INTRODUÇÃO
O que o mundo da
Tecnologia da Informação está oferecendo de novo para o mercado logístico? Muitas
novas possibilidades estão sendo abertas, desde a consolidação da radiofreqüência e
da leitura e impressão de código de barras, a possibilidade de disponibilizar
informações em WAP, os novos aplicativos de integração de várias plataformas dentro
da empresa (EAI), as incursões nas áreas de Atendimento com os CRMs, enfim, existe
uma gama enorme de novas ferramentas que estão sendo colocadas finalmente em prática
depois de uma fase bastante longa de experiências e insucessos e que agora realmente
podem ser denominadas de soluções e ofertadas a preços e prazos coerentes
no mercado.
O objetivo deste artigo
é apresentar e discutir algumas das novas funcionalidades e tecnologias que estão sendo
incorporadas aos softwares de gestão empresarial (ERPs) e que conceitos inovadores
(ou nem tanto) que existem embutidos nelas e de como estas podem tornar as empresas do
ramo logístico mais competitivas e agressivas no mercado.
SOLUÇÕES DE PLANEJAMENTO AVANÇADO
Uma nova série de
melhorias está invadindo os aplicativos de Planejamento. Cada vez mais refinados e
amigáveis os programas de APS (Advanced Planning Solution) vem definitivamente sendo
incorporados aos pacotes Standard dos Softwares de Gestão. Há muito pouco tempo atrás
quando se falava em Planejamento rapidamente associava-se à idéia de programação de
algum recurso fabril ou matéria-prima, hoje temos disponível a capacidade de realizar um
planejamento considerando qualquer tipo de recurso necessário, ou seja, materiais,
transporte, máquinas, ferramentas, mão de obra, armazenagem e tempo podem ser planejados
e acompanhados ao longo de todos os elos da cadeia de fornecimento, em uma espécie de
planejamento integrado, onde é possível determinar quais destes recursos serão tratados
como restritivos e quais não serão.
O que aconteceu é que se percebeu que as ferramentas que anteriormente eram consideradas
de cunho exclusivamente técnico e com ênfase operacional passaram a incorporar funções
estratégicas, definindo dia-a-dia, operação por operação, ações que estejam
alinhadas com objetivos estratégicos e políticas de atendimento. Isto se tornou
possível porque os aplicativos que desempenham estas funções passam a contemplar em
seus algoritmos internos de cálculo algumas regras de negócio definidas
estrategicamente, tais como priorização de atendimento da carteira, ajuste dos níveis
de estoque considerando curvas de sazonalidade, pontos de reposição locais de acordo com
políticas de atendimento, enfim, uma gama bastante grande de possibilidades de tornar a
dinâmica de Planejar Controlar uma tarefa muito mais simples e automatizada.
Que interação isto
tudo tem com a solução logística do negócio? Sobre certos aspectos, toda, pois
tornamos real a possibilidade de termos enfim um Gerenciamento da Cadeia de Fornecimento,
o que antes era apenas mais uma sigla na maioria dos livros de gestão e logística passa
a ser possível para um grande número de pequenas e médias empresas. O SCM deixa o cunho
acadêmico para se tornar mais uma ferramenta efetiva de fazer os negócios acontecerem de
maneira mais rápida e mais barata.
Que benefícios isto
tudo traz ao negócio? Muitos, mas o principal sem dúvida é um planejamento muito mais
acurado de recursos para atender as demandas previstas, isto se torna possível porque se
estabelece entre os elos da cadeia de suprimentos um compartilhamento pleno das
informações relativas a planejamento e confirmação das necessidades. Isto é, uma
troca em tempo real de tudo que é planejado e confirmado nas esferas mais operacionais
das empresas, sem o filtro gerencial e comercial que geralmente permeiam esta troca de
informações. Este aumento de visibilidade da demanda no planejamento deve por si só
reduzir significativamente os tempos do Ciclo de Suprimento / Distribuição.
É claro que dependendo
do cenário a empresa terá níveis diferentes de retorno na utilização de uma
ferramenta de APS integrada ao Transporte e Armazenamento. Muitas variáveis são
significativas para determinar como exatamente se compõe este cenário, mas nenhuma tem
tanta influência quanto o ambiente estratégico o qual ela está inserida. As empresas
podem adotar diferentes posicionamentos, que fundamentalmente dependem de algumas
questões internas (diretrizes políticas) e algumas externas (ambiente), é claro que
não existe uma receita de bolo para uma questão tão abrangente quanto esta, mas em
regras gerais o que se percebe no mercado é o seguinte:
· Os fluxos que orientam as atividades produtivas podem ser puxados ou empurrados. Se a estratégia for de trabalhar com um fluxo puxado, isto é, orientado pela demanda, a informação sobre expectativas de vendas e consolidação dos planos em negócios é muito mais valiosa do que se estivermos trabalhando em um cenário de produção empurrada, onde a orientação obedece a uma ótica de oferta e disponibilidade de estoque. Normalmente as estratégias de produção empurradas acontecem próximas às pontas iniciais da cadeia, onde temos as ditas indústrias de base, siderúrgicas, petroquímicas, mineração, etc. As estratégias de produção puxada geralmente são mais freqüentes nos elos finais das cadeias de abastecimento, empresas de produção de bens de consumo e itens associados diretamente à distribuição varejista.
· As políticas de produção também podem compor uma outra variável a ser considerada. Quando se produz para estoque a Programação de Produção é principalmente baseada em previsões de venda ou na combinação destas previsões de venda com a carteira realizada até o momento. Esta metodologia tem como principal objetivo tentar aproveitar uma demanda que de algum modo não seria suprida em tempo necessário com as capacidades normais dos meios de produção. Neste cenário o estoque tende a ser descentralizado com uma rede de instalações de armazenagem bastante grande, utilizando modais mais baratos e transportando de maneira consolidada. No caso inverso, onde se trabalha contra pedido a busca pela visibilidade da informação da necessidade torna-se vital para a otimização da cadeia. Neste perfil a estrutura de estoque é bem mais centralizada e a entrega muito mais fragmentada, normalmente utilizando modelos de transporte mais caros e exigindo um perfil mais sofisticado de fornecedor.
Os sistemas de gestão,
há muito tempo contemplam em suas atribuições nativas um controle bastante fino das
operações de chão de fábrica, o que resulta em que praticamente senão tudo o que deve
ser produzido e movimentado em uma linha de produção é oriundo de uma necessidade
gerada e calculada nos aplicativos de planejamento do sistema, quando estas sugestões
são confirmadas dão origem as Ordens de Produção, que deverão ser os principais
elementos de controle do processo produtivo. Utilizando corretamente as Ordens de
Produção os planejadores poderão ter a informação correta de quando cada recurso foi
realmente utilizado e cada produto foi efetivamente produzido.
Gradativamente estes
conceitos e funcionalidades começam a serem incorporados nos módulos logísticos dos
sistemas de gestão, tendo como principal objetivo gerenciar os processos de
movimentação de carga, tais como: Descarregamento, carregamento, picking,
unitização e consolidação de maneira mais precisa e detalhada. Este controle a
mais traz uma enorme confiabilidade nos processos de rastreamento de cargas, uma
redução significativa nas não conformidades registradas nas entregas e claro, um
aumento considerável nos níveis de acuracidade de estoque. Mas nem tudo são maravilhas,
é importante frisar que processos de controle deste tipo adicionam uma boa quantidade de
tarefas no fluxo de trabalho, todo o controle por si só tem um custo, o de controlar. Na
implantação destas ferramentas sempre é necessário ter uma boa idéia de custo x
benefício de cada atividade que se está se querendo controlar, e que tipo de valor
agregado podemos gerar a partir daí.
Um grande ganho que
também deve ser considerado é ter certeza que as pessoas estão efetuando corretamente
as atividades que realmente deveriam estar sendo executadas, ou seja, em um terminal ou
depósito que tenha um nível de automação razoável (código de barras e comunicação
por rádio freqüência) os executores podem estar sendo convocados a
realizarem atividade por atividade em uma seqüência previamente planejada de acordo com
a capacidade e a necessidade de trabalho global da área. Em uma grande parte das empresas
logísticas o que determina o que deve ser movimentado, paletizado, etiquetado, etc. é a
localização física de uma determinada mercadoria, se ela estiver na área de
desembarque ela deverá ser classificada, se estiver na área de picking deverá ser
separada e assim por diante. A grande desvantagem de trabalhar desta maneira é que não
se tem uma posição exata do que já foi feito, de que área se encontra cada uma das
mercadorias, de que tarefas faltam serem feitas e do que exatamente cada pessoa está
fazendo. Mas o mesmo raciocínio anterior vale para esta funcionalidade também, é muito
importante ter claro um critério de custo x benefício da implantação, para ao invés
de se tornar mais eficaz no processo como um todo se consiga somente uma eficiência
localizada.
BASE TECNOLÓGICA
Uma série de novas
possibilidades se abre com a inovação natural das tecnologias que estruturam as novas
versões de ERPs, muitas são de cunho exclusivamente técnico e dizem respeito de
como otimizar a infra-estrutura instalada, de como racionalizar largura de banda na rede,
de como tornar mais fácil o gerenciamento do funcionamento do ERP no cliente, etc., mas
algumas delas também afetam aos processos de negócio da empresa, e podem proporcionar um
considerável ganho de valor e de alguns clientes.
O ponto máximo deste
pacote de inovações não poderia deixar de ser a integração total com a Internet. Hoje
o e-business é uma realidade tão tangível quanto a cadeira na qual você está sentado
e pode acreditar, veio para ficar. Poder ter uma conexão de negócio com seus clientes,
que no caso de operadores logísticos, não são poucos, é um diferencial real em um
mercado extremamente competitivo como o Logístico. Os ERPs estão preparados para
trocar em uma plataforma web informações e transações em tempo real, e completamente
íntegras com sua base principal de dados.
Vale a pena citar
também é a flexibilidade muito maior que os ERPs da nova geração oferecem em
relação as suas versões anteriores. Atualmente é bem mais fácil parametrizar,
configurar, customizar e até desenvolver novos aplicativos. Isto tem como conseqüência
uma possibilidade de modelar e operacionalizar novos produtos de maneira muito fácil, por
exemplo, se um determinado cliente solicita um produto o qual nunca tenha sido realizado
pela empresa, como coletar uma série de matérias-primas em vários fornecedores,
armazená-los, fornecendo informações detalhadas sobre lotes, localização e data de
validade. A cada solicitação do cliente a mercadoria deverá ser separada, unitizada,
paletizada e entregue em até 6 horas.
O que era muito
freqüente é que mesmo que os processos internos pudessem ser adaptados para um produto
semelhante ao descrito acima, os sistemas disponíveis de TMS e WMS tinham muita
dificuldade em acompanhar esta agilidade, e normalmente a complicação que causava
alterá-los decretava que este novo produto seria gerenciado por um controle em paralelo,
ou desenvolvido em um pequeno aplicativo ou em alguma espécie de planilha. Hoje, se
porventura a parametrização inicial do ERP não contemple uma determinada possibilidade
existe a alternativa, pouco traumática, de reparametrizar ou customizar pequenos
processos nos aplicativos, permitindo que em um pequeno espaço de tempo o cliente possa
lançar novas soluções no mercado completamente integradas ao seu Sistema.
Outra melhoria
considerável foi uma consolidação das ferramentas de integração, possibilitando que
os processos paralelos que necessitem ficar fora do escopo do Sistema Integrado sejam
executados por sistemas especialistas mas não deixem de estarem integrados aos
aplicativos do ERP, consolidando definitivamente o conceito de uma base de dados única,
íntegra e que contemple todos as transações de negócio realizadas por algum sistema
informatizado em tempo real.
CONCLUSÃO
A evolução dos
Sistemas Integrados de Gestão está definitivamente trazendo uma nova série de novas
funcionalidades e consolidando muitas das anteriores, sua estrutura tecnológica tornou se
tornou mais amigável e flexível. Em reflexo disto como irão acontecer em muitos outros
setores as empresas voltadas à prestação de serviços logísticos logo terão a sua
disposição uma boa parte destas melhorias que poderão se converter rapidamente em
diferenciais competitivos interessantes.
É preciso olhar estas
novas ferramentas com um olhar crítico, sempre tendo muito presente uma análise de custo
x benefício de cada novo passo a ser dado, mas é igualmente importante estar aberto a
elas, provocando a discussão e o surgimento de novas idéias, e de como estas tecnologias
podem torná-las viáveis.
abril/2003
Consultor Senior
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