Há muitas maneiras de se dizer qual é o conceito de
logística, uns dizem que foi desenvolvida nas forças armadas, e vem do francês
Logistique, outros dizem que o conceito é a parte da arte da guerra que trata do
Planejamento e da realização de projeto e desenvolvimento, obtenção, armazenamento,
transporte, distribuição, reparação, manutenção e evacuação de material (para fins
operacionais e administrativos); recrutamento, incorporação, instrução e adestramento,
designação, transporte, bem estar, evacuação, hospitalização e desligamento de
pessoal; Aquisição ou construção, reparação, manutenção e operação de
instalações e acessórios destinados a ajudar o desempenho de qualquer função militar;
Contrato ou prestação de serviços.
Se olharmos para o lado empresarial termos as mesmas definições só que
com um diferencial, em todas as definições há a alusão para os custos menores, ou, a
um custo razoável, preços competitivos, ou ainda, tarifas aceitáveis, ou seja não há
nenhuma dúvida de que um dos principais quesitos no que diz respeito à Logística gira
em torno de Custos.
As maiores contribuições da Logística para o dia a dia da empresa é o
valor agregado aos produtos através do serviço que esta presta ao seu cliente, um
exemplo é o prazo reduzido na entrega, mas, saber onde está localizado o produto dentro
da sua estrutura de armazenagem, fazer a entrega atendendo o pedido de maneira rápida e
precisa, permitindo uma grande facilidade no momento que o pedido é originado, são os
maiores destaques no que diz respeito a nível de serviço. Para que uma empresa se
mantenha no mercado é necessário que esteja qualificada em termos de preços e o
diferencial que a distingue dos concorrentes é o nível de serviço.
Em suma a Logística como a conhecemos hoje tem a missão de ajudar
empresas a melhorar seu nível de serviço reduzindo custos de operações. Sempre que a
questão operacional de uma empresa entra em discussão, surge a necessidade de decisões
especiais de custos na logística, o que envolve ponto de equilíbrio, até que ponto eu
estou investindo e em que ponto estou tendo retorno do meu capital investido, preço
especial e custo marginal. Sabemos que a Logística é uma ferramenta estratégica para
aumentar vendas e reduzir custos, pois estuda os vínculos existentes entre os elos da
cadeia e os analisa de forma a melhorá-los e torná-los mais eficientes em termos de
qualidade e de custos.
Os custos logísticos apesar de imperceptíveis em alguns casos estão
inseridos dentro do contexto econômico no nosso país, existem vários itens que compõem
os custos logísticos.
Custos com Tributação (impostos, taxas,
emolumentos)
Há um princípio mundialmente aceito, não exportar tributos, o governo
brasileiro tem procurado desonerar das exportações os tributos nacionais, permitindo às
empresas ofertarem seus produtos a preços competitivos no mercado internacional. Mas,
será que isso realmente acontece, quando uma empresa compra um determinado produto, que
para a empresa fabricante é o seu produto acabado, para a empresa compradora este serve
de matéria prima ou um componente do seu produto a ser exportado, aí há incidência de
alguns impostos, não há maneira eficiente de se desonerar este tipo de tributação, nos
casos de mercadoria importada poderíamos indicar o recurso do Drawback que é um à
incentivo à exportação.
Custos com Transporte
O transporte de mercadorias de regiões produtoras do Brasil até os portos
ou mesmo aeroportos internacionais onde existe o procedimento das alfândegas, tem um
custo muito alto em razão da forte dependência das rodovias. Este alto custo diminui a
competitividade dos produtos brasileiros em comparação aos países que tem a
preocupação com o custo logístico e procuram a maneira mais econômica para escoar sua
produção até os portos de seus países.
Vamos analisar o exemplo da soja, o Brasil no ano de 2003, as exportações
brasileiras deste produto chegariam a 26 milhões de toneladas segundo dados analisados
pelo USDA (United States Departament of Agriculture) o chamado Departamento de Agricultura
dos Estados Unidos, que soma 5 milhões a mais de toneladas de grãos do que o exportado
na safra 2002/2003, ultrapassando os americanos pela primeira vez que exportará 23,68
milhões, que é o líder exportador deste seguimento.
Se verificarmos que apesar do alto custo com logística já evidenciado no
Brasil, nós temos possibilidade de competir igualmente, imaginem o quanto ganharíamos em
relação à competitividade se conseguirmos chegar aos baixos níveis que se prática em
países como Estados Unidos, em que a preocupação com logística são latentes desde a
década de 20, onde as os custos logísticos estão na casa de 7,5%, na Europa que estão
entre 8,5% e 10,2%, enquanto que no Brasil se pratica custos três vezes maior chegando à
casa dos 25% em algumas empresas.
Segundo dados do (GEIPOT) Empresa Brasileira de Planejamento de
Transportes, o Brasil desperdiça cerca de US$ 70 milhões com o transporte desde as
fazendas produtoras até os portos por caminhão, com a utilização de trens e barcaças
se estimularia a intermodalidade, além de permitir uma economia com fretes de US$ 44
milhões e aproximadamente US$ 26 milhões em combustível.
Isso sem contar as benesses que seriam adquiridas ao meio ambiente que não
cabe aqui falar no momento, uma vez que para transportar 3.500 toneladas que é a
capacidade de carga de uma composição padrão (locomotiva e seus vagões de
aproximadamente 100 toneladas por vagão), seriam necessárias 140 viagens de carreta que
tem capacidade de transportar 25 toneladas cada uma, em média.
Custos Administrativos
Os custos administrativos referentes a logística são os custos de
remuneração de pessoal envolvido nos processos, e o percentual referente a outras
despesas administrativas, porém atribuído ao tempo e recursos administrativos destinados
Custos com Embalagem
Embalar um produto significa dar-lhe forma para sua apresentação, proteção,
movimentação e utilização, a fim de que possa ser comercializado e manipulado durante
todo o seu ciclo de vida. A embalagem precisa ser idealizada levando em consideração que
uma mercadoria deverá passar por três fases de manuseio, quando comercializadas, que
são:
1. No local de produção quando será embalada e armazenada.
2. No transporte, quando sofrerá os efeitos do seu deslocamento de um
ponto a outro, incluindo os transbordos.
3. No seu destino final, quando sofrerá outras manipulações
Em cada uma dessas etapas, na produção, no transporte e na entrega há manuseio,
reprocessamento, formação de kits, colocação de filmes strech e em cada etapa há a
inclusão de valores a serem pagos aos manipuladores embaladores e isso vai acrescendo ao
valor do produto.
Nosso governo teria que abrir os olhos e apostar no desenvolvimento
logístico, capacitação profissional, infra-estrutura dos portos, desenvovilmento da
malha ferroviária, evitaríamos os problemas com as más condições de nossas estradas,
o sucateamento da malha ferroviária, a deterioração do sistema portuário, talvez para
tentar alcançar os níveis de equipamento e infra-estruturas dos países desenvolvidos na
Europa e nos Estados Unidos, no entanto, para que se chegue a esse nível o país tem que
vencer ainda os problemas culturais e superá-los talvez até criando também um plano de
desenvolvimento nacional em Logística, onde teríamos possibilidades de ganhar
verdadeiras batalhas no campo do comércio internacional, não somente a soja que foi uma
vitória de goleada. Volto a afirmar sem investimentos na logística o país não
conseguirá atingir os níveis de custos que se pratica no exterior.
dezembro/2.003
Ronderley Miguel Netto,
Coordenador de Negócios - Kom International - ABPL &
Associado
Administrador com habilitação em Comércio Exterior.(UNIP)
Mestrando em Engenharia de Transportes (Unicamp)
Pesquisador da UND ( Universidade corporativa) pertencente ao ABGroup.
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