A Ponta do Iceberg

Antes de planejar qualquer mudança, é preciso considerar alguns elementos de suma importância. É preciso ter a consciência e a noção de que elementos como comprometimento, vícios de trabalho, aversão ao novo, incompetência entre outros são forças que estarão impactando junto a nossas ações, às vezes de forma positiva...às vezes de forma negativa. 
Analise se estes fatos ocorrem em sua empresa:

Comprometimento : ou melhor a ausência dele é geralmente um dos principais problemas quando se tenta mudar algo isso porque o empenho conjunto é muito importante. Por melhor que seja a idéia, por melhor que seja a intenção ou a necessidade de mudar algo sem o compromisso por parte das pessoas fica inviabilizado qualquer esforço pois em geral nós não estaremos presentes 100% do tempo para avaliar se as coisas estão acontecendo como deveriam. Assim, buscar sensibilizar as pessoas e mostrar-lhes o quão importante é sua participação, e como ela se liga ao sucesso da empresa e ao seu próprio sucesso é um primeiro esforço na busca de que as pessoas vejam a necessidade de comprometimento com a causa da empresa.

Liderança ineficiente : a liderança ineficiente causa uma série de problemas organizacionais, quando o líder imposto não consegue ter legitimidade junto aos liderados ou colaboradores, o resultado é que qualquer tipo de ação ou programa já nasce fadado ao fracasso ou na melhor das hipóteses é sub-aproveitado. Despertar e utilizar as lideranças naturais é uma necessidade cada vez mais latente dentro das organizações. O xis da questão é: como identificar e “trazer” para o lado da empresa (e por conseqüência cada uma das pessoas que trabalham nela) tais lideranças. Sem contar com o perigo de lideranças negativas, que são aqueles que naturalmente exercem influência sobre outras pessoas, no entanto, de forma pejorativa.

Miopia dos responsáveis pela empresa : em grande parte das vezes os líderes são os primeiros a impedir que qualquer ação de mudança ocorra. A miopia existe quando não se admite que as falhas existem e as vezes não percebemos que somos parte do problema. Ser míope é não enxergar que em uma mesma situação podem existir diversos pontos de vista e que não necessariamente o nosso é o mais acertado ou que temos razão. Muito da falta de comprometimento por parte dos colaboradores vem do fato de que existe uma clara separação entre a gerência e os demais “mortais”.

Vantagens unilaterais : o comum acordo de interesses é importante, numa relação onde um ganha e outro perde, o que sai em vantagem acha que as coisas devam continuar da forma que estão, e não se dá conta que a parte que perde não tem o mesmo interesse. Qualquer ação de mudança ou readequação só será eficiente ao passo que existir uma relação ganha-ganha, eu ganho e você ganha. Em uma relação ganha-perde no final todos perdem.

Vícios de trabalho : ao longo dos anos vamos criando uma dinâmica toda própria de como as coisas devam acontecer. Assim, vão surgindo os famosos vícios de trabalho, os quais impedem que empresas e profissionais se desenvolvam de forma positiva, que não permite que mudanças muitas vezes ocorram ou pior ainda, que a situação exige mudanças sendo necessário se readequar para continuar sobrevivendo. Muitos empresários preferem demitir um funcionário a tentar mudar a forma como ele desenvolve seu trabalho. O problema maior surge quando o vício não é apenas dos funcionários mas é também do responsável pela empresa.

Incompetência : em geral não admitimos ter incapacidade, é próprio da natureza humana muitas vezes negar a própria fragilidade diante de situações adversas. Assim, muitos tem aversão ao novo, tem medo do desconhecido e em geral tentam boicotar qualquer ação de melhoria argumentado por exemplo que “isso não vai dar certo”, “sempre foi assim porque agora tem que mudar”, “ eu não me responsabilizo” entre dezenas e dezenas de outras frases similares. As vezes as pessoas que tem medo do novo ou incompetência para lidar com ele se posicionam de forma passiva e as vezes de forma agressiva. Lidar com este elemento requer bastante sensibilidade e assertividade, pois em geral o campo precisa ser preparando com bastante antecedência e as pessoas que podem impedir o progresso precisam ser identificada e ações de correção precisam ser tomadas.

Obviamente existem diversos outros elementos, mas por uma questão de espaço não é possível tratar todas de forma mais aprofundada, o importante é ter a noção de que muitas vezes enxergamos apenas a ponta do iceberg, e que a maior parte dos elementos que exercem influência negativa ou positiva estão submersos, mas mais cedo ou mais tarde irão emergir e tornar as ações de melhoria inválidas ou incompletas ou em alguns casos um fracasso total.
Assim, exercitar a capacidade de detectar sinais (positivos ou negativos) é de suma importância atualmente.

maio/2003

Fábio Luciano Violin,
Mestre em Estratégias e Organizações - UFPR
Especialista em Planejamento e Gerenciamento Estratégico - PUC-PR

Professor universitário, palestrante e consultor de empresas.
flviolin@hotmail.com   ou  flviolin@terra.com.br


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