O Mapa da Mina em 2005 e 2006

Ao se aproximar o final de ano muitas empresas do setor de logística e transportes iniciam os preparativos para a elaboração de seu planejamento estratégico para o(s) ano(s) seguinte(s), cujo um dos principais focos é a atuação comercial.
Uma dos questionamentos mais comuns é: além do que estamos fazendo, o que mais podemos fazer para aumentar a rentabilidade e as vendas da nossa empresa? Para quais novos mercados direcionar nossos esforços e investimentos?
Novos segmentos vêm ganhando destaque no meio logístico, e são ainda muito pouco explorados pelos prestadores de serviços, constituindo-se, portanto, em grandes oportunidades de negócios. Dentre eles estão a logística de eventos, o atendimento de empresas do setor terciário (serviços), a indústria do entretenimento, a logística reversa e a logística do agronegócio.
O mercado brasileiro de feiras e eventos cresceu 300% no Brasil nos últimos 12 anos. As 160 feiras brasileiras de negócios reúnem 38.000 empresas de 30 segmentos; em 1.992 eram apenas 7.500 empresas. São Paulo já é considerada a capital sul-americana de feiras e eventos. Este mercado poderia ter crescido ainda mais se não fossem as dificuldades encontradas pelos investidores estrangeiros, tais como os altos custos portuários, excesso de burocracias, pouca disponibilidade de vôos, questões e legislações sanitárias, etc. Cabe aos bons e eficientes prestadores de serviços logísticos gerenciar essas dificuldades e oferecer aos seus Clientes uma solução livre de problemas.
A indústria do entretenimento engloba os setores de turismo, cultura, lazer e esporte e responde por cerca de 6% do PIB do Brasil e por 18% do PIB nos Estados Unidos; no Rio de Janeiro, a indústria do entretenimento é responsável por 10% do PIB local. Muitos especialistas econômicos entendem que a indústria do entretenimento, em especial o turismo, associada ao agronegócio, levarão o Brasil, no futuro, a posição de destaque mundial. A indústria do esporte no Brasil pode ser comparada a de países da Europa; o PIB do esporte no Brasil representa de 1,5% a 2,0% do PIB brasileiro, tendo um peso equivalente à indústria petroquímica. No mundo, a indústria do esporte   representa algo em torno de US$ 400 bilhões e emprega aproximadamente 100 milhões de pessoas.
Já o setor de serviços, por muitos anos permaneceu relegado a um segundo plano, preterido pela indústria, mas aos poucos vem ganhando importância no meio logístico. Bancos, hospitais, restaurantes, hotéis, etc, possuem uma logística extremamente complexa e necessitam de soluções desenvolvidas por empresas especializadas para poderem focar em seu core business. Imagine a complexidade que envolve a logística de um grande hospital onde a falta ou o incorreto armazenamento ou manuseio de um medicamento pode comprometer a vida de diversos pacientes. A logística hospitalar envolve atividades de armazenamento de produtos sensíveis à umidade, temperatura e luz, montagem de kits individuais de remédios para pacientes, administração dos estoques e das compras de milhares de produtos, com diferentes características de validade, valor, manuseio e embalagem.
A logística reversa basicamente trata do retorno de produtos, embalagens ou materiais ao seu centro produtivo. Impulsionada pelas Normas ISO 14000 (logística verde), a logística reversa tem trazido grandes retornos às empresas, motivando o seu desenvolvimento e crescimento no meio empresarial. Nos Estados Unidos, de um custo logístico total de US$ 1,006 trilhões, estima-se que 4%, ou US$ 40,24 bilhões correspondam a custos da logística reversa. Trata-se de um mercado no qual estão envolvidas mais de 150 empresas de logística e onde a logística reversa representa, em média, 5% do seu faturamento. O foco dessas empresas está no segmento de eletroeletrônicos, alimentos, automotivo e bens de consumo. No Brasil é ainda um mercado incipiente, carente de soluções, infra-estrutura física específica e tecnologia.
Por fim, temos a logística do agronegócio ou agribusiness. Os problemas relativos à logística do agronegócio tem sido amplamente discutidos em função dos recentes problemas verificados para o escoamento da produção e da exportação. Mais do que carência em infra-estrutura, este segmento sofre com a falta de operadores logísticos especializados e capacitados a agregar inteligência logística, na forma de pessoas, processos e tecnologia.
Sinalizamos para vocês alguns dos segmentos de maior potencial no futuro, para os quais suas empresas devem, pelo menos, analisar as possibilidades de negócios. Porém, em 2005 e 2006, continuarão se destacando no meio logístico segmentos como o automotivo (inbound e outbound), químico, farmacêutico, eletroeletrônicos e tudo aquilo relacionado à exportação, inclusive o transporte rodoviário de carga para os países do Mercosul.
Como se vê, há muito o que se trabalhar e se pensar para o planejamento estratégico dos próximos anos. Uma empresa não sobrevive sem estratégias e ao contrário do que muitos pensam, a estratégia não engessa a empresa, mas decide para onde você quer que a sua empresa vá e, então, como você quer conduzi-la até lá.
Como escreveu Sun Tzu em “A Arte da Guerra”, “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória conquistada, sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo e nem a si mesmo, perderá todas as batalhas”.

outubro/2.004

Marco Antonio Oliveira Neves,
Diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística Ltda.
marcoantonio@tigerlog.com.br     www.tigerlog.com.br


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