Zero apagão logístico 

É impressionante o que se fala em “apagão logístico”, mas será que essa situação já está acontecendo, vai acontecer ou sempre existiu?
Se partimos do princípio que variações bruscas de demanda provocam escassez ou ociosidade de recursos, então podemos concluir que deparamos com “apagões” desde nossos ancestrais pré-históricos. Estamos vivendo atualmente um momento de grande desconforto em relação à infra-estrutura logística do País, pois começam a ser contabilizadas diversas perdas, como as perdas de toneladas de grãos por folhas na armazenagem; perdas por derramamento de grãos nas estradas, devido à má conservação das mesmas; custo elevado de fretes; falta de capacidade de transporte; perdas geradas pelo sistema portuário, que se mostra um gargalo logístico devido às suas ineficiências.

Enfim, nada de se surpreender em um País onde os altos e baixos são constantes. Mas e o planejamento? Nesse momento, o planejamento, ou a falta dele, se torna o grande vilão, responsável pela escassez de recursos.

Mas e a ociosidade? Por que não se destaca na mesma proporção da falta de recursos a ocorrência da ociosidade gerada por diversos fatores inerentes à vontade do planejador, tais como estiagem na região Sul, que provoca perdas por ociosidades de recursos, variações cambiais, que impactam diretamente nas exportações ou aeroportos sub-utilizados.
O fato é que o planejamento nos investimentos em infra-estrutura logística, público ou privado, sempre ocorreu e sempre foi alvo dos críticos de plantão, que julgam ter todas as informações necessárias para identificar um culpado.

Antes de falarmos em apagão logístico, deveríamos considerar a capacidade do Brasil (principalmente das empresas privadas e do povo brasileiro) para desenvolver alternativas e superar as barreiras.
Destacar o “apagão logístico” é assumir uma posição de derrotado, sem considerar os inúmeros esforços que estão sendo feitos neste sentido. Muitos preferem fazer comparativos com a infra-estrutura dos países desenvolvidos e dizer que nossa incompetência vai nos conduzir a um “apagão” cada vez maior.
Vamos parar com isso! Vamos destacar na mídia os esforços que estão sendo feitos para um “Zero Apagão Logístico”.
Vamos destacar idéias e propostas criativas que sempre caracterizaram as empresas vencedoras.
Temos de dar um basta aos profetas das “catástrofes” e destacar a força do Brasil e de seu povo nas soluções que vêm sendo desenvolvidas e que continuam fazendo com que o País cresça nas mais diversas áreas.
Será que essas pessoas que destacam o apagão logístico diriam, há dois anos, que seria viável atingir os atuais números de exportação?
Cabe refletirmos cada vez mais sobre estas questões e, quem sabe, acreditarmos em nós mesmos, característica essa que vemos em muitos outros países até em demasia.

 

maio/2.005

Eduardo Banzato,
Vice-presidente do INSTITUTO IMAM, uma associação fundada em 1979 congregando empresas e profissionais relacionados com a administração moderna, engenharia industrial e logística, tecnologia de movimentação, armazenagem e administração de materiais e embalagem, bem como qualidade e produtividade.

Diretor, consultor e instrutor da IMAM Consultoria Ltda.
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