Muito se fala sobre as perspectivas de se montar um negócio na Internet. Mas, efetivamente, que tipo de negócio se aplica melhor a esse novo canal de comercialização, e como identificar um bom nicho para se investir? Uma pesquisa sobre 50 segmentos de negócios na Internet, elaborada para o site ABCcommerce nos permite tirar algumas conclusões sobre esse mercado.
Muitos
sites, pouca eficácia. Na maioria dos segmentos analisados foi detectada uma grande
quantidade de sites, porém foram encontrados poucos que realmente pudessem ser
enquadrados em padrões de eficácia. Entre outros atributos, entendo como um site eficaz
aquele que possui uma definição clara dos produtos oferecidos e mostra isso logo na
primeira página; que oferece uma navegação objetiva que leva rapidamente o visitante a
realizar a compra, ou outra ação desejada; e que possua um bom texto e uma boa
apresentação visual. Na maioria dos segmentos foram encontrados poucos sites com essas
características. É importante ressaltar que a pesquisa não analisou setores já
ocupados por grandes varejistas como Submarino, Americanas, Siciliano, entre outros, uma
vez que o objetivo foi detectar nichos de mercado que pudessem ser explorados por novos
empreendedores.
Poucos sites
especializados. A estratégia mais indicada para uma entrada bem sucedida no mercado é a
especialização em determinado nicho de mercado, mas a primeira vista, a maioria das
empresas tem dificuldade em se concentrar em apenas um segmento. Durante algum tempo, com
a Internet no Brasil ainda incipiente muitos nichos eram realmente inviáveis pela
ausência de público alvo. Mas atualmente com o número de internautas no Brasil se
aproximando de 20 milhões, isso faz cada vez menos sentido. Para citar apenas um
exemplo, o segmento Turismo Especializado em 3º idade, considerado na
pesquisa como um setor de enorme potencial, não apresentou um site sequer que fosse
realmente especializado. Foram encontradas agências de turismo que atendiam esse tipo de
público, mas que também faziam turismo ecológico, rural, estudantil, religioso,.. e
qualquer outra coisa que se queira. Essas empresas poderão eventualmente ser boas em
tudo, mas nunca serão as melhores em nada. E na Internet, ser reconhecido como o melhor
em algo é fundamental.
Uso
limitado do potencial da rede. Aparentemente, boa parte dos sites tinha como objetivo
estar na Internet e não transformar a rede em um forte canal de
comercialização. Foram encontrados muitos sites institucionais com divulgação da
empresa e de seus produtos, inclusive de empresas já bem conhecidas no mercado
tradicional. A sensação de um consumidor que visita um site, gosta dos produtos e
ao decidir comprar encontra um aviso envie-nos um e-mail ou dirija-se a
uma de nossas lojas é, no mínimo, frustrante e essa foi uma ocorrência
relativamente comum.
São inúmeras
as oportunidades. Apesar do grande número de sites, os dados mostram claramente que
existem muitos espaços a serem ocupados por boas empresas. É natural que seja
assim. O e-commerce no Brasil tem apenas cinco anos, as empresas estão ainda se ajustando
e aprendendo a extrair o máximo potencial da rede, numa espécie de reconhecimento do
terreno. Para os empreendedores que estão planejando investir na Internet agora, esse é
um quadro extremamente positivo. Existem muitos nichos inexplorados e muitos negócios
interessantes a serem desenvolvidos nesse novo e riquíssimo canal de
comercialização.
Trataremos mais desse assunto no próximo artigo.
novembro/2003
Dailton Felipini ,
Mestre em Administração pela Fundação Getúlio Vargas. Consultor
e Professor de Comércio Eletrônico na Universidade Ibirapuera. Editor
dos sites: www.e-commerce.org.br
profdailton@e-commerce.org.br
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