Aumentando a segurança nas docas

Docas de carga – em vez de serem locais perigosos para se trabalhar – podem ser equipados para uma ­ segurança muito maior do funcionário, bem como produtividade superior.

Na pior das hipóteses, uma doca de carga é uma zona de perigo. Na melhor, é um local de trabalho seguro e produtivo. E sem os equipamentos e práticas corretas, a diferença entre o primeiro e o último pode ser menor do que você imagina.
Considere o seguinte: Um operador de empilhadeira carrega 20 paletes por carreta, fazendo 40 cruzamentos da doca por carreta carregada. O operador carrega 10 carretas por dia e trabalha 250 dias por ano. São 100.000 cruzamentos nessa doca “perigosa” por ano. Considere estes fatores em outros funcionários, outras posições da doca e múltiplos turnos. É quando você vê que as oportunidades de acidentes na doca não passam de algo remoto.
Contas médicas, indenização para o funcionário acidentado, perda de produção, danos ao equipamento e produto, um aumento do prêmio de seguro e custos indiretos podem logo chegar a 1 milhão.
Agora como você promove uma área de trabalho menos propícia a acidentes – especialmente quando uma doca é um local tão ocupado? E como você aumenta a eficiência nas operações da doca?
Primeiro, identifique os riscos em potencial, por exemplo, uma carreta pode se deslocar repentina e prematuramente, tendo como conseqüência a queda de empilhadeira e do operador no pavimento. Ou um operador pode partir de uma posição de doca vazia com a empilhadeira. Ou um funcionário pode escorregar e cair. Doca molhada não protegida contra chuva.
O equipamento claramente é parte da resposta também. Felizmente, existem inúmeras opções para se escolher; niveladores de doca, calços para carretas e veículos, painéis principais para controle/comunicação na doca; lacres, abrigos e portas de doca de emergência. Esses estão entre as soluções de equipamentos que, individual e coletivamente, podem tornar o recebimento e expedição mais segura, apesar das altas condições de tráfego.
Muito brevemente, aqui está o que cada componente do sistema de doca faz. Um nivelador preenche o vão entre o veículo e a doca (um grande elevador tesoura também atende usos leves e aplicações portáteis). Um calço segura o veículo na doca. Um painel mestre energiza os sistemas de doca (tais como o nivelador e o calço), controla a seqüência de operações e sinaliza condições de “siga” ou “pare”.
Lacres e abrigos oferecem proteção contra docas molhadas e escorregadias. Portas que dissolvem fazem exatamente isso quando atingidas pelas empilhadeiras – mas podem ser colocadas sem serviço ­rapidamente.
Essas soluções para docas também oferecem maior produtividade. Também podem ajudar a limitar danos ao produto e instalações.
Suponha que evitar o deslocamento da carreta seja sua principal preocupação com segurança. Não é suficiente dizer “coloque um calço”, e compre qualquer tipo de equipamento. Você deve combinar o tipo de calço com os tipos de veículos atendidos. Da mesma forma, os niveladores de doca precisam ser dimensionados para seus fins de trabalho. O mesmo é válido para lacres e abrigos em qualquer caso, encontrar o equipamento certo para as circunstâncias específicas da doca é mais complexo agora do que era há alguns anos.
Vamos avançar mais na seleção do calço para ilustrar a complexidade de hoje. Hoje existe maior variedade nos tipos e tamanhos dos caminhões. Um calço de veículo projetado para trabalhar com proteção contra impacto traseiro numa semi-carreta pode ser ineficiente numa van de entrega expressa equipada com um acessório diferente.
Como resultado, as instalações que atendem veículos com plataforma elevatória podem ter uma ou duas posições de doca com calços projetados especificamente para eles.
Os equipamentos de doca “absolutamente” se tornaram mais específicos na aplicação hoje do que era há anos.
Além disso, as docas precisam ser vistas como uma zona de transferência de material e um elo vital na cadeia de abastecimento.
Niveladores de doca são importantes para uniformizar o fluxo por essa zona de transferência de material. Mas como os calços, também precisam se adequar a condições específicas. Por exemplo, muitos niveladores precisam ser mais largos e mais longos do que no passado.
Para começar muitas carretas são mais largas que no passado. Total acesso ao conteúdo de uma carreta mais larga por uma empilhadeira pode exigir que o nivelador de doca seja mais largo também, em relação ao antigo padrão de 1,8 m.
Isso porque as carretas mais largas podem carregar suportes com a largura total, por exemplo. Ou possuem paletes de dupla largura. Quando parada e travada, uma carreira ou mesmo duas de paletes são alinhados pela face de 1,2 m do palete, em vez da face de 1,0 m, o que torna o acesso da empilhadeira muito mais difícil. Tudo requer total acesso à carreta. E isso nem mesmo leva em conta o aumento da pressão nas empresas de bens de consumo e outros locais para maximizar a utilização cúbica das carretas.
Da mesma forma, atender carretas com plataforma baixa para obter maior volume cúbico – aquelas com 150 mm a 300 mm abaixo da doca – podem exigir um nivelador mais longo do que 1,8 m ou 2,4 m. Caso contrário, a inclinação até a carreta pode ser muito grande para a empilhadeira se adequar facilmente.
Para carretas com plataforma bem baixas, como as “supervans”,   até mesmo um nivelador de 3,6 m de comprimento pode ser inadequado. Nesses casos um nivelador de carreta pode ser necessário.
Os usuários finais também podem escolher entre modelos não motorizados ou niveladores mecânicos e os motorizados, onde um sistema hidráulico, um colchão de ar ou um motor elétrico sobe ou baixa a plataforma do nivelador.
Alguns clientes, agora desejam segregar suas áreas de recebimento e expedição, por exemplo, em vez de possuir uma área de recebimento/expedição comum. O recebimento pode ser voltado para cargas paletizadas completas, enquanto a expedição envia pequenas embalagens. Uma especificação para o prédio inteiro não se aplica. Precisamos considerar ambos os lados da instalação.
Alguns clientes também desejam docas no ponto de uso em vez de docas de recebimento ou expedição distintas. A matéria-prima segue diretamente para onde é necessária e os produtos acabados são expedidos de onde são fabricados. Além disso, o efeito final é a eliminação do tráfego de empilhadeiras dentro da instalação.
Muitos niveladores de doca possuem 10 anos de garantia; muitos poderiam durar o dobro do tempo. A capacidade do nivelador de doca, por exemplo, precisa ser especificada para um operador logístico para atender o cliente de hoje e um futuro cliente em potencial. O futuro cliente poderia estar movimentando pesadas bobinas de papel sobre os niveladores enquanto o atual movimenta cargas leves de um armazém de salgadinhos. Os operadores logísticos precisam construir suas docas para tender a pior situação.

Cuidando do deslocamento da carreta
Seja ou não um operador logístico, outra causa comum de acidentes é o afastamento da carreta em relação à doca. Contudo, lidar com essa questão de segurança não é apenas uma tarefa de evitar que o motorista do cavalo parta antes da carga/descarga ser concluída. Tanto o deslocamento da carreta quanto a caminhada pela doca são preocupações comuns e o calçamento da carreta/veículo é uma boa solução.
A carreta na doca se desloca – isto é, se movimenta lentamente e horizontalmente em relação a face da doca – conforme as empilhadeiras entram e saem das carretas. O deslocamento da carreta sempre foi um assunto de segurança. Além de tudo, o deslocamento da carreta pode eventualmente levar à falha do trem de repouso da carreta.
Mais recentemente, a caminhada pela doca se tornou uma preocupação. A caminhada pelas doca resulta quando as empilhadeiras entram e saem das carretas equipadas com suspensão a ar.
A não ser que o ar seja sangrado dos sistemas de suspensão da carreta, essas oscilam para cima e para baixo – chegando a 200 mm – e eventualmente podem se afastar da doca. Pneus de perfil baixo (diâmetro menor) em carretas a ar podem aumentar o problema.
Fabricantes de carretas têm desenvolvido e testado dispositivos de prevenção contra afastamentos da doca, mas é um desafio difícil porque muitos dispositivos agregam peso e custo à carreta. É um grande ­problema. Qual é a primeira precaução a ser tomada? Sangrar o ar.
Mais importante ainda, a instalação de calços para a carreta/veículo pode ajudar a evitar os problemas de deslocamento ou afastamento em relação à doca. Também ajudam a evitar que o motorista tente fazer uma partida prematura ou saia agressivamente da doca. Podem ajudar a evitar a falha do trem de repouso ou seu tombamento.
Os calços são de dois tipos básicos: alguns são fixados na proteção contra impacto traseiro da carreta (ICC bar). Outros são engatados nas rodas traseiras da carreta.
A seleção do sistema depende muito do usuário final. A gama de tipos de veículos atendidos servirá de seleção para o equipamento específico a ser aplicado.
Alguns usuários também podem optar, por exemplo, pela trava automática. Alguns usuários podem ­permitir que os motoristas ativem os calços, alguns não.
Um painel mestre propicia o meio para energizar o nivelador e o calço e o mais importante, centralizar e controlar a operação da doca para evitar que um funcionário da doca cometa enganos.

2.004

Antônio Carlos Rezende,
Instrutor da IMAM Consultoria Ltda, empresa especializada na solução de problemas relacionados à logística e engenharia industrial, movimentação e armazenagem de materiais, técnicas modernas de administração da manufatura e estratégias de produtividade.
imam@imam.com.br 


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