Tempo é Vida e não Dinheiro

Até a morte, tudo é vida”. (Cervantes)

Quais são os cinco maiores problemas que enfrentamos no nosso dia-a-dia....
Pare e pense por alguns instantes e faça a sua listinha.
Se na sua lista constou: falta de dinheiro, problemas de relacionamento, competição forte, atração ou retenção de clientes, colaboradores mais comprometidos ou qualquer outro fator saiba que você não está errado. No entanto, um elemento não pode faltar, o tão precioso, temido e desejado tempo.
Sim, tempo mesmo.
Ainda impera a máxima de que tempo é dinheiro, que temos que correr o sempre e cada vez mais rápido para conseguirmos “dar conta” de tudo.
Neste ímpeto desenfreado de conseguirmos dinheiro, nos mantermos adequados, competitivos, nos mantermos capazes de responder as exigências do dia-a-dia acabamos relegando a um segundo plano coisas mais importantes como família, amigos e, sobretudo qualidade de vida.
Mas na raiz de tudo o que fazemos o que realmente queremos é a dita qualidade de vida, tão maltratada, e muitas vezes esquecidas. Castigamos nosso corpo e nossa mente na busca de uma vida melhor e esquecemos de aproveitar as conquistas, de saborear cada passo dado em direção a vida que desejamos.
Ouve-se sempre, “preciso dar o máximo agora para poder usufruir amanhã” ou “se eu não fizer outro faz e não posso ficar para trás” ou ainda “preciso correr senão vou me encrencar”. As vezes parecemos aquele coelho maluco do filme Alice no país das maravilhas, correndo feito louco, servos de algo ou alguém, na maioria das vezes perdemos de vista os nossos próprios propósitos e levamos uma vida cansativa, estressante sem percebermos se estamos ou não caminhando, parecidos com cavalos com suas tapas em sua marcha sabe Deus para onde, sabe lá para que.
É fundamental entender que existe tempo para tudo, existe tempo para a família, para o descanso, o lazer, o trabalho, e que uma coisa não pode ser deixada de lado para compensar outra. Afinal, o conjunto é que determina nossa qualidade de vida.
O pior é que enquanto estamos trabalhando nos concentramos no trabalho, no entanto, quando estamos em momentos de lazer estamos preocupados com trabalho, quando vamos ao cinema estamos lembrando da pendência que ficou para segunda-feira e assim por diante. Nos desligamos de tudo, menos do trabalho.
O mais engraçado é que somos afetados não somente pelo nosso próprio tempo e ritmo, nos tornamos dependentes do tempo e do ritmo de outros também. Sim, é exatamente isto, outras pessoas com sua organização ou a falta dela também influencia nossas vidas. Se o boy é relapso e atrasa, nosso trabalho atrasa, se ele é eficiente nosso trabalho aumenta.
Existe tempo de nascer, tempo de viver e tempo de morrer, cada coisa a seu tempo e a seu ritmo. Quantos não são os mortos vivos, verdadeiros zumbis, escravos da emergência, serviçais da própria incompetência ou da incompetência alheia.
Quem diz que não tem tempo, deveria dizer que não tem vida.
Certa vez viu-se um pequeno garoto correndo eufórico com um pequeno pacote nas mãos, embalagem simples e pequena que ele segurava como se naquele pequeno embrulho estivesse a salvação do mundo.
Ele vinha correndo pela praça e atravessou feito um tufão a rua, pulando de alegria.
São quase seis horas da tarde, a criança espera ansiosa sentada no sofá de sua casa a chegada do pai. Sua mãe lhe manda tomar banho, pois seu pai já vai chegar e não gostará de vê-lo ainda sujo. O menino corre e depois de dez minutos novamente está sentado no sofá, banho de criança é algo rápido.
A mãe questiona o que ele tem nas mãos (o misterioso embrulho).
Ele apenas responde – surpresa
O pai chega e passa direto pelo garoto, sem dar-lhe muita atenção. Vai direto ao computador, pois precisa finalizar os relatórios para amanhã de manhã.
O garoto não se dá por vencido, corre atrás do pai e o com um jeitinho inocentemente malandro diz:
Prepare-se para ser derrotado.
O pai o encara e diz – agora não filho, preciso terminar este serviço.
Mas o garoto é insistente e rebate – ah...Está com medo
Filho agora não, já disse.
Mariquinha, mariquinha – provoca enquanto se rebola e sacode o pequeno pacote.
Para arrematar diz – venha ser derrotado e sacode novamente a caixa.
O pai levanta-se bruscamente e dá um tapa na caixa e a atira em um canto. Com o impacto o embrulho se abre.
O pai ralha com o filho e lhe manda ir direto para seu quarto com tamanha rispidez que o garoto de tão assustado começa a chorar e sai em disparada para aninhar-se em sua cama.
O pai volta a trabalhar e depois de cerca de duas horas termina o seu tão precioso relatório.
Começa então a se espreguiçar e vê o pequeno pacote jogado no canto esquecido e todo desmantelado.
Levanta-se e pega o pacote, dentro um pequeno peão de madeira com um barbante tosco e um pequeno bilhete escrito em letras de forma:

Para você papai, com amor
                                    Junior

PS : vou ganhar de você

O pai se lembra da maneira que tratou o filho e sente um aperto no peito, uma dor por ter colocado seu trabalho a frente daquele pequeno ser, que queria apenas um pouco da sua atenção.
Vai até o quarto com as pernas trêmulas e pensando no ressentimento que seu filho deve estar sentindo, no caminho até o quarto pensa em como deixou seu filho crescer sem tê-lo acompanhado, sem ter se preocupado com suas descobertas, novidades e anseios.
Quando chega no quarto escuro percebe que a criança já dormiu, agarrada em um outro pequeno pedaço de papel. Pega o papel e lê:
“Papai você é meu herói, sei que você trabalha muito para podermos viver, sempre penso em você quando como meu lanche na escola, pois vejo outras crianças que não tem lanche e lembro o quanto você gosta de mim e da mamãe. Quando tiver um tempinho posso te provar que ganho de você numa disputa de peão, o presente era apenas para dizer que te amo”.
O pai começou a chorar e abraçou o filho, apertou tanto que a criança acordou.
Meio sonolento o filho pergunta ao pai com toda a inocência de uma criança:
Quer ser derrotado?
Quem diz que não tem tempo, deveria dizer que não tem vida.

O tempo pode ser construído, e deve trabalhar a nosso favor e não ao contrário.
Tempo é vida, e não dinheiro. Qual o sentido de buscarmos dinheiro, ascensão, promoções, destaque.
Defina as prioridade de sua vida e faça o tempo trabalhar a seu favor. Imagine que amanhã pode ser tarde para abraçar alguém querido, que aquelas férias são mais importantes do que os relatórios.
Recuperar ou ganhar dinheiro é fácil, se comparado a tentar atrasar o tempo ao menos em um insignificante segundo.

Se é para ser escravo, que seja dos nossos sonhos, anseios e desejos.  

FICAM ALGUNS CONSELHOS

1º Para quem quer, desculpas não haverão de faltar;
2º O tempo não pode ser recuperado, o que passou não volta mais;
3º Ser rápido não significa ser eficiente;
4º Somos afetados não apenas por nosso tempo e ritmo, mas pelo de outros também, assim além de termos que coordenar nosso tempo, temos que coordenar o tempo alheio;
5º Se a expressão “é para ontem” é freqüente na sua vida, cuidado, algo está errado;
6º É preciso repensar sempre as prioridades;
7º Aplique uma mudança positiva por semana em sua vida pessoal ou profissional, por menor que seja. Imagine o quanto você irá evoluir em um ano.
8º Aprenda a dizer NÃO
9º Respeite seu próprio ritmo;
10º Aprenda com seus erros mas principalmente aprenda com os erros alheios;
11º Cuidado com a síndrome do “cavalo campeão”, que sai em disparada e no meio da prova está sem fôlego para terminar;
12º Faça benchmarking, aprenda com as experiências de outros profissionais;
13º Se tiver que fazer, faça apenas uma vez, mas faça bem feito;
14º Crie hábitos saudáveis de organização;
15º Aprenda a se desligar no momento certo;
16º Viva no presente, pense no futuro, mas viva hoje. Amanhã você pode não estar aqui para aproveitar.
17º Tempo é vida, e não dinheiro.

julho/2003

Fábio Luciano Violin,
Mestre em Estratégias e Organizações - UFPR
Especialista em Planejamento e Gerenciamento Estratégico - PUC-PR

Professor universitário, palestrante e consultor de empresas.
flviolin@hotmail.com   ou  flviolin@terra.com.br


Esta página é parte integrante do www.guiadelogistica.com.br ou www.guialog.com.br .