Durante uma recente conferência realizada na Universidade de
Huddersfield, do Reino Unido, foram discutidos métodos para otimização do consumo de
combustível de veículos. Michel Coyle, especialista na área, descreveu a importância
de se contar com dados confiáveis, bem como os efeitos de influências externas, como a
sazonalidade.
Um sumário do evento resultou em um check-list que pode ser considerado quando se quer
reduzir despesas com combustíveis.
1. As médias semanais ou mensais devem ser obtidas com base no cálculo
entre a distância total percorrida e a quantidade de combustível gasta, ao invés de se
considerar a média das médias diárias. Deve-se ter, também, resumos trimestrais do
consumo.
2. Na maioria dos casos há um padrão sazonal, com picos em alguns meses e uma
queda em outros. Estes dados são muito importantes e devem ser considerados, sobretudo
quando se está testando produtos que buscam uma melhor relação quilômetro/litro.
3. Quando se encontra uma discrepância grande na relação
quilômetro/litro diária deve-se investigar a razão, e não simplesmente levar em
consideração a média e ignorar o fato. Ele deve ser avaliado para impedir que ocorra
novamente.
4. Para se determinar o efeito de condições exatas e controladas sob
equipamentos diferentes, deve-se participar de alguma entidade responsável por executar
testes em combustíveis. É uma solução muito mais econômica do que contratar uma
empresa para fazer este trabalho, além do que ainda há o benefício da troca de
experiências entre os engenheiros e gerentes.
5. Dados comprovam que motoristas treinados constantemente alcançam uma
melhor relação quilômetro/litro. No entanto, mecanismos de reforço devem ser
utilizados.
6. Mecanismos de reforço para direção com a máxima eficiência do
combustível podem ser um simples "feedback" no quadro de avisos, carta
individual aos motoristas ou um bônus em combustível.
7. A primeira pessoa a ser treinada em qualquer empresa deve ser o
motorista mais antigo.
8. Deve-se identificar o veículo de maior produtividade e, se possível,
tendo em mente outros fatores operacionais, colocá-lo nas operações ou rotas que
normalmente requerem um maior volume de combustível.
9. Deve-se pensar na aerodinâmica. por exemplo, garantir que a folga
entre a cabine do caminhão e a carga seja mínima, para reduzir a resistência
aerodinâmica.
10. Sistemas de fechamento lateral rápido para as carretas, do tipo
"sider", devem permanecer fechados, quando os veículos estiverem vazios, para
evitar que o fluxo de ar "bata" na parte traseira dos mesmos.
11. Se os defletores de ar forem ajustáveis, os motoristas devem
ajustá-los para o máximo efeito. Se o defletor é muito baixo, é possível ter uma aba
de extensão na frente da carga.
12. Deve-se especificar a carroceria certa. Ela não deve ser mais alta
ou mais larga do que a necessidade de trabalho.
13. Monitorar os mecanismos de manutenção é importante. O baixo
número de quilômetros/litro e a curta vida útil dos freios são indicadores de que o
veículo está sendo dirigido de maneira agressiva.
14. Quando da aquisição de veículos novos, deve-se calcular a vida
útil dos mesmos. É melhor ter um residual no fim da vida útil de um motor de maior
potência ou um custo de combustível reduzido para um motor de menor potência, que
também seja capaz de realizar o trabalho?
15. Deve-se especificar carrocerias com as bordas principais
arredondadas, com no mínimo 200 mm de raio.
16. Os benefícios aerodinâmicos podem não ter nenhum efeito nos custos
de veículos que não empreendem longas viagens ou jornadas de altas velocidades.
17. Deve-se ficar atento aos equipamentos aerodinâmicos testados a 90
quilômetros por hora e analisada a economia que eles trazem para o veículo. Como norma,
a aerodinâmica é altamente sensível à velocidade. Calcular a média de velocidade do
veículo utilizado e perguntar sobre os resultados obtidos nesta velocidade é o melhor
método de avaliação.
18. Ao comprar veículos novos deve-se especificar que o seu tacógrafo
tenha uma agulha ativa para registrar a velocidade. Porém, a empresa deve estar preparada
para usar a informação, caso contrário estará desperdiçando seu dinheiro.
19. Especificar e ativar um limite de velocidade para o veículo. Alguns
já o tem como padrão.
20. Ao comprar um veículo de segunda mão, deve-se fazer um test-drive e
anotar o desempenho do mesmo a 90 km/h. Se o que se precisa é de um veículo para
trabalhos interurbanos, nunca se deve comprar o que já realizou trabalhos urbanos. Isto
significará um desperdício de combustível.
Edson Carillo Júnior,
Diretor da Revista Movimentação & Armazenagem.
Tel. (0--11) 5575 1400 imam@imam.com.br
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