LOGÍSTICA
REVERSA : ASPECTOS IMPORTANTES PARA A ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS
Introdução
Decidiu-se abordar este tema para
propiciar ao leitor ou pesquisador o conceito de sistema Logístico Reverso e de fazer um
levantamento dos elementos que o compõem, e dos conceitos e técnicas de análise que
possam ser úteis no projeto e administração do mesmo.
A logística reversa é ainda, de maneira geral, uma
área com baixa prioridade. Isso se reflete no pequeno número
de empresas que têm gerências dedicadas ao
assunto. Pode-se dizer que estamos em um estado inicial no que diz respeito ao desenvolvimento das práticas de logística reversa.
Essa realidade está mudando em resposta às pressões externas, como um maior rigor de
legislação ambiental, a necessidade de reduzir custos e a necessidade de oferecer mais
serviços por meio de políticas de devolução mais liberais.
Essa tendência deverá gerar um
aumento do fluxo de carga reverso e, é claro, de seu custo. Por conseguinte, serão
necessários esforços para aumento de eficiência, com iniciativas para melhor estruturar os sistemas de logística reversa.
Deverão ser aplicados os mesmos conceitos de planejamento do fluxo logístico direto,
tais como estudos de localização de instalações e aplicações de sistemas de apoio à
decisão (roteirização, programação de entregas, etc.).
Isto requer vencer desafios adicionais,
vista ainda a necessidade básica de desenvolvimento de procedimentos padronizados para a
atividade de logística reversa. Principalmente quando nos referimos à relação
indústria - varejo, notamos que este é um sistema caracterizado predominantemente pelas
exceções, mais que pela regra. Um dos sintomas dessa situação é praticamente a
inexistência de sistemas de informação voltados para o processo de logística reversa.
Sendo assim, este trabalho tem por intuito
fornecer alguns conceitos e noções dessa área, que hoje está em ascensão e procurou-se desenvolvê-lo em linguagem clara e
acessível, até mesmo para aqueles estudantes, pesquisadores e até profissionais de
outras áreas, que não possuam experiência neste tema e queiram fazê-lo.
LOGÍSTICA EMPRESARIAL E INDUSTRIAL
1.1 CONCEITO DE LOGÍSTICA
A palavra Logística de origem
francesa (do verbo loger: alojar); era um termo militar que significava a arte
de transportar, abastecer e alojar as tropas. Tornou, depois, um significado mais amplo,
tanto para uso militar como industrial: a arte de administrar o fluxo de materiais e
produtos, da fonte para o usuário.
1.2 CONCEITO DE LOGÍSTICA EMPRESARIAL
Logística Empresarial Autor
Ronald H. Ballou, Prof. Da Case Western Reserve University (EUA) procura dar ao
profissional ou ao estudante uma visão geral sobre a administração do fluxo de bens e
serviços em organizações orientadas ou não para o lucro, introduzindo a essência da
logística empresarial, definindo sua missão e fazendo uma descrição de sua historia.
A definição de logística para o
autor neste texto : Trata de todas as atividades de movimentação e armazenagem, que
facilitam o fluxo de produtos (o termo produto utilizado inclui tanto bens como serviços)
desde o ponto de aquisição da matéria-prima até o ponto de consumo final, assim como
dos fluxos de informação que colocam os produtos em movimento, com o propósito de
providenciar níveis de serviços adequados aos clientes a um custo razoável.
A ênfase serve como guias para a
tomada de decisões levando ao leitor ao
discernimento, compreensão e desenvolvimento de habilidades, enfocando distribuição
física, administração de materiais, nível de serviço, administração de trafego,
manuseio e acondicionamento do produto e controles de estoques , entre outros.
Os assuntos
abordados pelo autor :
§ A distribuição física e a
administração de materiais introduzidos
como as principais áreas da logística empresarial.
§ Fatores externos que tomam forma ao nível
de serviços oferecidos aos clientes e no produto.
§ Compreensão básica de cada atividade e
de sua operação.
§ Princípios úteis para o projeto de
sistemas logísticos eficientes em sua operação e seu controle.
§ É qual a importância da logística no
futuro.
O Sr. James L. Heskett, reitor adjunto do
programa de mestrado em Administração de Empresas e professor de Marketing e Logística
Empresarial na Harvard Business Scholl, diz que logística pode significar a diferença
entre o sucesso e o fracasso nos negócios, ele explora as razões por trás do
ressurgimento do interesse por este método de desenvolver vantagens competitivas, os
elementos comuns de estratégica bem sucedidas orientadas para a logística, as perguntas a serem feitas na
revisão quanto até que ponto sua administração aproveitou as oportunidades de tornar a
logística a parte integrante de sua estratégia, e as maneiras de transformar a
logística em formulação estratégica.
Logística Empresarial A
Perspectiva Brasileira
Retrata a evolução da logística
empresarial no Brasil. O conceito de logística empresarial é bastante recente no Brasil.
O processo de difusão teve início, de forma ainda tímida, nos anos da década de 90,
com o processo de abertura comercial, mas se acelerou a partir de 1994, com a
estabilização econômica propiciada pelo plano Real.
O ambiente altamente inflacionário
que caracterizou o país por cerca de duas décadas, combinado com uma economia fechada e
com baixo nível de competição, levou as empresas a negligenciarem o processo logístico
dentro das cadeias de suprimento, gerando um atraso de pelo menos 10 anos em relação às
melhores práticas internacionais. Não havendo demanda por conhecimentos no setor
produtivo, era natural que não surgissem ofertas de ensino, pesquisa e consultoria em
logística empresarial no país. O Centro de Estudo em Logística (CEL), do Instituto
Coppead de Administração é uma exceção a este padrão. Sua origem remonta ao início
da década de 90, e está relacionada à iniciativa pioneira da Companhia Brasileira de
Petróleo Ipiranga, que em 1991 tomou a iniciativa de propor ao Copped a criação da
Cátedra Ipiranga de Estratégia de Operações, dedicada ao ensino, estudo e pesquisa na
área de logística empresarial. A Cátedra Ipiranga gerou o núcleo inicial que deu
origem ao CEL.
Os autores do Centro de Estudos em
Logística CEL apresentam e discutem os principais
componentes do sistema logístico, ou seja, serviços ao cliente, transporte, estoque,
armazenagem e informações. Uma série de ferramentas importantes para o planejamento e
controle de estoques, custos, simulação e sistema de informações geográficas.
1.3 CONCEITO DE LOGÍSTICA INDUSTRIAL
Logística
Industrial
Segundo o autor John F. Magee,
Vice-Presidente Sênior, Arthur D. Little, Inc. O
conceito de sistema logístico e a tecnologia da logística tiveram um processo
considerável desde a Segunda Guerra Mundial
. O conceito de sistema logístico tornou-se amplamente aceito e a administração, tanto
privada como governamental, começa a reconhecer a necessidade de projetar e administrar o
sistema logístico como um todo, ao invés de uma série de funções discretas e
independentes.
O autor nos mostra como o sistema
logístico de uma organização pode ser analisado, aperfeiçoado e administrado mais
eficazmente e como os custos da distribuição física
podem ser substancialmente reduzidos.
O conceito de sistema logístico.
A administração da logística
industrial visa maximizar o valor econômico dos produtos ou materiais tendo-os disponíveis, a um preço razoável, onde e quando
houver procura.
É importante ressaltar que o valor
intrínseco de um bem são compostos pelas atividades de produção (características e
forma física) e por sua localização.
O autor John F. Magee conceitua todos os elementos ou componentes que
formam o sistema logístico e as variáveis
mais importantes que afetam a eficiência do suprimento e distribuição industriais:
Elementos
/ componentes
§ Estoque de produtos;
§ Aquisição e controle da
matéria-prima;
§ Meios de transporte e de entrega local;
§ Capacidade de produção e conversão;
§ Armazéns;
§ Comunicação e controle;
§ Recursos Humanos.
Variáveis
§
Número e localização das unidades
produtivas;
§
Número e localização dos armazéns;
§
Meios de transportes;
§
Comunicações;
§
Meios de processamento de dados;
§
Disponibilidade de produto;
§
Segurança do atendimento;
§
Localização dos estoques do produto;
§
Projeto do produto.
A LOGÍSTICA REVERSA
Logística Reversa (também
conhecida como logística verde) A empresa do futuro não se preocupará apenas em
fabricar, vender e distribuir. O interesse pela conservação do meio ambiente fará com
que elas também sejam responsáveis pelo recolhimento, tratamento e reciclagem dos
resíduos de seus produtos, como ocorre atualmente em alguns países da Europa, no caso
das baterias de telefone celular.
2.1 LOGÍSTICA REVERSA UMA VISÃO SOBRE OS
CONCEITOS BÁSICOS E AS PRÁTICAS OPERACIONAIS
Usualmente, pensando em logística como o
gerenciamento do fluxo de materiais desde seu ponto de aquisição até o seu ponto de
consumo. No entanto, existe também um fluxo logístico reverso, do ponto de consumo até
o ponto de origem, que precisa ser gerenciado.
Esse fluxo logístico reverso é comum para uma boa parte das empresas. Por exemplo,
fabricantes de bebidas têm de gerenciar todo o retorno de embalagens (garrafas) dos
pontos de venda até seus centros de distribuição. As siderúrgicas usam como insumo de
produção, em grande parte, a sucata gerada por seus clientes e, para isso, usam centros
coletores de carga. A indústria de latas de alumínio é notável no seu grande
aproveitamento de matéria-prima reciclada, tendo desenvolvido meios inovadores na coleta
de latas descartadas.
Existem ainda outros setores da
indústria nos quais o processo de gerenciamento da logística reversa é mais recente,
como na indústria de eletrônicos, varejo e automobilística. Esses setores também têm
de lidar com o fluxo de retorno de embalagens, de devolução de clientes ou do
reaproveitamento de materiais para produção.
Este não é nenhum fenômeno novo e
exemplos como o do uso de sucata na produção e reciclagem de vidro têm sito praticados
há bastante tempo. Por outro lado, tem-se observado que
o escopo e a escala das atividades de reciclagem e reaproveitamento de
produtos e embalagens têm aumentado consideravelmente nos últimos anos. Algumas das
causas para isso são discutidas a seguir.
Existe uma clara tendência de a
legislação ambiental caminhar no sentido de tornar as empresas cada vez mais
responsáveis por todo o ciclo de vida de seus produtos. Isso significa ser legalmente
responsável pelo seu destino após a entrega dos produtos aos clientes e pelo impacto que
estes produzem no meio ambiente.
Um segundo aspecto diz respeito ao
aumento da consciência ecológica dos consumidores, que esperam que as empresas reduzam
os impactos negativos de sua atividade no meio ambiente. Isso tem gerado ações por parte
de algumas empresas que visam comunicar ao público uma imagem institucional ecologicamente correta .
Concorrência Diferenciação por serviço.
Esta é uma tendência que se
reforça pela existência de legislação de defesa dos consumidores, garantindo-lhes o
direito de devolução ou troca.
As iniciativas relacionadas à logística
reversa têm trazido consideráveis retornos para as empresas. Economias com a
utilização de embalagens retornáveis ou
com o reaproveitamento de materiais para produção têm trazido ganhos que estimulam cada
vez mais novas iniciativas.
Além disso, os reforços em
desenvolvimento e melhorias nos processos de logística reversa podem produzir também
retornos consideráveis, que justificam os investimentos realizados.
2.2 O PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA E O CONCEITO DE CICLO DE VIDA
Nesta seção serão apresentados
conceitos básicos relacionados à logística reversa e discutidos alguns dos fatores
críticos que influenciam a eficiência dos processos a ela relacionada.
Por trás do conceito logístico
reversa está um conceito mais amplo, que é o do ciclo de vida. A vida de um
produto, do ponto de vista logístico, não termina com sua entrega ao cliente. Produtos
se tornam obsoletos, danificados, ou não funcionam e devem retornar ao seu ponto de
origem para serem adequadamente descartados, reparados ou reaproveitados.
Do ponto de vista financeiro, fica
evidente que além dos custos de compra de matéria-prima, de produção, de armazenagem e
estocagem, o ciclo de vida de um produto inclui também outros custos que estão
relacionados a todo o gerenciamento do seu fluxo reverso.
Do ponto de vista ambiental, esta é
uma forma de avaliar qual o impacto de um produto sobre o meio ambiente durante toda a sua
vida. Essa abordagem sistêmica é fundamental para
planejar a utilização dos recursos logísticos de forma a contemplar todas as etapas do
ciclo de vida dos produtos.
Figura 1 Representação
esquemática dos processos logísticos diretos e reversos
|
Nesse contexto, podemos então definir logística reversa como sendo o processo de
planejamento, implementação e controle do fluxo de matérias-primas, estoque em processo
e produtos acabados (e seu fluxo de informação) do ponto de consumo até o ponto de
origem, com o objetivo de recapturar valor ou realizar um descarte adequado.
O processo de logística reversa
gera matérias reaproveitadas que retornam ao processo tradicional de suprimentos,
produção e distribuição, conforme indicado na figura 1.
Esse processo é geralmente composto
por um conjunto de atividades que uma empresa realiza para coletar, separar, embalar e
expedir itens usados, danificados ou obsoletos dos pontos de consumo até os locais de
reprocessamento, revenda ou de descarte.
Existem variantes com relação ao
tipo de reprocessamento que os materiais podem ter, dependendo das condições em que
estes entram no sistema de logística reversa. Os materiais podem retornar ao fornecedor
quando houver acordos nesse sentido; podem
ser revendidos se ainda estiverem em condições adequadas de comercialização; podem ser
recondicionados, desde que haja justificativa
econômica; podem ser reciclados se não houver possibilidade de recuperação.
Todas essas alternativas geram
materiais reaproveitados, que entram de novo no sistema logístico direto. Em último
caso, o destino pode ser o seu descarte final (Figura 2).
Figura 2 Atividade típicas do processo logístico reverso
|
2.3 CARACTERIZAÇÃO DA LOGÍSTICA REVERSA
A natureza do processo de logística reversa, ou seja, quais as atividades que serão
realizadas, depende do tipo de material e do motivo pelo qual estes entram no sistema. Os
materiais podem ser divididos em dois grandes grupos: produtos e embalagens. No caso de
produtos, os fluxos de logística reversa se darão pela necessidade de reparo,
reciclagem, ou porque, simplesmente, os clientes os retornam.
A tabela 1 abaixo mostra taxas de retorno devido a clientes,
típicas de algumas indústrias.
Note que as taxas de retorno são bastante
variáveis por indústria e que, em algumas delas, como na venda por catálogos, o
gerenciamento eficiente do fluxo reverso é fundamental para o negócio.
Tabela 1 Percentual de Retorno de Produtos.
| INDÚSTRIA | PERCENTUAL DE RETORNO |
| Vendas por catálogo | 18 - 35% |
| Computadores | 10 - 20% |
| Impressoras | 04 - 08% |
| Peças automotivas | 04 - 06% |
| Produtos eletrônicos | 04 - 05% |
No caso de embalagens, os fluxos de
logística reversa acontecem basicamente em função da sua reutilização ou devido a
restrições legais, como na Alemanha, por exemplo, que impede seu descarte no meio ambiente. Como as restrições ambientais no
Brasil com relação a embalagens de transporte não são tão rígidas, a decisão sobre
a utilização de embalagens retornáveis ou reutilizáveis se restringe aos fatores
econômicos.
Existe uma grande variedade de
contêineres e embalagens retornáveis, mas
que têm um custo de aquisição consideravelmente maior que as embalagens oneway.
Entretanto, quanto maior o número de vezes que se usa a embalagem retornável, menor o
custo por viagem, que tende a ficar menor que o custo da embalagem oneway.
2.4 FATORES CRÍTICOS QUE INFLUENCIAM A EFICIÊNCIA DO
PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA
Dependendo de como o processo de
logística reversa é planejado e controlado, este terá uma maior ou menor eficiência.
Alguns dos fatores identificados como sendo crítico e que contribuem positivamente para o desempenho do sistema de
logística reversa são comentados a seguir:
Figura 3 Fatores críticos para a eficiência
do processo de logística reversa.
| Bons Controles de Entrada |
Processos Mapeados e Formalizados |
Ciclo de Tempo Reduzido |
| Sistemas de Informação Acurados |
Rede Logística Planejada |
Relações Colaborativas entre Clientes e Fornecedores |
§ Bons Controles de Entrada
Sistemas de logística reversa que não possuem bons controles de entrada dificultam todo
o processo subseqüente, gerando retrabalho. Podem também ser fonte de atritos entre
fornecedores e clientes pela falta de confiança sobre as causas dos retornos. Treinamento
de pessoal é questão-chave para a obtenção de bons controles de entrada.
§ Processos padronizados e mapeados
§ Tempo de ciclo reduzidos
Fatores que levam a altos tempos de
ciclo são controles de entrada ineficientes, falta de estrutura (equipamentos, pessoas)
dedicada ao fluxo reverso e falta de procedimentos claros para tratar as
exceções que são, na verdade, bastante freqüentes.
§ Sistemas de informação
§ Rede logística planejada
§ Relações colaborativas entre clientes e
fornecedores
Os varejistas tendem a considerar
que os danos são causados por problemas no transporte ou mesmo por defeitos de
fabricação. Os fornecedores podem suspeitar que está havendo abuso por parte do
varejista ou que isto é conseqüência de um mau planejamento. Em situações extremas,
isso pode gerar disfunções como a recusa para aceitar devoluções, o atraso para
creditar as devoluções e a adoção de medidas de controle dispendiosas.
Fica claro que prática mais
avançadas de logística reversa só poderão ser implementadas se as organizações
envolvidas desenvolverem relações mais colaborativas.
2.5 LOGÍSTICA REVERSA : NOVA ÁREA DA LOGÍSTICA
EMPRESARIAL
A logística reversa tem sido citada com
freqüência e de forma crescente em livros modernos de logística empresarial, em artigos
internacionais e nacionais, demonstrando sua aplicabilidade e interesse em diversos
setores empresariais e apresentando novas oportunidades de negócios no Supply Chain
reverso, criado por esta nova área de logística empresarial. No Brasil , mais
recentemente, seu interesse empresarial te sido demonstrado por inúmeras palestras,
seminários , associações, empresas e universidades e o interesse acadêmico pela sua
inclusão como disciplina curricular em cursos de especialização em logística
empresarial.
Em C.L.M. (1993:323): Logística reversa é um amplo termo relacionado ás
habilidades e atividades envolvidas no gerenciamento de redução, movimentação e
disposição de resíduos de produtos e embalagens.... .
Em Stock (1998:20) encontra-se a definição: Logística reversa: em uma perspectiva
de logística de negócios, o termo refere-se ao papel da logística no retorno de
produtos , redução na fonte, reciclagem, substituição de materiais, reuso de
materiais, disposição de resíduos, reforma, reparação e remanufatura....
Em Rogers e Tibben-Lembke (1992:2) a logística reversa é definida como : Processo
de planejamento, implementação e controle da eficiência, do custo efetivo do fluxo de matérias primas, estoques de processo,
produtos acabados e as respectivas informações, desde o ponto de consumo até o ponto de
origem, com o propósito de recapturar valor ou adequar o seu destino.
A definição de logística apresentada pelos autores Dornier et al (2000:39) abrange
áreas de atuação novas incluindo o gerenciamento dos fluxos reversos : Logística
é a gestão de fluxos entre funções de negócio. A definição atual de logística
engloba maior amplitude de fluxos que no passado. Tradicionalmente, as companhias
incluíam a simples entrada de matérias-primas ou o
fluxo de saída de produtos acabados em sua definição de logística. Hoje, no entanto,
essa definição expandiu-se e inclui todas
as formas de movimentos de produtos e informações.....
Bowersox e Closs (2000:51,52) apresentam, por sua vez , a idéia de Apoio ao Ciclo de Vida como um dos
objetivos operacionais da logística moderna, referindo-se ao prolongamento da logística
além do fluxo direto dos materiais e a necessidade de considerar os fluxos reversos de
produtos em geral.
As diversas definições e citações de
logística reversa até então revelam que o conceito ainda está em evolução face às
novas possibilidades de negócios relacionados ao crescente interesse empresarial e de
pesquisas nesta área na última década.
Entendemos a logística reversa como
a área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo de as
informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pós-venda e de
pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo, por meio dos canais de
distribuição reversos, agregando-lhes valores de diversas naturezas : econômico,
ecológico, legal, logístico, de imagem corporativa , entre outras.
Sendo a literatura ainda escassa e
dispersa nesta área, o foco principal desta série de artigos é o de apresentar uma
sistematização e estruturação dos principais conceitos, resumindo não só a
literatura existente como os exemplos, casos e aplicações da logística reversa em
empresas internacionais e nacionais, fruto de um intenso trabalho de pesquisa que temos
realizado nos últimos anos.
Para este fim, elaboramos o esquema
de Figura 4, onde reunimos duas grandes áreas de atuação da logística reversa que têm
sido tratadas independentemente até então pela literatura, diferenciadas pelo estágio
ou fase do ciclo de vida útil do produto retornado. Essa distinção se faz necessária,
embora existam inúmeras interdependências que serão
examinadas a seguir, pois o produto logístico e os canais de distribuição
reversos pelos quais fluem, bem como os objetivos estratégicos e técnicas operacionais
utilizadas em cada área de atuação são, via de regra, distintos.
Denominaremos de logística reversa
de pós-venda a específica área de atuação que se ocupa do equacionamento e
operacionalização do fluxo físico e das informações logísticas correspondentes de
bens de pós-venda, sem uso ou com pouco uso, que por diferentes motivos retornam aos
diferentes elos da cadeia de distribuição direta, que se constituem de uma parte dos
canais reversos pelo qual fluem estes produtos. Seu objetivo estratégico é o de agregar
valor a um produto logístico que é devolvido por razões comerciais, erros no
processamento dos pedidos, garantia dada pelo fabricante, defeitos ou falhas de
funcionamento no produto, avarias no transporte, entre outros motivos. Este fluxo de
retorno se estabelecerá entre os diversos elos da cadeia de distribuição direta,
dependendo do objetivo estratégico ou motivo de seu retorno.
Figura 4 : Logística reversa área de atuação e etapas
reversas
| Logística Reversa de Pós-Consumo * Reciclagem Industrial * Desmanche Industrial * Reuso * Consolidação * Coletas |
|
Logística Reversa de Pós-Venda * Seleção / Destino * Consolidação * Coletas |
Denominaremos de logística reversa de
pós-consumo a área de atuação da logística reversa que igualmente equaciona e
operacionaliza o fluxo físico e as informações correspondentes de bens de pós-consumo
descartados pela sociedade, que retornam ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo pelos
canais de distribuição reversos específicos. Constituem se bens de pós-consumo
os produtos em fim de vida útil ou usado com possibilidade de utilização e resíduos
industriais em geral.
Seu objetivo estratégico é o de
agregar valor a um produto logístico constituído por bens inservíveis ao proprietário
original, ou que ainda possuam condições de utilização, por produtos descartados por
terem atingido o fim de vida útil e por resíduos industriais. Estes produtos de
pós-consumo poderão se originar de bens duráveis ou descartáveis e fluírem por canais
reversos de reuso, desmanche e reciclagem até a destinação final.
Na figura 5 resumimos o campo de
atuação da logística reversa por meio de
principais etapas dos fluxos reversos nas duas áreas de atuação citadas, observando-se
a sua interdependência.
A logística reversa de pós-venda
deve, portanto, planejar, operar e controlar o fluxo de retorno dos produtos de pós-venda
por motivos agrupados nas classificações: Garantia / Qualidade ,
Comerciais e de Substituição de Componentes.
Classificam-se como devoluções por
Garantia / Qualidade, aquelas nas quais os produtos apresentam defeitos de
fabricação ou de funcionamento (verdadeiros ou não), avarias no produto ou na
embalagem, etc. Esses produtos poderão ser submetidos a consertos ou reformas que os
permitam retornar ao mercado primário, ou a mercados diferenciados que denominamos
secundários, agregando-lhes valor comercial novamente.
Na classificação
Comerciais, são destacadas a categoria de Estoques, caracterizada
pelo retorno devido a erros de expedição, excesso de estoques no canal de
distribuição, mercadorias em consignação, liquidação de estação de vendas , pontas
de estoques, etc., que serão retornados ao ciclo de negócios pela redistribuição em
outros canais de vendas.
Figura 5 Foco de atuação da logística reversa
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A classificação
Substituição de Componentes decorre da substituição de componentes de bens
duráveis e semiduráveis em manutenções e consertos ao longo de sua vida útil e que
são remanufaturados, quando tecnicamente possível, e retornam ao mercado primário ou
secundário, ou são enviados à reciclagem ou para um destino final, na impossibilidade
de reaproveitamento.
A logística reversa de pós-consumo
deverá planeja, operar e controlar o fluxo de retorno dos produtos de pós-consumo ou de seus materiais constituintes,
classificados em função de seu estado de vida e origem: Em condições de
uso, Fim de vida útil, e Resíduos industriais.
A classificação Em condições de uso refere-se às
atividades em que o bem durável e semidurável apresenta interesse de reutilização,
sendo sua vida útil estendida adentrando no canal reverso de Reuso em mercado
de segunda mão até atingir o fim de vida útil, constituindo o looping
apresentado na figura 2.
Nas atividades da classificação Fim de vida útil, a logística
reversa poderá atuar em duas áreas não destacadas no esquema : dos bens duráveis ou
descartáveis. Na área de atuação de duráveis ou semiduráveis, estes entrarão no
canal reverso de Desmontagem e Reciclagem Industrial;
sendo desmontados na etapa de desmanche, seus componentes
poderão ser aproveitados ou remanufaturados, retornando ao mercado secundário ou à
própria industria que o reutilizará, sendo uma parcela destinada ao canal reverso de
Reciclagem.
No caso de bens de pós-consumo
descartáveis, havendo condições logísticas, tecnológicas e econômicas, os produtos
são retornados por meio do canal reverso de Reciclagem Industrial, onde os
materiais constituintes são reaproveitados e se constituirão em matérias-primas
secundárias, que retornam ao ciclo produtivo pelo mercado correspondente, ou no caso de
não haver as condições acima mencionadas,
serão destinadas ao Destino Final, os aterros sanitários, lixões e
incineração com recuperação energética.
2.6 O CICLO DE VIDA ÚTIL DOS PRODUTOS E A LOGÍSTICA
REVERSA
Seria infindável a lista de autores
analisando o acelerado ritmo de redução do ciclo de vida dos produtos nas últimas
décadas, como forma e busca de diferenciação mercadológica, motivada por evoluções
técnicas de performance em processo ou na aplicação, motivada pela redução de custos
em geral e em particular os logísticos, além de outras razões.
Em 1970, foram lançados1.365 novos
produtos nos Estados Unidos; em 1986, este número foi de 8.042; em 1991, o número
cresceu para 13.244 e, em 1994, alcançou a marca de 20.074 novos produtos lançados, de
acordo com dados de New Products News.
Exemplo clássico de bens como ciclo
de vida rapidamente decrescentes são o dos computadores e seus periféricos, que se
revelam expressivos na visão da logística reversa quando observamos alguns dados o
Instituto Gartner Group estimando em 680 milhões as vendas de computadores no ano de 2005
e de 150 milhões o número deles que serão descartados somente nos Estados Unidos. O
nível de obsolescência atual naquele país é de 2:3, ou seja, a cada três computadores
produzidos dois tornam-se obsoletos, com tendência de que esta razão se torne 1:1 nos
próximos anos.
Em 1960, a produção mundial de
plásticos era de 6 milhões de toneladas por ano e, em 1994, passou a 110 milhões de
toneladas. No Brasil, a produção de plásticos teve um aumento de cerca de 50% entre os anos de 1993 e 1998, valores altos quando
comparados com o crescimento dos metais comuns. Ainda o Brasil, o consumo de garrafas
descartáveis de PET (denominação da resina constituinte Polietileno Tereflalato) usadas
como embalagem de refrigerantes e outras bebidas, iniciou-se em 1989 e alcançou níveis
de produção de 6 milhões de garrafas por ano em 1998, o que corresponde a mais de 70%
da embalagem do setor de refrigerantes. Este expressivo crescimento é devido
principalmente à sua transparência e duas
vantagens logísticas na distribuição direta, substituindo a embalagem de vidro
retornável.
Um dos indicadores do crescimento
desta descartabilidade é o aumento do lixo urbano em diversas partes do
mundo, conforme comprovam os dados da Prefeitura Municipal de São Paulo, através do
Limpurb (departamento de limpeza pública urbana da cidade de São Paulo): o lixo urbano
cresceu de 4.450 t/dia em 1985 para 16.000 t/dia em 2000, na cidade de São Paulo,
decrescendo as quantidades de lixo orgânico e aumentando a de produtos descartáveis.
Figura 6 O impacto da redução do ciclo de vida
útil dos produtos na logística reversa
|
O esquema na figura 6 sintetiza a idéia
de como a crescente descartabilidade dos produtos tende a tornar mais expressiva a
atuação da logística reversa, tanto no setor de pós-venda como no de pós-consumo.
Tecnologia, marketing, logística e outras áreas empresariais, por meio da redução de
ciclo de vida de produção, geram necessidades de aumento de velocidade operacional de um
lado, e provocam exaustão acelerada dos meios tradicionais de destinos dos produtos de
pós-consumo.
A obsolescência e a
descartabilidade crescentes dos produtos observadas nesta última década têm-se
refletido em alterações das estratégias dentro das próprias organizações e,
principalmente, em todos os elos de sua rede operacional. Essas alterações se traduzem
por aumento de velocidade de resposta desde a concepção do projeto do
produto até sua colocação no mercado, pela adoção de sistemas de alta
flexibilidade operacional que permitam, além da velocidade do fluxo
logístico, a capacidade de adaptação constante às exigências do cliente. A ainda
adoção de responsabilidade ambiental em relação aos seus produtos após
o consumo, identificado como EPR (Extend Product Responsibility), a chamada
Extensão de Responsabilidade ao Produto.
Explica-se, desta forma , a
crescente implementação da logística reversa em empresas líderes do mercado em
diversos setores, constituindo-se parte integrante de suas estratégias empresariais.
2.7 OBJETIVOS ESTRATÉGICOS DA LOGÍSTICA REVERSA NAS
EMPRESAS
Vimos anteriormente que a idéia principal
da logística reversa é a de agregar valor de alguma natureza às empresas, pelo retorno
dos bens ao ciclo de negócios ou produtivo. A natureza de valor agregado, ou recapturado,
varia entre os setores empresariais e em seus diversos segmentos de negócios. Em
conseqüência, observa-se um espectro de aplicações e de interesses na implementação
e de interesses na implementação de retorno de bens de pós-venda e de pós-consumo, bem
como diferentes estágios tecnológicos de aplicação da logística reversa entre os
diversos setores empresariais, conforme se poderá constatar ao longo destes artigos.
Certamente, o objetivo estratégico
econômico, ou de agregação de valor monetário, é o mais evidente na implementação
da logística reversa nas empresas. Porém, observa-se que mais recentemente dois novos
fatores incentivam decisões empresariais em sua adoção : o fator competitividade e o
ecológico. A análise a seguir considera exemplos de aplicações da logística reversa,
nos quais alguns desses objetivos se destacam de forma mais nítida, embora sempre existam
outros ganhos ou valores agregados simultâneos que se traduzem como ganhos empresariais
marginais.
O objetivo estratégico econômico
na logística reversa de pós-venda evidencia-se, por exemplos, na comercialização de
saldos ao final de estação ou de promoções de vendas no varejo, que serão
comercializados em mercados secundários de ponta de estoques, outlets e lojas de
tudo por l dólar . A redistribuição proveniente de excesso de estoques em canais
propicia excelentes resultados econômicos quando direcionada à regiões de melhor giro,
tanto no mercado nacional como em mercados internacionais, aproveitando a diferença de estações climáticas entre
hemisférios.
O objetivo estratégico econômico
na logística reversa de pós-consumo pode se constituir, por exemplo, na economia
realizada pelo aproveitamento de ligas de chumbo de baterias usadas que são
reutilizadas integralmente na fabricação de baterias novas, de ligas de alumínio das
latas de bebidas descartadas igualmente utilizadas na fabricação de latas novas.
Esses casos ou setores em que o produto de pós-consumo é aproveitado devido à sua
matéria-prima constituinte representam normalmente estratégias de viabilidade econômica
do setor. O comércio de bens durável usados, como automóveis e máquinas operatrizes e
geral, representa importantes atividades econômicas.
O exemplo do canal reverso de reuso e remanufatura de copiadoras da Xerox nos Estados
Unidos (CLM, 1993:177).
A empresa Xerox, como estratégia de
comercialização de suas copiadoras, estabeleceu desde 1960 uma rede reversa, utilizando
a coleta do tipo Take-Back, desmontagens dos produtos, seleção de destino e
reutilização dos mesmos, com ou sem remanufatura, em produtos novos de sua linha, dando
as mesmas garantias e repassando as economias de custos aos seus clientes, além da
recompra dos equipamentos, garantindo um nível de competitividade elevado no mercado. O
projeto do produto foi idealizado de forma a facilitar a desmontagem e componentes de alta
intercambialidade, garantindo flexibilidade em sua reutilização.
O esquema da empresa nos Estados
Unidos, constituída por 50 centros de distribuição reversos operados por empresas
terceirizadas, dois centros nacionais de distribuição reversa e diversas plantas e
remanufatura ao longo do país.
As empresas Dupont e Welman, nos
Estados Unidos, adotaram a logística reversa como estratégia em suas empresas, montando
redes reversas que permitem a recuperação de valor de filmes e outros produtos de
poliéster descartados, como matéria-prima secundária na fabricação de novos produtos,
como fibras de poliéster para tapetes, acolchoados, confecções esportivas, agasalhos,
etc.
O objetivo ecológico ou de imagem
corporativa na logística reversa constituem-se de ações empresariais que visam
contribuir com a comunidade pelo incentivo à reciclagem de materiais, à alterações de
projeto para reduzir impactos ao meio ambiente, entre outros. A substituição da
embalagem de poliuretano pelo papel no grupo
McDonald´s visando a redução do impacto e melhoria em reciclagem e o projeto do
automóvel Volvo reciclável, no qual as condições de desmontagem foram facilitadas,
são exemplos de objetivos desta natureza.
O objetivo de competitividade por
diferenciação de nível de serviço ao cliente evidencia-se pelos exemplos da empresa
farmacêutica Bristol-Meyrs Squibb, que estabeleceu a logística reversa como prioridade
estratégica visando equacionar o retorno de
medicamentos que perdem validade no mercado, oferecendo um nível de serviço diferenciado
a seus clientes.
A empresa de cosméticos americana
Estée-Lauder, além de oferecer um serviço diferenciado a seus clientes ao implantar
tecnologia de informação em sua logística reversa, obteve enormes economias pela
redução de perdas e pela possibilidade de redistribuição de produtos.
As conhecidas empresas varejistas
Wall Mart, Kmart e Sears possuem diversos centros de distribuição reversos nos Estados
Unidos , e contratam terceiros para operá-los de forma a dar suporte ao crescimento de
devolução de produtos, função de políticas de liberalização de devolução
espontânea de mercadorias.
O objetivo de satisfação de
legislação na logística reversa é caracterizada por situações em que existem
impedimentos de destinação final de um produto. A legislação obriga ao fabricante a coleta e destino dos
produtos de pós-consumo, obrigando os diversos elos da cadeia a aceitar devoluções de
embalagens de seus clientes e a responsabilizar pelo retorno de produtos perigosos.
Empresas de óleo lubrificante, lâmpadas fluorescentes, bateria de celulares, entre
outros produtos, no Brasil são responsáveis pela logística reversa de retorno de seus
produtos de pós-consumo de acordo com legislação expressa.
Observe-se que os diversos objetivos acima mencionados não são independentes e
poderão ocorrer simultaneamente. A Figura 8 resume algumas idéias de revalorização nas duas categorias de fluxos reversos.
Nos Estados Unidos, pesquisas estimam em cerca de US$ 35 bilhões os custos de retorno de
bens em 1997, ou, cerca de 0,5% do PNB do país, ou 4% dos custos logísticos totais (US$
862 bilhões em 1997). Somente o mercado de peças de automóveis remanufaturadas naquele
país foi de US$ 36 bilhões em 1997, de acordo com a Automobile Parts Rebuilders
Association, com a atuação de 12 mil empresas de desmontagem de automóveis e de
remanufatura de peças em atividade atualmente o país.
Pesquisa em setores compreendendo
computadores, equipamentos de rede, equipamentos de automação, embalagens retornáveis e
eletrodomésticos da linha branca, ainda nos Estados Unidos , estimou que o
custo total da logística reversa foi de US$4,7 bilhões
em 1996, com uma previsão de atingir US$ 7,7 bilhões no ano 2000.
O instituto de pesquisa em
informática Gartner Group prevê um valor de US$11 bilhões de retorno de bens no
segmento do e-commerce nos Estados Unidos, um dos setores de maior potencial para a
logística reversa.
Acrescentando a estes dados do
segmento de pós-venda outros exemplos na área da logística reversa de pós-consumo, tal
como a indústria de ferro/aço que consome mais de 30% de matérias-primas
secundárias - , a industria do alumínio (cerca de 20%), a do plástico (cerca de 20%), pode-se avaliar a importância
para estes setores do fluxo de matérias-primas secundárias garantidas pela logística
reversa na mesma proporção com que compõem o produto de venda destes setores. Ou seja,
que o valor econômico movimentado pela logística reversa na cadeia do ferro/aço, por
exemplo, é de mais de 30% do valor de venda
do produto do setor (no Brasil, mais de US$ 2 bilhões / ano). Sendo áreas de longa
tradição, muitas vezes os valores econômicos envolvidos na atividade são considerados
parte integrante do negócio do setor.
CAPÍTULO 3
O USO DA LOGÍSTICA REVERSA SOB A ÉTICA DAS EMPRESAS.
3.1 TOMRA LATASA: A LOGÍSTICA DA RECICLAGEM
No inicio do segundo semestre de 2001, com
o objetivo de ampliar a coleta de latas de alumínio e entrar no segmento de garrafas
plásticas PET, a Tomra Latasa Reciclagem colocou em
operação, na cidade do Rio de Janeiro, um projeto-piloto de logística reversa pioneiro.
Batizado Replaneta, o projeto consiste numa rede de coleta formada por oito postos,
instalados no estacionamento das lojas dos supermercados Extras, equipados com duas
máquinas Reverse Vending Machines (RVM), desenvolvidas pela Tomra, as primeiras em
operação no Brasil. A Tomra Latasa Reciclagem foi criada em março de 2001, quando a
norueguesa Tomra Systems ASA, líder mundial em soluções para reciclagem, comprou a
brasileira Latasa, maior fabricante de latas de alumínio do país.
Há mais de uma década, a Latasa
foi pioneira no Brasil na criação de um Programa Permanente de Reciclagem . De lá para
cá, desenvolveu uma série de projetos e promoções para estimular a formação de uma
industria recicladora, tais como o Projeto Escola, por meio do qual as instituições de
ensino trocam latas de alumínio por equipamentos didáticos e paradidáticos ; Projeto
Praia Limpa; Sede de Saber; Vá Catar Lata; entre outros. Todos esses programas de
incentivo à reciclagem contribuíram para a disseminação do reaproveitamento de
materiais, sobretudo da lata de alumínio, que hoje coloca o país na liderança mundial
de reciclagem desse material em 2001 foi de 85% em relação à produção.
Com o ingresso da Tomra Systems ASA
no negócio, no ano passado, nasceu a Tomra Latasa Reciclagem , que começa a voltar-se
também para a reciclagem das garrafas PET. O objetivo da empresa, agora é, aumentar a
coleta dessas embalagens , cuja reciclagem , atualmente no Brasil é de 24%.
A Tomra, com sede na Noruega, está
presente em 36 países e é responsável pelo funcionamento de 45 mil máquinas do tipo
Reserse Vending Machines espalhadas pelo mundo.
Os postos localizados na
Tijuca, Barra da Tijuca, Boulevard, Niterói, Ilha do Governador, Alcântara, Nova Iguaçu
e Maracanã está equipado com duas RVMS. Nestas máquinas, com capacidade para
receber uma embalagem por segundo, o próprio consumidor introduz a embalagem, que tanto
pode ser a lata de alumínio quanto a garrafa
PET. Em seguida, o equipamento emite automaticamente um cupom que indica a quantidade de
embalagens inseridas e o valor em dinheiro daquela operação de coleta. Pagam R$
0,01 por garrafa PET e R$ 0,02 por lata de alumínio , os cupons emitidos são
utilizado na compra de qualquer produto dentro do supermercado.
No momento em que a embalagem é
colocada na máquina, um leitor ótico faz a identificação do tipo de material,
separando o alumínio e o plástico. No caso do PET, há ainda uma segunda
operação de triagem que utiliza a cor como parâmetro. Ou seja, separa as garrafas pelas
cores verde, âmbar e cristal, para facilitar o acondicionamento das embalagens na área
de armazenamento.
Cada posto de coleta do Replaneta,
que funciona 24 horas ininterruptamente, ocupa um área de 45 m² (o equivalente a quatro
vagas de estacionamento), onde ficam as duas máquinas e uma balança para pesagem do
material coletado. Outros 30 m² são destinados à área de armazenagem, que abriga dois
contêineres fixos de 20 pés, um para as latas e outro para o PET.
Segundo Gerude Filho, coordenador da
área de Logística da Tomra Latasa, a escolha da capital fluminense como base para o
lançamento do projeto-piloto foi conseqüência natural de um trabalho que a Tomra Latasa
já vinha desenvolvendo na região. Instalamos no Rio de Janeiro porque foi lá que
começamos o projeto de troca de latas e PET por cupons. Alguns dos pontos em que o
projeto está em operação atualmente já comportavam postos de troca manual, formados
por contêiner e um atendente que pesava o material. Portanto, havia uma fidelização dos
clientes, e avaliamos que implementando um avanço tecnológico naqueles locais
corríamos menos riscos de não-aceitação do Replaneta por parte da população,
uma vez que já havia sido criado o hábito de descartar as embalagens ,
acrescentando que o projeto começou a ser implantado nesses pontos, avançando em seguida
para outras regiões da cidade.
Segundo Gerude Filho, a automação do processo apresentou
um salto qualitativo na logística da empresa Primeiro , porque o Replaneta
viabilizou a coleta do PET, o que antes não fazíamos. Segundo, pelo fato de a máquina
fazer a separação das latas de alumínio e do PET, e desde por cor, ganhamos muita na
hora de acondicionar esse material. Os fardos saem dos pontos de coleta enfardados por
cor, eliminando assim esta operação no nosso Centro de Coleta , diz o coordenador,
acrescentando que a separação por cor traz, ainda, ganhos na venda do produto.
Existe diferença de preço se o PET estiver misturado. Por exemplo , se eu vender o PET verde justamente com o cristal tenho um
preço, se ele estiver separado por cor, há outro, destaca, acrescentando que o
parceiro da empresa no projeto , o Extra, também está colhendo benefícios.
Percebemos que o projeto gerou uma grande impacto junto à população em relação
à imagem do supermercado. Outra coisa que notamos é que o cupom de troca, emitido na
coleta, aumenta o ticket padrão de compras em torno de 20% a 30%. O cliente vai à loja
com um cupom do Replaneta de R$ 1,00, mas consome sempre de R$ 1,20 A R$ 1,30.
Ainda sobre os resultados, o
coordenador destaca a ampliação efetiva na coleta de material. O volume aumentou
substancialmente, atingindo em torno de 35% a mais em relação aos postos de troca
antigos, diz Gerude Filho, lembrando a sazonalidade típica da indústria de
reciclagem. No verão , em função do aumento no consumo de bebidas envasadas
neste tipo de embalagem, coletamos muito mais que n inverno. Estamos , ainda, sujeitos a
alguns eventos que acontecem fora da operação e que causam um impacto direto na
quantidade coletada. Por exemplo, em novembro do ano passado, o rompimento de uma
tubulação de esgoto da Cedae (Companhia de Águas e Esgotos), do Rio, contaminou a água
potável, o que elevou muito o consumo de água mineral, aumentando, conseqüentemente , o
volume da coleta em todos os nossos postos. Só para se ter uma idéia, no Replaneta da
Tijuca subiu de 63 mil, em outubro , para 107 mil , em novembro, exemplifica.
Se por um lado esses eventos
promovem o crescimento do volume de coletado, que é a meta essencial do projeto , por
outro acarretam problemas que aumentam a complexidade do processo logístico. Essa
é uma das grandes dificuldades da logística reversa, porque não temos a previsibilidade
da demanda, não sabemos como o consumidor vai se comportar. A questão é que há uma
área limitada para fazer o estoque do material e, de repente, o volume explode, motivado
por um evento externo, interferindo nos processos de armazenagem e distribuição,
obrigando-nos a realizar alterações imediatas na operação. Por isso, é necessário
monitorar diariamente o comportamento da coleta observa o coordenador.
Com o Replanete instalado e
operando, foi possível redesenhar alguns pontos do projeto original, promovendo mudanças
no sentido de corrigir alguns problemas, dar maior agilidade às operações e reduzir
custos. Mudamos , primeiro , o modal de transporte. Na operação manual,
precisávamos de caminhões de três tamanhos diferentes. Agora, estamos operando apenas
com um veículo, que tem chassi alongado de 10 metros , o que deu maior capacidade de
transporte por volume e não peso. Além disso, mudamos a maneira de acondicionar as embalagens, porque percebemos que estávamos
tendo um aproveitamento pequeno na área de armazenamento. Então , eliminamos os sacos e
passamos a usar big bags para acondicionar os PETs, o que permitiu um aproveitamento de
praticamente 100% da área de armazenamento vertical. Com isso, ganhamos tempo no manuseio
e consolidação da carga, reduzindo ainda os custos com os sacos , explica Gerude
Filho, informando que a Tomra Latasa promoveu, também, um estudo sobre o tempo para
carregar o caminhão e do trajeto entre um ponto e outro, melhorando sua eficiência.
Com as mudanças do modal, na maneira de acondicionar as embalagens e melhoria no
tempo de manuseio e transporte de carga, atingimos uma
redução de 43,73% no número de diárias por mês do caminhão , cujo
serviço é terceirizado , destaca o coordenador de logística.
Segundo ele, com essas mudanças,
mesmo numa situação de aumento imprevisto da demanda, a empresa está constantemente
preparada para dar uma solução bastante ágil aos problemas ultima hora. Para
não nos deparamos mais com explosões de volume, passamos a fazer uma coleta pró-ativa.
Ou seja, quando a capacidade de armazenamento nos Replanetas atinge algo em torno de 70%,
coletamos o material , diz Gerude Filho, explicando que a coleta pode não esvaziar
o estoque do ponto. A idéia é otimizar o frete, fazendo com que o caminhão
recolha o material em pelo menos três Replanetas por dia. Para que esta meta seja
atingida, precisamos eliminar a retirada do material por ponto, de tal forma que o estoque
dos três Replanetas caiba no caminhão.
O material armazenado nos
contêineres dos Replanetas é retirado pela empresa transportadora e segue para o Centro
de Coleta da Tomra Latasa, localizado em São Cristóvão. Lá, as latas de alumínio
passam por processos de compactação e enfardamento, enquanto os PETs seguem para uma
empresa terceirizada, onde é feito seu enfardamento. Desse ponto, dirige-se a um terceiro
Replaneta depois de carregar o caminhão
repete o roteiro de descarga anterior.
Do centro de coleta do Rio de Janeiro
a empresa conta com sete centros em todo o país, depois de consolidada, a carga
formada pelas latas de alumínio segue para a cidade de Pindamonhangaba, no interior de
São Paulo, onde está instalada a refusora da Tomra Latasa, que recicla o alumínio em
lingotes ou cadinhos. Já as garrafas de PET são encaminhadas para uma industria de
reciclagem, parceria da Tomra Latasa, localizada na cidade de São Paulo, onde serão
transformadas em flake ou pellet.
No caso da lata, e empresa realiza o
ciclo completo da reciclagem , da coleta até a transformação em matéria-prima. Já o
PET, até o momento, os processos de compactação e enfardamento até a reciclagem para
torna-lo novamente matéria-prima são terceirizados.
Nossa intenção é evoluir
para colocar no mesmo espaço do Centro de Coleta, a compactação e enfardamento da lata
e do PET, um prazo de aproximadamente seis meses. Dessa forma, vamos eliminar dois ponto
no roteiro, que são as duas descargas, num mesmo dia, do PET na empresa terceirizada, e
consolidaremos a carga destinada à reciclagem num só local, explica Gerude Filho,
acrescentando que a multinacional também está finalizando um projeto de compactação do
material no próprio Replaneta. A idéia é compactara embalagem, seja PET ou lata,
no próprio ponto de coleta o que irá proporcionar uma redução de 60% a 70% no volume
estocado , comenta o coordenador de logística. E acrescenta : A grande
dificuldade é conseguir ter processo eficiente para viabilizar a coleta do PET, porque o
valor agregado dele é muito mais baixo do que o da lata. Por isso, precisamos de mais
volume e maior eficiência. E a sua compactação no Replaneta é uma das maneiras de
obter essa eficiência, uma vez que , ao compactar o material, no lugar de transportar
peso, muito mais quantidade e, conseqüentemente, otimizar o frete. Com isso, estimamos
uma redução no custo do frete em torno de 60%.
A empresa também não descarta a
possibilidade de completar o ciclo de reciclagem do PET, assim como faz hoje com as latas
de alumínio. A idéia é formar uma rede de coleta consistente, que possa
viabilizar, no futuro, a montagem de uma planta para reciclar o PET. Porque, ao contrário
da logística normal, cuja filosofia é consolidar os centros de distribuição, nós
temos de ampliar nossa rede de coleta, ter capilaridade, porque essa é a essência da
logística reversa, acentua o coordenador de Logística da Tomra Latasa , que já
está desenvolvendo estudos de viabilidade para o PET. Não adianta ter uma planta,
com processos bem desenvolvidos, mas sem uma
rede consistente de coleta. Hoje, muitas recicladoras coletam o PET em lixões, demandando
um grande investimento financeiro só para limpar e descontaminar a embalagem . No caso da
Replaneta, como o material sai do consumidor direto para a rede de coleta, a embalagem é
muito mais limpa. E esse é um diferencial competitivo, afirma Gerude Filho.
Quanto à possibilidade de expandir
a área de atuação do Replaneta , Gerude Filho declara que a empresa tem intenção de,
além de aumentar o número de postos no Rio, levar o projeto para São Paulo ainda este
ano. Vamos focar principalmente nas grandes capitais, finaliza.
3.2 ALCAN A MAIOR RECICLADORA DA AMÉRICA
LATINA
No Brasil temos a
empresa ALCAN - A maior recicladora da América Latina como exemplo.
O Brasil atingiu novo recorde nacional de reciclagem de latas de alumínio com um índice
de 85% do total de latas disponível no mercado brasileiro. A atuação da Alcan fez do
Brasil um dos líderes mundiais em reciclagem, uma vez que a empresa consome 55% do total
processado.
"A Alcan é a maior consumidora individual de sucatas de latas de alumínio do
Brasil", afirma Paulo Lara, diretor de Planejamento e Reciclagem - Alcan Laminados.
"Em 2001, foram processadas pela Alcan cerca de 66 mil toneladas de latas de
alumínio, sem contar com os retalhos de processos de fabricação dos fabricantes de
latas e da própria empresa", informa Paulo.
A Alcan foi a primeira empresa do Brasil a reciclar alumínio como um negócio integrado
às suas operações e hoje é a maior recicladora da América Latina. A reciclagem é
mais um processo que a Alcan utiliza para aproveitar todas as propriedades do alumínio, o
único metal não-ferroso infinitamente reciclável. Hoje, a empresa trabalha com um fluxo
de retorno permanente que permite uma economia de até 95% em relação à energia
utilizada para produzir alumínio primário. O resultado é a diminuição de desperdício
e a preservação da Natureza.
Esta operação gera economia de energia elétrica e minério: a produção de uma
tonelada de alumínio reciclado economiza cinco toneladas de bauxita, responsável pela
fabricação do alumínio.
O Centro de Reciclagem da Alcan, em Pindamonhangaba - interior de São Paulo, tem
capacidade para processamento de 80 mil toneladas/ano. A reciclagem tem papel estratégico
na companhia, na medida em que cumpre uma função social, econômica e ecológica.
Atualmente, a reciclagem é uma alternativa de renda para cerca de 150 mil pessoas vivem
da reciclagem do alumínio no país. O kg da lata de alumínio rende hoje 33 vezes mais
que a lata de aço, 39 vezes o valor do vidro colorido e 6 vezes mais que o PET.
Na Alcan a preocupação com o Meio
Ambiente é um compromisso de extrema importância.
No Brasil, a empresa conta com uma equipe que gerencia o Sistema de Gestão Ambiental
(SGA), que visa identificar todos os aspectos e impactos ambientais, definindo projetos e
metas claras para sua solução. O SGA foi implementado de acordo com as normas do Comitê
de Meio Ambiente da Alcan mundial e a Política Ambiental. Todas as cinco fábricas da
Alcan no país - Santo André, Aratu, Mauá, Ouro Preto e Pindamonhangaba - possuem
certificação IS014001.
Outro exemplo é a empresa Fujitsu ,
umas das principais empresas japonesas fabricantes de computadores, que criou um sistema
de reciclagem de seus produtos.
Diante
da realidade do comércio mundial, onde uma das características básicas é o dinamismo,
transformando o novo em ultrapassado num espaço de tempo relativamente curto, somado as
crescentes exigências dos consumidores, assim como o acirramento da concorrência, a
sobrevivência da empresa baseia-se na sua capacidade de atender todas essas exigências
sem, no entanto, perder o foco no seu objeto principal, ou seja, na qualidade de seus
produtos ou serviços sempre buscando, mais do que a satisfação de seus clientes
é preciso superar as expectativas dos mesmos, colocando-se em posição de destaque no
segmento de mercado em que atua.
Com a necessidade de encontrar
estratégias eficazes muitas empresas acabaram por absorver uma gama de teorias
administrativas que foram surgindo na tentativa de instrumentalizar as empresas para
enfrentarem o novo contexto mercadológico, ao ponto de provocarem um desgaste tanto de
seu pessoal quanto de seus clientes. Muitas vezes as novas teorias fracassaram por falta
de conhecimento ou por pouco comprometimento de todos os setores da empresa. Dentre as
teorias surgidas, a logística que inicialmente parecia mais um modismo administrativo,
com todas as mudanças geradas com os avanços tecnológicos e da quebra das barreiras
comerciais foi ganhando importância crescente tornando-se atualmente fator decisivo para
a empresa manter-se no mercado.
No sucesso comprovado de algumas empresas
outras tantas tentaram implantar a logística no entanto, na falta ou pouco conhecimento
sobre os fatores que implicam no processo logístico, recursos foram desperdiçados e o foco principal da empresa foi
descaracterizado.
Paralelamente as
empresas que obtiveram sucesso com a logística passaram a aperfeiçoa-la chegando a um
nível de qualificação e capacitação que alavancaram de forma considerável seus
negócios.
No caso da
logística reversa, verifica-se que diante das ações que visam a preservação do meio
ambiente, visando o desenvolvimento sustentável, o planejamento eficiente da mesma
tornou-se fundamental não só para as empresas, mas também para a sociedade como um
todo.
Como exemplo da
relevância da logística reversa, tem-se que no ano de 2000 o Brasil reciclou mais de 7,4
bilhões de latas de alumínio, que representa 111 mil toneladas. O material é recolhido
e armazenado por uma rede de aproximadamente 2 mil sucateiros, responsáveis por 50% do
suprimento de sucata de alumínio à indústria. Outra parte é recolhida por
supermercados, escolas, empresas e entidades filantrópicas. O mercado brasileiro de
sucata de latas de alumínio movimenta US$ 129 milhões por ano. As latas corresponderam a
82,3 mil das 182 mil toneladas de sucata de alumínio disponíveis para reciclagem em
1999. Com liga metálica mais pura, essa sucata volta em forma de lâminas à produção
de latas ou é repassada para fundição de autopeças. 78% da produção nacional de
latas é reciclada. Em 1999, o índice foi de 73%. Os números brasileiros superam países
industrializados como Inglaterra e Alemanha (Reciclagem, 2002).
Pelo exposto,
conclui-se que a qualificação da logística reversa pode vir a contribuir de forma
significativa para o incremento da reutilização de materiais recicláveis. Ressalta-se
ainda a importância das especificidades de cada setor, como por exemplo do setor de
baterias, cuja logística reversa implica em cuidados que minimizem os riscos de
contaminação no manuseio das mesmas, bem como no transporte do consumidor para a
empresa.
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dezembro/2.002
Carla Ferreira,
Centro Universitário Assunção - UniFAI
São Paulo
Trabalho de conclusão de Curso apresentado no Curso de
Administração de Empresas para obtenção de grau de Bacharel em Administração de
Empresas.
Orientador: Prof. Sylvio Quintino Júnior
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