereira. - 4 ed. . Porto Alegre : Bookman, 2001.
ABTC - Associação Brasileira dos Transportadores de Cargas. Roubo de Cargas.
Disponível em http://www.abtc.org.br/cargas_cpi.htm.
Acesso em setembro 2003.
BABBIE, Earl.: Métodos de pesquisa de Survey, BH, UFMG, 1999.
BOWERSOX, D.J. & CLOSS, D.J., Logistica Empresarial: O processo de Gerenciamento
Integrado da Cadeia de Suprimentos, Editora Atlas, 2001
EPTV - Ribeirão Preto. Roubo de carga consome 10% do faturamento de transportadoras.
Disponível em http://eptv.globo.com/economia/1709200315232459.asp.
Acesso em junho 2003
GARCIA, Ivan, Revista ASLOG, outubro/novembro, 2002.
LETHAM, Lawrence. GPS Made Easy. Canadá , 1996
PORTER, M. E. Competitive advantage. New York: Free Press, 1985.
TOSCANO, Márcio. Revista Satellitis, Edição especial, 2002.
VERGARA, Sylvia. Projetos e Relatórios de pesquisa em Administração - São Paulo :
Atlas, 1997.
APÊNDICE I
Questionário: Avaliação do uso de Sistemas Integrados de Rastreamento de Veículos
Cargo na empresa : Número de funcionários : Faturamento Mensal :
( ) Gerente de Logística ( ) Até 50 funcionários (
) Não sei dizer
( ) Gerente de Distribuição ( ) de 151 a 250 funcionários (
) Até R$ 100 mil
( ) Gerente de Segurança ( ) de 251 a 350 funcionários (
) de R$ 101 mil a R$ 200 mil
( ) Analista / Operador de Logística ( ) de 351 a 450
funcionários ( ) de R$ 201 mil a 300 mil
( ) Analista / Operador de Segurança ( ) de 451 a 550
funcionário ( ) de R$ 301 mil a 400 mil
( ) Outros ( __________________ ) ( ) mais de 551 funcionários (
) mais de 400 mil
Ramo de trabalho da sua empresa : Sistema utilizados : Números de Equipamentos :
( ) Transportadora Geral ( ) Autotrac ( )
Até 20 equipamentos
( ) Distribuidor Farmacêutico ( ) Controlsat (
) de 21 a 40 equipamentos
( ) Consultoria em logística e segurança ( ) Omnilink (
) de 41 a 60 equipamento
( ) Gerenciadora de risco ( ) Skymark ( )
de 61 a 80 equipamentos
( ) Órgão público ( ) Guardone ( ) de
81 a 100 equipamentos
( ) Outro ( __________________ ) ( ) Outro ( ___________) (
) mais de 101 equipamentos
Questionário da área de logística.
Não Observado Melhorou Não se Alterou Piorou
1) O tempo de carga e descarga dos veículos : ( A ) ( B ) ( C ) ( D )
2 ) Após a instalação do sistema integrado de rastreamento qual a satisfação
percebida pelo cliente : ( A ) ( B ) ( C ) ( D )
3 ) Qual o impacto percebido no marketing da empresa em função do uso dos sistemas
integrados de rastreamento : ( A ) ( B ) ( C ) ( D )
4 ) A resolução dos problemas ocorridos no meio das viagens: ( A ) ( B ) ( C ) ( D )
5 ) A produtividade dos empregados e prestadores de serviços : ( A ) ( B ) ( C ) ( D )
O que foi percebido com relação a redução dos seguintes custos operacionais :
Não Observado Melhorou Não se Alterou Piorou
6 ) Horas paradas : ( A ) ( B ) ( C ) ( D )
7 ) Km rodado : ( A ) ( B ) ( C ) ( D )
8 ) Telefonemas interurbanos: ( A ) ( B ) ( C ) ( D )
9 ) Gastos com manutenção e combustível: ( A ) ( B ) ( C ) ( D )
10 ) Frete de retorno: ( A ) ( B ) ( C ) ( D )
Não sei dizer Sim Parcialmente Não
11 ) Os sistemas integrados de rastreamento são integrados com os sistemas de
informática da sua empresa ( A ) ( B ) ( C ) ( D )
12 ) Você utiliza as funções de controle de ciclo operacional da frota do sistema
integrado de rastreamento na sua empresa : ( A ) ( B ) ( C ) ( D )
13) A sua empresa utiliza softwares roteirizadores integrados com o sistema integrados de
rastreamento ? ( A ) ( B ) ( C ) ( D )
14 ) Houve treinamento adequado dos operadores do sistema integrado de rastreamento : ( A
) ( B ) ( C ) ( D )
15 ) Houve treinamento adequado dos motoristas : ( A ) ( B ) ( C ) ( D )
16 ) Os operadores estão capacitados no uso dos sistema integrados de rastreamento : ( A
) ( B ) ( C ) ( D )
17 ) Os motoristas estão capacitados na utilização dos equipamentos : ( A ( B ) (
C ) ( D )
18 ) Os softwares de sistemas integrados de rastreamento são de fácil utilização : ( A
) ( B ) ( C ) ( D )
Questionário da área de segurança.
Não Observado Melhorou Não se Alterou Piorou
1 ) O roubo de carga e assaltos : ( A ) ( B ) ( C ) ( D )
2 ) Os acidentes nas viagens : ( A ) ( B ) ( C ) ( D )
3 ) A proteção do carreteiro nas estradas: ( A ) ( B ) ( C ) ( D )
4 ) Os roubos e furtos internos : ( A ) ( B ) ( C ) ( D )
5 ) Os desvio de rota : ( A ) ( B ) ( C ) ( D )
Não sei dizer Sim Parcialmente Não
6 ) O bloqueio do veículo e/ou localização após a ação do criminosa foi efetivo : (
A ) ( B ) ( C ) ( D )
7 ) A redução dos custos com prêmios e seguros foi significativa : ( A ) ( B ) ( C ) (
D )
maio/2.005
Prof. Luis Moura
slmoura10@ig.com.br)
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