As
pequenas e médias empresas são parte integrante do desenvolvimento econômico de um
país, quando participam efetivamente da atividade exportadora.
Nos Estados Unidos, segundo o Departamento de Comércio, empresas com menos
de 19 empregados contribuem com cerca de 50% das exportações. Na Itália, o motor da
economia é a formação dos consórcios e cooperativas de exportação, formados por esse
segmento.
No Brasil, infelizmente, o modelo exportador foi baseado na concentração
dos grandes conglomerados empresariais, concentrando a atividade nas multinacionais e
grandes empresas que representam aproximadamente 85% da pauta exportadora.
Um dos primeiros passos para o pequeno e médio empresário participar do
mercado externo é ter consciência e mentalidade gerencial de que exportar é função
estratégica da empresa e nunca alternativa às restrições de vendas no mercado interno.
Além disso, ele deve se preocupar em manter continuidade na exportação e buscar nichos
de mercado.
Exportar não é um bicho de sete cabeças, exige perseverança, paciência
e relacionamentos. Aprendida a lição, as vendas externas subsequentes serão rotineiras.
Algumas definições estratégicas poderão nortear os princípios para atuar no mercado
externo:
a) Avaliar os produtos e/ou serviços com os quais a empresa tem
maiores condições de competir, assim como, avaliar as modalidades de exportação mais
adequadas à sua empresa, de forma direta ou por intermédio das empresas comerciais
exportadoras e buscar profissionais e serviços especializados na área de logística,
qualidade, serviços aduaneiros, entre outros prestadores de serviços;
b) Formar preços para exportação tomando-se em conta os custos de
produção e não calculá-los amadoristicamente ou baseados nos preços praticados no
mercado interno, retirando unicamente os impostos não incidentes;
c) Analisar as estatísticas de importação e exportação dos
países para os quais pretende vender; talvez seja mais prudente começar a pesquisa e a
exportação pelos países vizinhos, em função da proximidade, mercados equivalentes e
pelos benefícios concedidos pelos países importadores;
d) Designar uma pessoa na empresa para tratar do assunto
exportação;
e) Procurar elaborar catálogos em idiomas estrangeiros;
f) Manter contatos com empresários estrangeiros.
As pequenas e médias, além das pessoas físicas, têm algumas facilidades
para exportar. Uma delas é a Declaração Simplificada de Exportação (DSE) para
pequenos embarques de até US$ 10.000,00 , permitindo que o exportador preencha a
documentação por computador, no Sistema Integrado de Comércio Exterior-Siscomex, sem
burocracia e custos adicionais. Os Correios e as empresas "Courier" estão
inseridas para operar essas facilidades.
Enfim, para exportar, as empresas devem investir e não tratar os gastos
como despesas correntes.
março/2003
Michel Abdo Alaby,
Consultor em Comércio Exterior da Qualilog Consulting
Economista, administrador e contador, é consultor da Organização das Nações Unidas
(ONU) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Vice-presidente da Associação dos
Executivos de Comércio Exterior (Adebe), presidente da Associação de Empresas
Brasileiras para a Integração de Mercados (Adebim), membro do Conselho Técnico da
Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) e do Comitê Setorial de Comércio
Exterior da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. Comenda do Rio Branco, título de
grão mestre, 2002.
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