Singularidades de um Sistema de Gestão para EADI
O fluxo e controle de mercadorias originárias de
importações ou que se destinam à exportação têm particularidades totalmente
distintas de um centro de distribuição no mercado interno. Este reconhecimento tem como
conseqüência a impossibilidade do aproveitamento de complexos modelos anteriormente
desenvolvidos para apoiar as clássicas funções de recebimento, armazenamento, picking e
expedição. Assim, o desenvolvimento de um legítimo Sistema de Gestão de EADI implica
reconhecê-lo como singular. Seguem algumas das singularidades:
1. Cumprimento da legislação da Receita Federal
Todo o funcionamento básico de uma EADI é regulado por normas da Receita Federal. Não
é simples se familiarizar com a terminologia e manter-se atualizado com o emaranhado de
instruções normativas.
2. Alterações legais
As alterações legais são muito mais freqüentes do que no mercado interno basta
ver a pressão pela desburocratização dos procedimentos aduaneiros tendo em vista o
esforço para aumentar a exportação. Esta característica tem conseqüências
dramáticas em termos de custo da manutenção do sistema.
3. Controle de portaria
Os recintos alfandegados são severamente controlados, assim o controle da movimentação
de veículos e pessoas devem estar associados a documentos fiscais de entrada e saída.
4. Complexidade documental
Os documentos que autorizam a entrada e saída de mercadorias são variados, entrelaçados
e não guardando qualquer relação com os do mercado interno.
5. Multiplicidade de processos operacionais
Há grande variedade de regimes alfandegários passíveis de serem usados pelos
depositantes, cada um daqueles constituindo-se num processo operacional próprio (rede de
operações interdependentes).
6. Tratamento das divergências e avarias
As possíveis divergências de quantidade e natureza entre os documentos oficiais e
mercadorias fisicamente recebidas ou expedidas demandam procedimentos rigidamente
normatizados, não podendo ser resolvidas com procedimentos habituais tais como
devoluções, segregação de excedentes e acertos financeiros. O mesmo ocorre com as
avarias.
7. Controle de volumes e itens
O sistema deve admitir o controle de volumes e de itens dependendo do regime. Esta
particularidade tem profundas conseqüências estruturais no projeto de um Sistema de
Gestão de Armazém (WMS).
8. Controle do pátio
Uma EADI tem necessidade de controlar seu pátio devido à permanência de containers. O
que era uma exceção nos WMS é regra para as EADI.
9. Diversidade operacional
Há mais de um perfil quanto às entradas e saídas de mercadorias - desde grandes
quantidades e pouca variedade a pouca quantidade e muita variedade. É um desafio projetar
um sistema que possa diferenciar tratamentos em função das características operacionais
dos clientes tendo como premissa a economia de recursos.
10. Industrialização
O processo de industrialização que pode ser executado numa EADI tem toda a complexidade
de um PCP de manufatura acrescido da dificuldade de contar com estoques de insumos
não-nacionalizados (controle por lote) como adquiridos no mercado interno, além do
produto final poder ser direcionado à exportação ou ao mercado interno com tratamentos
fiscais bem distintos. O controle desta produção deve obedecer normas formuladas por
fiscais.
11. Registro documental
Um qualificativo básico do sistema é o grau de facilidade oferecido no registro
das entradas e recuperação de dados devido ao grande volume de documentos próprios de
cada operação.
12. Gestão do armazém
A sofisticação da gestão de armazém uso de WMS , embora hoje não seja
amplamente reconhecida como um diferencial relevante, certamente fará toda a diferença
quando forem mais comuns as operações de industrialização.
13. Interrupções do processo
O processo operacional de uma EADI é intercalado com permissões de continuidade ditadas
por avais da Receita Federal. Esta necessidade implica a existência de um workflow
embutido no sistema.
14. Detalhamento do controle operacional
As EADI irão desempenhar novas funções. Hoje, as atividade de controle administrativo
têm sido a grande preocupação pois, em geral, tomam como base serviços com baixo valor
agregado. A industrialização ou qualquer inclusão de outros serviços logísticos
agregados (Distribuição e Transporte) deve alterar este perfil de funcionamento e
deslocar a preocupação para as atividades que demandam maior controle operacional.
15. Custos internos e cobrança de serviços
A cobrança dos serviços prestados tem sido uma grande preocupação devido às
dificuldades de apontamento, à variedade de tipos de serviço e maneira de executá-los.
Mais difícil que cobrar tem sido conhecer os custos internos, diferenciar operações de
um mesmo depositante. Um sistema que se preze tem que dar flexibilidade para a acordos
comerciais e condições de acompanhamento das margens praticadas por tipo de operação
de depositantes.
A maioria dos sistemas em uso foram gradualmente desenvolvidos baseando-se nas
necessidades de negócio num ambiente bem diverso do atual. A integração com outros
serviços logísticos, a concorrência por vezes predatória, as novas tecnologias que
facilitam a comunicação com depositantes e a necessidade de uma gestão de custos mais
detalhada exigem o empréstimo de modelos computacionais tradicionais de sistema
integrados e de gestão de armazém.
julho/2.004
Fernando Di Giorgi,
Uniconsult Sistemas e Serviços
www.uniconsult.com.br
(11) 5535 0885
Esta página é parte integrante do www.guiadelogistica.com.br
.