Outsourcing em Gestão Logística
Participei em meados de setembro último, de um importante evento,
realizado em São Paulo entre Executivos de Supply Chain sobre OUTSOURCING EM GESTÃO
LOGISTICA. No evento, três profissionais da área expuseram cases de suas respectivas
empresas. Os temas, terceirização e operadores logísticos estão cada vez mais
difundidos no mercado entre os profissionais de Logística. E a pergunta:
Terceirizar ou Não, parcial ou totalmente as operações esta cada vez mais
intrigando os executivos e as organizações. Minha experiência pessoal em 1999 com a
terceirização total das operações da Kodak Polychrome Graphics no Brasil, Uruguay e
Argentina, quase que simultaneamente, me mostrou que a terceirização é um bom negócio
para as corporações, embora como qualquer mudança tem alguns pontos negativos que
requerem GERENCIAMENTO DE ALTO NÍVEL E MELHORIA E APRENDIZADO CONTINUOS.
São muitos os aspectos que necessitam ser analisado criteriosamente, antes da decisão de
se terceirizar-total ou parcialmente as operações de Logística como: tempo de
transição (o qual não deve ultrapassar seis meses), manutenção dos níveis de
serviços, armazenagem para produtos sensíveis / perecíveis, localização do Operador
Logístico, indicadores de performance, aspectos fiscais e administrativos, legislação,
sistemas e suas interfaces, simulações operacionais etc. Entretanto, o ponto crucial
para a decisão da terceirização ou não das operações, o qual é muito pouco
difundido nos seminários desta natureza é com relação a Transparência entre Empresa e
Operador Logístico, e eu explico:
-A empresa que terceiriza suas operações acaba abrindo sua ALMA
e seu CORAÇÃO para o Operador Logístico. Ou seja, direta ou indiretamente ela
fornece dados de vital importância do seu negócio para seu parceiro, como: Portfólio de
produtos; Preços, ou transfer prices desses produtos e de seus fornecedores; As
características das embalagens dos produtos e os preços de venda dos mesmos bem como
ações promocionais e de Marketing. Porém, o maior e mais importante patrimônio da
empresa também é transferido na maioria das vezes para o Operador Logístico: O CADASTRO
DE SEUS CLIENTES.
Desta forma, a preocupação com o caráter operacional e pós-terceirização,
mencionados anteriormente não podem ser desprezíveis. Portanto se a empresa não estiver
disposta a abrir seus dados confidenciais, ela DIFICILMENTE partirá um dia, para a
terceirização de suas operações. E é justamente por esta razão que muitas grandes
corporações ainda não adotaram esta alternativa para a gestão de suas operações,
principalmente algumas da comunidade européia.
Outra incógnita importante que paira sobre os ares, é com relação aos resultados deste
tipo de parceria a longo prazo. Tenho os meus "insights" pessoais sobre o tema,
os quais prefiro externar em um próximo artigo. Todavia, vale observar, que uma
preocupação pontual das empresas, com as quais atendi os últimos seminários sobre
Logística e Tendências, é com relação ao Gerenciamento de suas operações;
terceirizadas ou não.
Finalmente, na Terceirização ou Gestão própria das operações, as empresas que não
investirem em profissionais seniores, bem remunerados para dirigirem suas Cadeias de
Suprimentos, perderão com certeza, competitividade e lucro a médio e longo prazos.
setembro/2003
Boni Costa,
Diretor Sócio da Âncora International
www.ancoraint.com
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