Planejamento Estratégico, uma Forma de Criar Equipes de Alto Nível

Nos jornais de Domingo, seção de empregos e economia, invariavelmente encontro o que seria a "dica" mais atual de algum especialista cujo propósito é mostrar aos leitores as novas capacitações que o mercado de trabalho está a nos exigir, pobres mortais candidatos ao desemprego. Após esta leitura fascinante, consulto ansioso os artigos das principais revistas que assino, semanais e quinzenais, nacionais e estrangeiras, especializadas ou não em assuntos de gerência, e lá estão, novamente, os últimos conselhos para a nossa empregabilidade.
Em tom bombástico do tipo "mude ou morra" a indústria da mudança se aproveita de nossa fragilidade atual e não nos deixa respirar lançando, quase que diariamente, produtos e mensagens de salvação: check lists para a empregabilidade, receitas para adquirir novas capacitações, seminários e artigos de todos os tipos, livros novos anunciando a "última palavra em gerenciamento", enfim, um arsenal que além de caro é totalmente incompatível com o nosso dia de trabalho de apenas 24 horas.
E aí corremos o risco de acreditar que somente "super-homens" poderão resolver o futuro das empresas. Vocês já viram o que se tornou o processo de seleção de trainees de algumas de nossas principais organizações? Sob os olhos atentos de especialistas (um mercado de trabalho em ascensão) milhares de jovens retornam a um novo vestibular e se digladiam por algumas poucas vagas que requisitam um profissional cuja capacitação padrão pode ser assim descrita:

"Precisamos de alguém que seja orientado para tarefas e organizado, sistemático e completo. Essa pessoa deve ter visão global, ser criativa e estar disposta a assumir riscos. Além disso, ela deve ser sensível às necessidades das outras pessoas e exímia formadora de equipes. Ah! E deve ser dispensável".

Cá para nós, vocês acreditam que essa pessoa exista? Ainda mais, que exista e tenha 20 e poucos anos? Talvez hoje no Brasil, com a oferta de empregos em desajuste com a demanda – por baixo nível educacional e/ou por formações profissionais ultrapassadas – este mito possa ser a aspiração de contratação de muitas empresas. Afinal, entre milhares de jovens, deve haver uns quatro ou cinco com essas características. Quero só ver como esta situação será resolvida quando nosso país entrar novamente em crescimento acelerado (sou um eterno otimista) e aumentar substancialmente a demanda por emprego. Só para ilustração, hoje, nos EUA, inúmeras empresas competem entre si na contratação de seus colaboradores oferecendo-lhes benefícios que incluem até "creches" para animais domésticos.
Vamos dar crédito a quem merece. A frase do "anúncio" acima, é do Ichak Adizes (livro Gerenciando Mudanças) que, como nós, também não acredita que essa pessoa exista. O que de fato ocorre e que nos faz presa fácil de proposições milagrosas é um processo de mudanças sem precedente na história recente que traz em seu bojo uma infinidade de novos problemas para os quais novas soluções deverão ser encontradas. Tradicionalmente, quando diante de mudanças, as empresas costumam desenvolver estratégias como as seguintes:

Nós do Instituto MVC acreditamos que, no ambiente atual de alta competitividade nos negócios, somente a primeira estratégia abre amplas possibilidades para novas soluções. Por ser a única que dá às empresas tempo e conhecimento para um adequado reposicionamento no mercado em que desejam atuar é a que temos utilizado em nossos trabalhos de planejamento estratégico.
Neles, a partir de uma fase inicial de desenvolvimento de cenários futuros, trabalhamos uma outra cujo objetivo é a inserção estratégica da empresa dentro dos futuros desejados. E por não acreditarmos que aquele profissional ideal seja fácil de ser encontrado, com um custo que permita adicionar valor aos clientes, utilizamos uma metodologia que prioriza a formação de equipes que, por serem compostas de indivíduos com competências complementares, funcionam de modo semelhante ao descrito no anúncio.
Além do planejamento estratégico em si, estas equipes complementares de alta sinergia são o que consideramos um dos mais valiosos produtos de nosso trabalho. Alinhadas à visão estratégica da empresa, escolhida em coerência com os cenários preferenciais desenvolvidos, cada uma delas estará capacitada a enfrentar os novos problemas que certamente surgirão e a disseminar estes conhecimentos internamente para os demais colaboradores da organização.



Sérgio Duarte Velasco
,
Vice-Presidente do Instituto MVC

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