A logística como processo de gerenciamento do fluxo de materiais, informações e financeiro

A logística, vista no passado como processo de abastecimento de materiais ou mesmo como atividade de transporte na distribuição física, ganhou maior abrangência nos anos 1980, quando as organizações perceberam sua importância na administração integrada dos processos de suprimentos, produção e distribuição física, ficando estabelecido o conceito da logística integrada.
A partir do início deste processo de integração, consolidado pela obtenção de significativos resultados relacionados ao aumento de produtividade e à melhoria do nível de serviço ao cliente, as empresas elegeram a logística um instrumento de integração de toda a cadeia de negócios, envolvendo clientes, fornecedores e todos aqueles relacionados direta ou indiretamente com a mesma.
Ou seja, a necessidade de integração evoluiu de dentro para fora das empresas, constituindo uma rede de organizações integradas desde os fornecedores de matéria-prima até os consumidores finais. A esta constituição integrada foi dado o nome de cadeia de abastecimento, que naturalmente se transformou na visão da logística moderna.
Porém, para viabilizar tal processo de integração é preciso atentar não apenas ao fluxo de materiais, mas também com o fluxo de informações e financeiro entre as partes que compõem a cadeia de abastecimento, considerando sempre a melhoria do valor agregado do produto ou serviço para o consumidor final, que é o principal responsável por colocar a cadeia em atividade.
Portanto, neste contexto, a tecnologia de informação e as análises financeiras começam a ter participação decisiva no SCM ("Supply Chain Management" – Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento).
Com a experiência no desenvolvimento de projetos de logística, percebemos que não se pode mais desprezar qualquer um destes três fluxos em qualquer projeto.

Exemplos:

-  Projetos que não consideram o fluxo de materiais

Algumas empresas investem satisfatoriamente em tecnologia de informação (ERP, sistemas de informação, comércio eletrônico, etc.) e também são bastante criteriosas quanto à questão financeira dos projetos. Porém, pelo fato de economizarem demais na infra-estrutura de movimentação de materiais, acabam tendo dificuldades operacionais que afetam a qualidade do produto e o tempo de atendimento.

 

-  Projetos que não consideram o fluxo de informação

   Neste caso, a empresa investe grandes quantias na aquisição de modernas tecnologias de movimentação e armazenagem de materiais após estudos de análises de viabilidade financeira. Porém, por entenderem que os investimentos em tecnologia da informação não têm retorno, deixam os mesmos de lado, o que acarreta em uma má ocupação dos recursos operacionais, falta de acuracidade e qualidade de informação, prejudicando o nível de serviço.

 

-  Projetos que não consideram o fluxo financeiro

   Neste último caso, aparecem as empresas que ficam obcecadas com a modernidade dos sistemas de movimentação e armazenagem de materiais, bem como com a tecnologia da informação disponível no mercado e acabam investindo recursos financeiros muito superiores e desnecessários para obter um mesmo resultado.


Desta forma, entendemos que uma adequada análise do processo logístico da organização deve ser efetuada para que se possa gerenciar adequadamente estes três grandes fluxos.


outubro/2003


Reinaldo A. Moura
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Engenheiro com pós graduação em Engenharia da Produção. Fundador e Diretor do Instituto IMAM, Chefe das Missões Técnicas do IMAM à Ásia. Consultor e Instrutor da IMAM Consultoria, com especialização em Logística, Engenharia Industrial, Movimentação de Materiais, Produtividade e Qualidade. Autor de diversos livros publicados pelo IMAM.
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