Segundo o último
levantamento oficial realizado pelo IBGE, em 2.001, em sua Pesquisa Anual de Serviços
(PAS), existiam 47.579 empresas de transportes rodoviário de cargas no Brasil, 80% delas
com até 5 pessoas empregadas e apenas 0,8% com mais de 100 pessoas empregadas, faturando
em media, R$ 25 milhões anuais.
Desde então não existem estatísticas confiáveis a respeito do setor,
mas se considerarmos que esta última informação é realmente correta, podemos estimar
que ao final de 2.004 teremos 72.500 empresas! Dados de 1.992, da mesma pesquisa,
apontavam para a existência de 12.568 empresas, portanto, em 10 anos, houve um aumento de
279% no número de empresas.
A proliferação desordenada de empresas no setor do transporte rodoviário
de cargas gera distorções absurdas no preço do frete e o simples cadastramento das
empresas do setor propagado pelo Ministério dos Transportes, através da criação do
RNTRC Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Carga, não resolverá
esse problema no curto e médio prazos.
Aliado a isso, temos a questão tributária, que atualmente incide sobre
40,01 % do nosso PIB, e consome, diretamente, cerca de 30% do faturamento das empresas de
transportes e indiretamente, 55,45%.
Também, contribuindo para a diminuição da lucratividade das empresas, estão a
saturação do mercado de terceirização do setor de transportes, que alcançou algo em
torno de 85%, e o próprio ciclo de vida do produto, que em fase avançada de maturidade,
cria um ambiente de altíssima concorrência, mínimas barreiras para a entrada de novos
concorrentes, dificuldades em obter novas vendas e em fidelizar seus Clientes e a
comoditização do serviço.
Somado a tudo isso estão questões de ordem interna nas empresas,
relacionadas à sua gestão, e esse é o ponto principal de análise deste artigo.
As grandes empresas, visando uma ampla cobertura nacional de suas
operações, têm investido pesadamente em ativos operacionais, muito em função das
dificuldades em operar com terceiros, mas também de fatores pessoais e culturais, que
valorizam a aquisição de frotas próprias.
A estrutura está inchada e cada vez mais custosa e está cada vez mais difícil remunerar
competitivamente o investimento realizado. Não raro vemos empresas do setor com custos
administrativos representando mais de 15% da receita de vendas da empresa. Por outro lado
vemos a lucratividade das empresas despencar ao longo dos últimos anos. As vendas até
podem estar aumentando, mas a contra-partida na lucratividade não é verdadeira!
Ao invés de também investir em tecnologia da informação e no
treinamento e desenvolvimento de seu capital humano, visando criar inteligência
logística, muitos preferem comprar novos caminhões. É comum escutar que acham caro
gastar R$ 250,00 em uma palestra mas não vacilam na decisão de investir 1.000 vezes este
valor na compra de um novo caminhão.
Não está errado o investimento em caminhões, mas é necessário um
re-direcionamento estratégico da empresa, não importando o seu porte. Lembro que o
mercado futuro cada vez mais buscará soluções logísticas integradas e cada vez mais
valorizará a inteligência logística das empresas, expressas em ferramentas de
planejamento, gestão e controle, visibilidade das informações, etc.
Dentre as 100 maiores empresas de transporte rodoviário de cargas no
Brasil, apenas cerca de 20% delas estão efetivamente desenvolvendo um novo conceito de
atuação, mais amplo e menos dependente do caminhão.
Que tal, vender além de serviços relacionados a caminhões, a
inteligência logística acumulada ao longo desses anos? E que tal explorar o seu ativo
operacional de uma forma mais segura e produtiva?
Reavalie a sua visão de futuro. Prepare-se adequadamente para as
mudanças. Assegure-se que a sua empresa disponha das melhores pessoas e ferramentas de
trabalho para o atendimento e superação das expectativas e necessidades dos seus
Clientes!
agosto/2.004
Marco Antonio Oliveira Neves
Diretor da TigerLog Consultoria e Treinamento em Logística Ltda
marcoantonio@tigerlog.com.br
Tel. 11- 6694 1391
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