LOGÍSTICA REVERSA : ASPECTOS IMPORTANTES PARA A ADMINISTRAÇÃO DE EMPRESAS

Introdução
 

Decidiu-se abordar este tema para propiciar ao leitor ou pesquisador o conceito de sistema Logístico Reverso e de fazer um levantamento dos elementos que o compõem, e dos conceitos e técnicas de análise que possam ser úteis no projeto e administração do mesmo.
A logística reversa é ainda, de maneira geral, uma área com baixa prioridade. Isso se reflete no pequeno número de empresas que têm gerências dedicadas ao assunto. Pode-se dizer que estamos em um estado inicial no que diz respeito ao desenvolvimento das práticas de logística reversa. Essa realidade está mudando em resposta às pressões externas, como um maior rigor de legislação ambiental, a necessidade de reduzir custos e a necessidade de oferecer mais serviços por meio de políticas de devolução mais liberais.
Essa tendência deverá gerar um aumento do fluxo de carga reverso e, é claro, de seu custo. Por conseguinte, serão necessários esforços para aumento de eficiência, com iniciativas para melhor  estruturar os sistemas de logística reversa. Deverão ser aplicados os mesmos conceitos de planejamento do fluxo logístico direto, tais como estudos de localização de instalações e aplicações de sistemas de apoio à decisão (roteirização, programação de entregas, etc.).
Isto requer vencer desafios adicionais, vista ainda a necessidade básica de desenvolvimento de procedimentos padronizados para a atividade de logística reversa. Principalmente quando nos referimos à relação indústria - varejo, notamos que este é um sistema caracterizado predominantemente pelas exceções, mais que pela regra. Um dos sintomas dessa situação é praticamente a inexistência de sistemas de informação voltados para o processo de logística reversa.
Sendo assim, este trabalho tem por intuito fornecer alguns conceitos e noções dessa área, que hoje está em ascensão e procurou-se desenvolvê-lo em linguagem clara e acessível, até mesmo para aqueles estudantes, pesquisadores e até profissionais de outras áreas, que não possuam experiência neste tema e queiram fazê-lo.

CAPÍTULO 1

LOGÍSTICA EMPRESARIAL E INDUSTRIAL 

1.1  CONCEITO DE LOGÍSTICA
A palavra Logística  – de origem francesa (do verbo loger: “alojar”); era um termo militar que significava a arte de transportar, abastecer e alojar as tropas. Tornou, depois, um significado mais amplo, tanto para uso militar como industrial: a arte de administrar o fluxo de materiais e produtos, da fonte para o usuário.

1.2  CONCEITO DE LOGÍSTICA EMPRESARIAL
Logística Empresarial – Autor Ronald H. Ballou, Prof. Da Case Western Reserve University (EUA) procura dar ao profissional ou ao estudante uma visão geral sobre a administração do fluxo de bens e serviços em organizações orientadas ou não para o lucro, introduzindo a essência da logística empresarial, definindo sua missão e fazendo uma descrição de sua historia.
A definição de logística para o autor neste texto : Trata de todas as atividades de movimentação e armazenagem, que facilitam o fluxo de produtos (o termo produto utilizado inclui tanto bens como serviços) desde o ponto de aquisição da matéria-prima até o ponto de consumo final, assim como dos fluxos de informação que colocam os produtos em movimento, com o propósito de providenciar níveis de serviços adequados aos clientes a um custo razoável.
A ênfase serve como guias para a tomada de decisões levando ao leitor  ao discernimento, compreensão e desenvolvimento de habilidades, enfocando distribuição física, administração de materiais, nível de serviço, administração de trafego, manuseio e acondicionamento do produto e controles de estoques , entre outros.
       Os assuntos abordados pelo autor :
§    A distribuição física e a administração de materiais  introduzidos como as principais áreas da logística empresarial.
§    Fatores externos que tomam forma ao nível de serviços oferecidos aos clientes e no produto.
§    Compreensão básica de cada atividade e de sua operação.
§    Princípios úteis para o projeto de sistemas logísticos eficientes em sua operação e seu controle.
§    É qual a importância da logística no futuro.

O Sr. James L. Heskett, reitor adjunto do programa de mestrado em Administração de Empresas e professor de Marketing e Logística Empresarial na Harvard Business Scholl, diz que logística pode significar a diferença entre o sucesso e o fracasso nos negócios, ele explora as razões por trás do ressurgimento do interesse por este método de desenvolver vantagens competitivas, os elementos comuns de estratégica bem sucedidas orientadas para a  logística, as perguntas a serem feitas na revisão quanto até que ponto sua administração aproveitou as oportunidades de tornar a logística a parte integrante de sua estratégia, e as maneiras de transformar a logística em formulação estratégica.

Logística Empresarial – A Perspectiva Brasileira
Retrata a evolução da logística empresarial no Brasil. O conceito de logística empresarial é bastante recente no Brasil. O processo de difusão teve início, de forma ainda tímida, nos anos da década de 90, com o processo de abertura comercial, mas se acelerou a partir de 1994, com a estabilização econômica propiciada pelo plano Real.
O ambiente altamente inflacionário que caracterizou o país por cerca de duas décadas, combinado com uma economia fechada e com baixo nível de competição, levou as empresas a negligenciarem o processo logístico dentro das cadeias de suprimento, gerando um atraso de pelo menos 10 anos em relação às melhores práticas internacionais. Não havendo demanda por conhecimentos no setor produtivo, era natural que não surgissem ofertas de ensino, pesquisa e consultoria em logística empresarial no país. O Centro de Estudo em Logística (CEL), do Instituto Coppead de Administração é uma exceção a este padrão. Sua origem remonta ao início da década de 90, e está relacionada à iniciativa pioneira da Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga, que em 1991 tomou a iniciativa de propor ao Copped a criação da Cátedra Ipiranga de Estratégia de Operações, dedicada ao ensino, estudo e pesquisa na área de logística empresarial. A Cátedra Ipiranga gerou o núcleo inicial que deu origem ao CEL.
Os autores do Centro de Estudos em Logística – CEL apresentam e discutem os principais componentes do sistema logístico, ou seja, serviços ao cliente, transporte, estoque, armazenagem e informações. Uma série de ferramentas importantes para o planejamento e controle de estoques, custos, simulação e sistema de informações geográficas.

1.3  CONCEITO DE LOGÍSTICA INDUSTRIAL

Logística Industrial
Segundo o autor John F. Magee, Vice-Presidente Sênior, Arthur D. Little, Inc.  O conceito de sistema logístico e a tecnologia da logística tiveram um processo considerável desde a Segunda  Guerra Mundial . O conceito de sistema logístico tornou-se amplamente aceito e a administração, tanto privada como governamental, começa a reconhecer a necessidade de projetar e administrar o sistema logístico como um todo, ao invés de uma série de funções discretas e independentes.
O autor nos mostra como o sistema logístico de uma organização pode ser analisado, aperfeiçoado e administrado mais eficazmente e como os custos da distribuição física   podem ser substancialmente reduzidos.

O conceito de sistema logístico.
A administração da logística industrial visa maximizar o valor econômico dos produtos ou materiais tendo-os  disponíveis, a um preço razoável, onde e quando houver procura.
É importante ressaltar que o valor intrínseco de um bem são compostos pelas atividades de produção (características e forma física) e por sua localização.
O autor John F. Magee  conceitua todos os elementos ou componentes que formam o sistema logístico e as  variáveis mais importantes que afetam a eficiência do suprimento e distribuição industriais:

Elementos / componentes
§        Estoque de produtos;
§     Aquisição e controle da matéria-prima;
§        Meios de transporte e de entrega local;
§        Capacidade de produção e conversão;
§        Armazéns;
§        Comunicação e controle;
§        Recursos Humanos.

Variáveis
§          Número e localização das unidades produtivas;
§          Número e localização dos armazéns;
§          Meios de transportes;
§          Comunicações;
§          Meios de processamento de dados;
§          Disponibilidade de produto;
§          Segurança do atendimento;
§          Localização dos estoques do produto;
§          Projeto do produto.

CAPÍTULO 2

A LOGÍSTICA REVERSA

Logística Reversa (também conhecida como logística verde) – A empresa do futuro não se preocupará apenas em fabricar, vender e distribuir. O interesse pela conservação do meio ambiente fará com que elas também sejam responsáveis pelo recolhimento, tratamento e reciclagem dos resíduos de seus produtos, como ocorre atualmente em alguns países da Europa, no caso das baterias de telefone celular.

2.1  LOGÍSTICA REVERSA – UMA VISÃO SOBRE OS CONCEITOS BÁSICOS E AS PRÁTICAS OPERACIONAIS

Usualmente, pensando em logística como o gerenciamento do fluxo de materiais desde seu ponto de aquisição até o seu ponto de consumo. No entanto, existe também um fluxo logístico reverso, do ponto de consumo até o ponto de origem, que precisa ser gerenciado.
Esse fluxo logístico reverso é comum para uma boa parte das empresas. Por exemplo, fabricantes de bebidas têm de gerenciar todo o retorno de embalagens (garrafas) dos pontos de venda até seus centros de distribuição. As siderúrgicas usam como insumo de produção, em grande parte, a sucata gerada por seus clientes e, para isso, usam centros coletores de carga. A indústria de latas de alumínio é notável no seu grande aproveitamento de matéria-prima reciclada, tendo desenvolvido meios inovadores na coleta de latas descartadas.

Existem ainda outros setores da indústria nos quais o processo de gerenciamento da logística reversa é mais recente, como na indústria de eletrônicos, varejo e automobilística. Esses setores também têm de lidar com o fluxo de retorno de embalagens, de devolução de clientes ou do reaproveitamento de materiais para produção.
Este não é nenhum fenômeno novo e exemplos como o do uso de sucata na produção e reciclagem de vidro têm sito praticados há bastante tempo. Por outro lado, tem-se observado que   o escopo e a escala das atividades de reciclagem e reaproveitamento de produtos e embalagens têm aumentado consideravelmente nos últimos anos. Algumas das causas para isso são discutidas a seguir.

Questões Ambientais 

Existe uma clara tendência de a legislação ambiental caminhar no sentido de tornar as empresas cada vez mais responsáveis por todo o ciclo de vida de seus produtos. Isso significa ser legalmente responsável pelo seu destino após a entrega dos produtos aos clientes e pelo impacto que estes produzem  no meio ambiente.
Um segundo aspecto diz respeito ao aumento da consciência ecológica dos consumidores, que esperam que as empresas reduzam os impactos negativos de sua atividade no meio ambiente. Isso tem gerado ações por parte de algumas empresas que visam comunicar ao público uma imagem institucional  “ecologicamente correta” .

 Concorrência – Diferenciação por serviço.

 Os varejistas acreditam que os clientes valorizam as empresas que possuem políticas mais liberais de retorno de produtos. Essa é uma vantagem percebida na qual os fornecedores ou varejistas assumem os riscos pela existência de produtos danificados. Isso envolve, é claro, uma estrutura para recebimento, classificação e expedição de produtos retornados.
Esta é uma tendência que se reforça pela existência de legislação de defesa dos consumidores, garantindo-lhes o direito de devolução ou troca.

Redução de Custo

As iniciativas relacionadas à logística reversa têm trazido consideráveis retornos para as empresas. Economias com a utilização de embalagens retornáveis  ou com o reaproveitamento de materiais para produção têm trazido ganhos que estimulam cada vez mais novas iniciativas.
Além disso, os reforços em desenvolvimento e melhorias nos processos de logística reversa podem produzir também retornos consideráveis, que justificam os investimentos realizados.

2.2  O PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA E O CONCEITO DE CICLO DE VIDA

Nesta seção serão apresentados conceitos básicos relacionados à logística reversa e discutidos alguns dos fatores críticos que influenciam a eficiência dos processos a ela relacionada.
Por trás do conceito logístico reversa está um conceito mais amplo, que é o do “ciclo de vida”. A vida de um produto, do ponto de vista logístico, não termina com sua entrega ao cliente. Produtos se tornam obsoletos, danificados, ou não funcionam e devem retornar ao seu ponto de origem para serem adequadamente descartados, reparados ou reaproveitados.
Do ponto de vista financeiro, fica evidente que além dos custos de compra de matéria-prima, de produção, de armazenagem e estocagem, o ciclo de vida de um produto inclui também outros custos que estão relacionados a todo o gerenciamento do seu fluxo reverso.
Do ponto de vista ambiental, esta é uma forma de avaliar qual o impacto de um produto sobre o meio ambiente durante toda a sua vida. Essa abordagem sistêmica é fundamental  para planejar a utilização dos recursos logísticos de forma a contemplar todas as etapas do ciclo de vida dos produtos.

Figura 1 – Representação esquemática dos processos logísticos diretos e reversos

Materiais Novos Processo Logístico Direto
------>
------>
---Suprimentos---> ---Produção---> ---Distribuição--->
Materiais Reaproveitados <-------- Processo Logístico Reverso-----------


Nesse contexto, podemos então definir logística reversa como sendo o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo de matérias-primas, estoque em processo e produtos acabados (e seu fluxo de informação) do ponto de consumo até o ponto de origem, com o objetivo de recapturar valor ou realizar um descarte adequado.

O processo de logística reversa gera matérias reaproveitadas que retornam ao processo tradicional de suprimentos, produção e distribuição, conforme indicado na figura 1.
Esse processo é geralmente composto por um conjunto de atividades que uma empresa realiza para coletar, separar, embalar e expedir itens usados, danificados ou obsoletos dos pontos de consumo até os locais de reprocessamento, revenda ou de descarte.
Existem variantes com relação ao tipo de reprocessamento que os materiais podem ter, dependendo das condições em que estes entram no sistema de logística reversa. Os materiais podem retornar ao fornecedor quando houver acordos nesse sentido;  podem ser revendidos se ainda estiverem em condições adequadas de comercialização; podem ser recondicionados,  desde que haja justificativa econômica; podem ser reciclados se não houver possibilidade de recuperação.
Todas essas alternativas geram materiais reaproveitados, que entram de novo no sistema logístico direto. Em último caso, o destino pode ser o seu descarte final (Figura 2).

Figura 2 – Atividade típicas do processo logístico reverso

Materiais
Secundários
Retornar ao fornecedor  <---
Revender  <---
Recondicionar  <---
Reciclar  <---
Descartar  <---
<--Expedir--- <--Embalar--- <--Coletar--

<---------Processo Logístico Reverso-----------


2.3  CARACTERIZAÇÃO DA LOGÍSTICA REVERSA


A natureza do processo de logística reversa, ou seja, quais as atividades que serão realizadas, depende do tipo de material e do motivo pelo qual estes entram no sistema. Os materiais podem ser divididos em dois grandes grupos: produtos e embalagens. No caso de produtos, os fluxos de logística reversa se darão pela necessidade de reparo, reciclagem, ou porque, simplesmente, os clientes os retornam.

A tabela 1 abaixo  mostra taxas de retorno devido a clientes, típicas de algumas indústrias.
Note que  as taxas de retorno são bastante variáveis por indústria e que, em algumas delas, como na venda por catálogos, o gerenciamento eficiente do fluxo reverso é fundamental para o negócio.

Tabela 1 – Percentual de Retorno de Produtos.

INDÚSTRIA PERCENTUAL DE RETORNO
Vendas por catálogo 18 - 35%
Computadores 10 - 20%
Impressoras 04 - 08%
Peças automotivas 04 - 06%
Produtos eletrônicos 04 - 05%


 O fluxo reverso de produtos também pode ser usado para manter os estoques reduzidos, diminuindo o risco com a manutenção de itens de baixo giro. Esta é uma prática comum na indústria fonográfica. Como essa indústria trabalha com grande número de itens e de lançamentos, o risco dos varejistas ao adquirir  estoque se torna muito alto. Para incentivar a compra de todo o mix de produtos, algumas empresas aceitam a devolução de itens que não tiverem bom comportamento de venda. Embora esse custo da devolução seja significativo, acredita-se  que as perdas de vendas seriam bem maior caso não se adotasse essa prática.

No caso de embalagens, os fluxos de logística reversa acontecem basicamente em função da sua reutilização ou devido a restrições legais, como na Alemanha, por exemplo, que impede seu descarte no meio  ambiente. Como as restrições ambientais no Brasil com relação a embalagens de transporte não são tão rígidas, a decisão sobre a utilização de embalagens retornáveis ou reutilizáveis se restringe aos fatores econômicos.
Existe uma grande variedade de contêineres  e embalagens retornáveis, mas que têm um custo de aquisição consideravelmente maior que as embalagens oneway. Entretanto, quanto maior o número de vezes que se usa a embalagem retornável, menor o custo por viagem, que tende a ficar menor que o custo da embalagem oneway.

2.4  FATORES CRÍTICOS QUE INFLUENCIAM A EFICIÊNCIA DO PROCESSO DE LOGÍSTICA REVERSA

Dependendo de como o processo de logística reversa é planejado e controlado, este terá uma maior ou menor eficiência. Alguns dos fatores identificados como sendo crítico e que contribuem  positivamente para o desempenho do sistema de logística reversa são comentados a seguir:

Figura 3 – Fatores críticos para a eficiência do processo de logística reversa.

Bons Controles
de Entrada
Processos
Mapeados e
Formalizados
Ciclo de
Tempo
Reduzido
Sistemas de
Informação
Acurados
Rede
Logística
Planejada
Relações
Colaborativas
entre Clientes e
Fornecedores

 

§    Bons Controles de Entrada - No início do processo de logística reversa, é preciso identificar corretamente o estado dos materiais  que retornam para que estes possam seguir o fluxo reverso correto ou mesmo impedir que materiais que não devam entrar no fluxo o façam. Por exemplo, identificando produtos que poderão ser revendidos, produtos que poderão ser recondicionados ou que terão de ser totalmente reciclados.
Sistemas de logística reversa que não possuem bons controles de entrada dificultam todo o processo subseqüente, gerando retrabalho. Podem também ser fonte de atritos entre fornecedores e clientes pela falta de confiança sobre as causas dos retornos. Treinamento de pessoal é questão-chave para a obtenção de bons controles de entrada.

§    Processos padronizados e mapeados - Uma das maiores dificuldades na logística reversa é que ela é tratada como um processo esporádico, contingencial, e não como um processo regular. Ter processos corretamente mapeados e procedimentos formalizados é condição fundamental para se obter controle e conseguir melhorias.

§    Tempo de ciclo reduzidos - Tempo de ciclo se refere ao tempo entre a identificação da necessidade de reciclagem , disposição ou retorno de produtos  e seu efetivo processamento. Tempos de ciclo longos adicionam custos desnecessários porque atrasam a geração de caixa  (pela venda de sucata, por exemplo)  e ocupam espaço, dentre outros aspectos.
Fatores que levam a altos tempos de ciclo são controles de entrada ineficientes, falta de estrutura (equipamentos, pessoas) dedicada ao fluxo reverso e falta de procedimentos claros para tratar as “ exceções” que são, na verdade, bastante freqüentes.

§    Sistemas de informação - A capacidade de rastreamento de retornos, medição dos tempos de ciclo, medição do desempenho de fornecedores (avarias nos produtos, por exemplo) permite obter informação crucial para negociação, melhoria de desempenho e identificação de abusos  dos consumidores no retorno de produtos. Construir ou mesmo adquirir esses sistemas de informação é um mesmo desafio. Praticamente inexistem no mercado sistemas capazes de lidar com o nível de variações e flexibilidade exigida pelo processo de logística reversa.

§    Rede logística planejada - Da mesma forma que no processo logístico direto, a implementação de processo logístico reversos requer a definição de uma infra-estrutura logística adequada para lidar com os fluxos de entrada de materiais usados e fluxos de saída de materiais processados. Instalações de processamento e armazenagem e sistemas de transporte devem ser desenvolvidos para ligar de forma eficiente os pontos de consumo onde os materiais usados devem ser coletados até as instalações onde serão utilizados no futuro.

§       Relações colaborativas entre clientes e fornecedores - No contexto dos fluxos reversos que existem entre varejistas e indústria, onde ocorrem devoluções causadas por produtos danificados, surgem questões relacionadas ao nível de confiança entre as partes envolvidas. São comuns conflitos relacionados à interpretação de quem é a responsabilidade sobre os danos causados aos produtos.
Os varejistas tendem a considerar que os danos são causados por problemas no transporte ou mesmo por defeitos de fabricação. Os fornecedores podem suspeitar que está havendo abuso por parte do varejista ou que isto é conseqüência de um mau planejamento. Em situações extremas, isso pode gerar disfunções como a recusa para aceitar devoluções, o atraso para creditar as devoluções e a adoção de medidas de controle dispendiosas.
Fica claro que prática mais avançadas de logística reversa só poderão ser implementadas se as organizações envolvidas desenvolverem relações mais colaborativas.

2.5  LOGÍSTICA REVERSA : NOVA ÁREA DA LOGÍSTICA EMPRESARIAL

Introdução, conceitos, definições e áreas de atuação

A logística reversa tem sido citada com freqüência e de forma crescente em livros modernos de logística empresarial, em artigos internacionais e nacionais, demonstrando sua aplicabilidade e interesse em diversos setores empresariais e apresentando novas oportunidades de negócios no Supply Chain reverso, criado por esta nova área de logística empresarial. No Brasil , mais recentemente, seu interesse empresarial te sido demonstrado por inúmeras palestras, seminários , associações, empresas e universidades e o interesse acadêmico pela sua inclusão como disciplina curricular em cursos de especialização em logística empresarial.

Em C.L.M. (1993:323): “Logística reversa é um amplo termo relacionado ás habilidades e atividades envolvidas no gerenciamento de redução, movimentação e disposição de resíduos de produtos e embalagens....” .

Em Stock (1998:20) encontra-se a definição: “Logística reversa: em uma perspectiva de logística de negócios, o termo refere-se ao papel da logística no retorno de produtos , redução na fonte, reciclagem, substituição de materiais, reuso de materiais, disposição de resíduos, reforma, reparação e remanufatura....”


Em Rogers e Tibben-Lembke (1992:2) a logística reversa é definida como : “Processo de planejamento, implementação e controle da eficiência, do custo efetivo do fluxo  de matérias – primas, estoques de processo, produtos acabados e as respectivas informações, desde o ponto de consumo até o ponto de origem, com o propósito de recapturar valor ou adequar o seu destino”.


A definição de logística apresentada pelos autores Dornier et al (2000:39) abrange áreas de atuação novas incluindo o gerenciamento dos fluxos reversos : “Logística é a gestão de fluxos entre funções de negócio. A definição atual de logística engloba maior amplitude de fluxos que no passado. Tradicionalmente, as companhias incluíam a simples entrada de matérias-primas ou  o fluxo de saída de produtos acabados em sua definição de logística. Hoje, no entanto, essa  definição expandiu-se e inclui todas as formas de movimentos de produtos e informações....”.


Bowersox e Closs (2000:51,52) apresentam, por sua vez , a idéia de  “Apoio ao Ciclo de Vida” como um dos objetivos operacionais da logística moderna, referindo-se ao prolongamento da logística além do fluxo direto dos materiais e a necessidade de considerar os fluxos reversos de produtos em geral.

As diversas definições e citações de logística reversa até então revelam que o conceito ainda está em evolução face às novas possibilidades de negócios relacionados ao crescente interesse empresarial e de pesquisas nesta área na última década.
Entendemos a logística reversa como a área da logística empresarial que planeja, opera e controla o fluxo de as informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pós-venda e de pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo, por meio dos canais de distribuição reversos, agregando-lhes valores de diversas naturezas : econômico, ecológico, legal, logístico, de imagem corporativa , entre outras.
Sendo a literatura ainda escassa e dispersa nesta área, o foco principal desta série de artigos é o de apresentar uma sistematização e estruturação dos principais conceitos, resumindo não só a literatura existente como os exemplos, casos e aplicações da logística reversa em empresas internacionais e nacionais, fruto de um intenso trabalho de pesquisa que temos realizado nos últimos anos.
Para este fim, elaboramos o esquema de Figura 4, onde reunimos duas grandes áreas de atuação da logística reversa que têm sido tratadas independentemente até então pela literatura, diferenciadas pelo estágio ou fase do ciclo de vida útil do produto retornado. Essa distinção se faz necessária, embora existam inúmeras interdependências que serão   examinadas a seguir, pois o produto logístico e os canais de distribuição reversos pelos quais fluem, bem como os objetivos estratégicos e técnicas operacionais utilizadas em cada área de atuação são, via de regra, distintos.
Denominaremos de logística reversa de pós-venda a específica área de atuação que se ocupa do equacionamento e operacionalização do fluxo físico e das informações logísticas correspondentes de bens de pós-venda, sem uso ou com pouco uso, que por diferentes motivos retornam aos diferentes elos da cadeia de distribuição direta, que se constituem de uma parte dos canais reversos pelo qual fluem estes produtos. Seu objetivo estratégico é o de agregar valor a um produto logístico que é devolvido por razões comerciais, erros no processamento dos pedidos, garantia dada pelo fabricante, defeitos ou falhas de funcionamento no produto, avarias no transporte, entre outros motivos. Este fluxo de retorno se estabelecerá entre os diversos elos da cadeia de distribuição direta, dependendo do objetivo estratégico ou motivo de seu retorno.

Figura 4 : Logística reversa – área de atuação e etapas reversas

Logística Reversa
de Pós-Consumo

* Reciclagem Industrial
* Desmanche Industrial
* Reuso

* Consolidação
* Coletas
Cadeia de Distribuição Direta
Consumidor
Bens de Pós-Venda
Bens de Pós-Consumo
Logística Reversa
de Pós-Venda

* Seleção / Destino
* Consolidação
* Coletas


Denominaremos de logística reversa de pós-consumo a área de atuação da logística reversa que igualmente equaciona e operacionaliza o fluxo físico e as informações correspondentes de bens de pós-consumo descartados pela sociedade, que retornam ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo pelos canais de distribuição reversos específicos. Constituem –se bens de pós-consumo os produtos em fim de vida útil ou usado com possibilidade de utilização e resíduos industriais em geral.
Seu objetivo estratégico é o de agregar valor a um produto logístico constituído por bens inservíveis ao proprietário original, ou que ainda possuam condições de utilização, por produtos descartados por terem atingido o fim de vida útil e por resíduos industriais. Estes produtos de pós-consumo poderão se originar de bens duráveis ou descartáveis e fluírem por canais reversos de reuso, desmanche e reciclagem até a destinação final.
Na figura 5 resumimos o campo de atuação da logística reversa por  meio de principais etapas dos fluxos reversos nas duas áreas de atuação citadas, observando-se a sua interdependência.
A logística reversa de pós-venda deve, portanto, planejar, operar e controlar o fluxo de retorno dos produtos de pós-venda por motivos agrupados nas classificações: “Garantia / Qualidade” , “Comerciais” e de “Substituição de Componentes”.
Classificam-se como devoluções por “Garantia / Qualidade”, aquelas nas quais os produtos apresentam defeitos de fabricação ou de funcionamento (verdadeiros ou não), avarias no produto ou na embalagem, etc. Esses produtos poderão ser submetidos a consertos ou reformas que os permitam retornar ao mercado primário, ou a mercados diferenciados que denominamos secundários, agregando-lhes valor comercial novamente.
Na classificação “Comerciais”, são destacadas a categoria de “Estoques”, caracterizada pelo retorno devido a erros de expedição, excesso de estoques no canal de distribuição, mercadorias em consignação, liquidação de estação de vendas , pontas de estoques, etc., que serão retornados ao ciclo de negócios pela redistribuição em outros canais de vendas.

Figura 5 – Foco de atuação da logística reversa


 

 Devido ao término de validade de produtos ou a problemas observados após a venda, o denominado recall, os produtos serão devolvidos por motivo legais ou por diferenciação de serviço ao cliente e se constituirão na classificação “ Validade” em nosso esquema.
A classificação “Substituição de Componentes” decorre da substituição de componentes de bens duráveis e semiduráveis em manutenções e consertos ao longo de sua vida útil e que são remanufaturados, quando tecnicamente possível, e retornam ao mercado primário ou secundário, ou são enviados à reciclagem ou para um destino final, na impossibilidade de reaproveitamento.
A logística reversa de pós-consumo deverá planeja, operar e controlar o fluxo de retorno dos produtos de  pós-consumo ou de seus materiais constituintes, classificados em função de seu estado de vida e origem: “Em condições de uso”, “Fim de vida  útil”,  e “Resíduos industriais”.
A classificação  “Em condições de uso” refere-se às atividades em que o bem durável e semidurável apresenta interesse de reutilização, sendo sua vida útil estendida adentrando no canal reverso de “Reuso” em mercado de segunda mão até atingir o “fim de vida útil”, constituindo o looping apresentado na figura 2.
Nas atividades da classificação  “Fim de vida útil”, a logística reversa poderá atuar em duas áreas não destacadas no esquema : dos bens duráveis ou descartáveis. Na área de atuação de duráveis ou semiduráveis, estes entrarão no canal reverso de Desmontagem e Reciclagem Industrial;   sendo desmontados na etapa de “desmanche”, seus componentes poderão ser aproveitados ou remanufaturados, retornando ao mercado secundário ou à própria industria que o reutilizará, sendo uma parcela destinada ao canal reverso de “Reciclagem”.
No caso de bens de pós-consumo descartáveis, havendo condições logísticas, tecnológicas e econômicas, os produtos são retornados por meio do canal reverso de “Reciclagem Industrial”, onde os materiais constituintes são reaproveitados e se constituirão em matérias-primas secundárias, que retornam ao ciclo produtivo pelo mercado correspondente, ou no caso de não haver  as condições acima mencionadas, serão destinadas ao “Destino Final”, os aterros sanitários, lixões e incineração com recuperação energética.

2.6  O CICLO DE VIDA ÚTIL DOS PRODUTOS E A LOGÍSTICA REVERSA

Seria infindável a lista de autores analisando o acelerado ritmo de redução do ciclo de vida dos produtos nas últimas décadas, como forma e busca de diferenciação mercadológica, motivada por evoluções técnicas de performance em processo ou na aplicação, motivada pela redução de custos em geral e em particular os logísticos, além de outras razões.
Em 1970, foram lançados1.365 novos produtos nos Estados Unidos; em 1986, este número foi de 8.042; em 1991, o número cresceu para 13.244 e, em 1994, alcançou a marca de 20.074 novos produtos lançados, de acordo com dados de New Products News.
Exemplo clássico de bens como ciclo de vida rapidamente decrescentes são o dos computadores e seus periféricos, que se revelam expressivos na visão da logística reversa quando observamos alguns dados o Instituto Gartner Group estimando em 680 milhões as vendas de computadores no ano de 2005 e de 150 milhões o número deles que serão descartados somente nos Estados Unidos. O nível de obsolescência atual naquele país é de 2:3, ou seja, a cada três computadores produzidos dois tornam-se obsoletos, com tendência de que esta razão se torne 1:1 nos próximos anos.
Em 1960, a produção mundial de plásticos era de 6 milhões de toneladas por ano e, em 1994, passou a 110 milhões de toneladas. No Brasil, a produção de plásticos teve um aumento de cerca de 50%  entre os anos de 1993 e 1998, valores altos quando comparados com o crescimento dos metais comuns. Ainda o Brasil, o consumo de garrafas descartáveis de PET (denominação da resina constituinte Polietileno Tereflalato) usadas como embalagem de refrigerantes e outras bebidas, iniciou-se em 1989 e alcançou níveis de produção de 6 milhões de garrafas por ano em 1998, o que corresponde a mais de 70% da embalagem do setor de refrigerantes. Este expressivo crescimento é devido principalmente  à sua transparência e duas vantagens logísticas na distribuição direta, substituindo a embalagem de vidro retornável.
Um dos indicadores do crescimento desta “descartabilidade” é o aumento do lixo urbano em diversas partes do mundo, conforme comprovam os dados da Prefeitura Municipal de São Paulo, através do Limpurb (departamento de limpeza pública urbana da cidade de São Paulo): o lixo urbano cresceu de 4.450 t/dia em 1985 para 16.000 t/dia em 2000, na cidade de São Paulo, decrescendo as quantidades de lixo orgânico e aumentando a de produtos descartáveis.

Figura 6 – O impacto da redução do ciclo de vida útil dos produtos na logística reversa

Tecnologia
Marketing Logística
  Redução do Ciclo de
Vida Útil dos
Produtos
Aumento de
Velocidade Logística
  Exaustão dos
Sistemas Tradicionais
de Disposição Final
 

Logística Reversa

RETORNO      REUSO

RECICLAGEM

 

O esquema na figura 6 sintetiza a idéia de como a crescente descartabilidade dos produtos tende a tornar mais expressiva a atuação da logística reversa, tanto no setor de pós-venda como no de pós-consumo. Tecnologia, marketing, logística e outras áreas empresariais, por meio da redução de ciclo de vida de produção, geram necessidades de aumento de velocidade operacional de um lado, e provocam exaustão acelerada dos meios tradicionais de destinos dos produtos de pós-consumo.
A obsolescência e a descartabilidade crescentes dos produtos observadas nesta última década têm-se refletido em alterações das estratégias dentro das próprias organizações e, principalmente, em todos os elos de sua rede operacional. Essas alterações se traduzem por aumento de “velocidade de resposta” desde a concepção do projeto do produto até sua colocação no mercado, pela adoção de sistemas de alta “flexibilidade operacional” que permitam, além da velocidade do fluxo logístico, a capacidade de adaptação constante às exigências do cliente. A ainda adoção de “ responsabilidade ambiental “ em relação aos seus produtos após o consumo, identificado como “EPR” (Extend Product Responsibility), a chamada “Extensão de Responsabilidade ao Produto”.
Explica-se, desta forma , a crescente implementação da logística reversa em empresas líderes do mercado em diversos setores, constituindo-se parte integrante de suas estratégias empresariais.

2.7  OBJETIVOS ESTRATÉGICOS DA LOGÍSTICA REVERSA NAS EMPRESAS

Vimos anteriormente que a idéia principal da logística reversa é a de agregar valor de alguma natureza às empresas, pelo retorno dos bens ao ciclo de negócios ou produtivo. A natureza de valor agregado, ou recapturado, varia entre os setores empresariais e em seus diversos segmentos de negócios. Em conseqüência, observa-se um espectro de aplicações e de interesses na implementação e de interesses na implementação de retorno de bens de pós-venda e de pós-consumo, bem como diferentes estágios tecnológicos de aplicação da logística reversa entre os diversos setores empresariais, conforme se poderá constatar ao longo destes artigos.
Certamente, o objetivo estratégico econômico, ou de agregação de valor monetário, é o mais evidente na implementação da logística reversa nas empresas. Porém, observa-se que mais recentemente dois novos fatores incentivam decisões empresariais em sua adoção : o fator competitividade e o ecológico. A análise a seguir considera exemplos de aplicações da logística reversa, nos quais alguns desses objetivos se destacam de forma mais nítida, embora sempre existam outros ganhos ou valores agregados simultâneos que se traduzem como ganhos empresariais marginais.
O objetivo estratégico econômico na logística reversa de pós-venda evidencia-se, por exemplos, na comercialização de saldos ao final de estação ou de promoções de vendas no varejo, que serão comercializados em mercados secundários de ponta de estoques, outlets e lojas de “ tudo por l dólar” . A redistribuição proveniente de excesso de estoques em canais propicia excelentes resultados econômicos quando direcionada à regiões de melhor giro, tanto no mercado nacional como em mercados internacionais, aproveitando a  diferença de estações climáticas entre hemisférios.
O objetivo estratégico econômico na logística reversa de pós-consumo pode se constituir, por exemplo, na economia realizada pelo aproveitamento de ligas de chumbo de baterias usadas – que são reutilizadas integralmente na fabricação de baterias novas, de ligas de alumínio das latas de bebidas descartadas – igualmente utilizadas na fabricação de latas novas. Esses casos ou setores em que o produto de pós-consumo é aproveitado devido à sua matéria-prima constituinte representam normalmente estratégias de viabilidade econômica do setor. O comércio de bens durável usados, como automóveis e máquinas operatrizes e geral, representa importantes atividades econômicas.
O exemplo do canal reverso de reuso e remanufatura de copiadoras da Xerox nos Estados Unidos (CLM, 1993:177).
A empresa Xerox, como estratégia de comercialização de suas copiadoras, estabeleceu desde 1960 uma rede reversa, utilizando a coleta do tipo Take-Back, desmontagens dos produtos, seleção de destino e reutilização dos mesmos, com ou sem remanufatura, em produtos novos de sua linha, dando as mesmas garantias e repassando as economias de custos aos seus clientes, além da recompra dos equipamentos, garantindo um nível de competitividade elevado no mercado. O projeto do produto foi idealizado de forma a facilitar a desmontagem e componentes de alta intercambialidade, garantindo flexibilidade em sua reutilização.
O esquema da empresa nos Estados Unidos, constituída por 50 centros de distribuição reversos operados por empresas terceirizadas, dois centros nacionais de distribuição reversa e diversas plantas e remanufatura ao longo do país.
Na venda de uma nova máquina, a data de entrega e de desinstalação são planejadas executadas pelas empresas terceirizadas nos diversos centros de distribuição, conciliando as operações. Estas empresas se encarregam da desinstalação de produtos usados, da seleção e do destino a ser dado aos produtos e componentes. Em alguns casos, os equipamentos serão submetidos a reparos nos centros de distribuição regionais e destinado à locação de equipamentos usados, enquanto em outros casos o equipamento é enviado para um dos centros nacionais de distribuição reversa, onde será realizada nova seleção e destino. Nos casos de modelos de grande venda nos Estados Unidos, a decisão poderá ser a de transporta-los a uma planta de remanufatura , onde será executada a desmontagem completa com reaproveitamento dos componentes em condições de uso em novos equipamentos. Aqueles considerados em condição de uso em novos equipamentos. Aqueles considerados sem condição de uso vendidos como sucata para a reciclagem dos materiais constituintes.

O caso Xerox é um dos exemplos de empresas em que a logística reversa e os cuidados na montagem da rede reversa em nível internacional fazem parte da estratégia empresarial, com excelentes resultados. A revalorização logística dos equipamentos usados garantida pela rede reversa até as consolidações em centros de distribuição reversos especializados leva à revalorização econômica e tecnológica pelo reuso de seus equipamentos  e componentes, e à revalorização ecológica, reduzindo o impacto ao meio ambiente obtendo um resultado positivo em sua imagem corporativa junto aos clientes e à comunidade em geral.
As empresas Dupont e Welman, nos Estados Unidos, adotaram a logística reversa como estratégia em suas empresas, montando redes reversas que permitem a recuperação de valor de filmes e outros produtos de poliéster descartados, como matéria-prima secundária na fabricação de novos produtos, como fibras de poliéster para tapetes, acolchoados, confecções esportivas, agasalhos, etc.
O objetivo ecológico ou de imagem corporativa na logística reversa constituem-se de ações empresariais que visam contribuir com a comunidade pelo incentivo à reciclagem de materiais, à alterações de projeto para reduzir impactos ao meio ambiente, entre outros. A substituição da embalagem de poliuretano pelo  papel no grupo McDonald´s visando a redução do impacto e melhoria em reciclagem e o projeto do automóvel Volvo reciclável, no qual as condições de desmontagem foram facilitadas, são exemplos de objetivos desta natureza.
O objetivo de competitividade por diferenciação de nível de serviço ao cliente evidencia-se pelos exemplos da empresa farmacêutica Bristol-Meyrs Squibb, que estabeleceu a logística reversa como prioridade estratégica  visando equacionar o retorno de medicamentos que perdem validade no mercado, oferecendo um nível de serviço diferenciado a seus clientes.
A empresa de cosméticos americana Estée-Lauder, além de oferecer um serviço diferenciado a seus clientes ao implantar tecnologia de informação em sua logística reversa, obteve enormes economias pela redução de perdas e pela possibilidade de redistribuição de produtos.
As conhecidas empresas varejistas Wall Mart, Kmart e Sears possuem diversos centros de distribuição reversos nos Estados Unidos , e contratam terceiros para operá-los de forma a dar suporte ao crescimento de devolução de produtos, função de políticas de liberalização de devolução espontânea de mercadorias.
O objetivo de satisfação de legislação na logística reversa é caracterizada por situações em que existem impedimentos de destinação final de um produto. A legislação  obriga ao fabricante a coleta e destino dos produtos de pós-consumo, obrigando os diversos elos da cadeia a aceitar devoluções de embalagens de seus clientes e a responsabilizar pelo retorno de produtos perigosos. Empresas de óleo lubrificante, lâmpadas fluorescentes, bateria de celulares, entre outros produtos, no Brasil são responsáveis pela logística reversa de retorno de seus produtos de pós-consumo de acordo com legislação expressa.
Observe-se que os diversos objetivos  acima mencionados não são independentes e poderão ocorrer simultaneamente. A Figura 8 resume algumas idéias de revalorização  nas duas categorias de fluxos reversos.

 2.8  IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DA LOGÍSTICA REVERSA

 Os dados econômicos sobre logística reversa aqui apresentados, baseiam-se em estimativas projetadas por algumas pesquisas realizadas nos Estados Unidos, e em pesquisas em logística reversa de pós-consumo em alguns setores no Brasil . Como os dados são setoriais e o interesse é recente, acreditamos que as estimativas atuais sejam ainda conservadoras. No entanto, pode-se inferir o potencial de ganho e as oportunidades de desenvolvimento nesta nova área.
Nos Estados Unidos, pesquisas estimam em cerca de US$ 35 bilhões os custos de retorno de bens em 1997, ou, cerca de 0,5% do PNB do país, ou 4% dos custos logísticos totais (US$ 862 bilhões em 1997). Somente o mercado de peças de automóveis remanufaturadas naquele país foi de US$ 36 bilhões em 1997, de acordo com a Automobile Parts Rebuilders Association, com a atuação de 12 mil empresas de desmontagem de automóveis e de remanufatura de peças em atividade atualmente o país.

Pesquisa em setores compreendendo computadores, equipamentos de rede, equipamentos de automação, embalagens retornáveis e eletrodomésticos da “linha branca”, ainda nos Estados Unidos , estimou que o custo total da logística reversa foi de US$4,7 bilhões   em 1996, com uma previsão de atingir US$ 7,7 bilhões no ano 2000.
O instituto de pesquisa em informática Gartner Group prevê um valor de US$11 bilhões de retorno de bens no segmento do e-commerce nos Estados Unidos, um dos setores de maior potencial para a logística reversa.
Acrescentando a estes dados do segmento de pós-venda outros exemplos na área da logística reversa de pós-consumo, tal como a indústria de ferro/aço – que consome mais de 30% de matérias-primas secundárias - , a industria do alumínio (cerca de 20%), a do plástico  (cerca de 20%), pode-se avaliar a importância para estes setores do fluxo de matérias-primas secundárias garantidas pela logística reversa na mesma proporção com que compõem o produto de venda destes setores. Ou seja, que o valor econômico movimentado pela logística reversa na cadeia do ferro/aço, por exemplo, é de mais de 30%  do valor de venda do produto do setor (no Brasil, mais de US$ 2 bilhões / ano). Sendo áreas de longa tradição, muitas vezes os valores econômicos envolvidos na atividade são considerados parte integrante do negócio do setor.

CAPÍTULO 3

O USO DA “LOGÍSTICA REVERSA” SOB A ÉTICA DAS EMPRESAS.

3.1  TOMRA LATASA: A LOGÍSTICA DA RECICLAGEM

No inicio do segundo semestre de 2001, com o objetivo de ampliar a coleta de latas de alumínio e entrar no segmento de garrafas plásticas PET, a Tomra Latasa Reciclagem colocou  em operação, na cidade do Rio de Janeiro, um projeto-piloto de logística reversa pioneiro. Batizado Replaneta, o projeto consiste numa rede de coleta formada por oito postos, instalados no estacionamento das lojas dos supermercados Extras, equipados com duas máquinas Reverse Vending Machines (RVM), desenvolvidas pela Tomra, as primeiras em operação no Brasil. A Tomra Latasa Reciclagem foi criada em março de 2001, quando a norueguesa Tomra Systems ASA, líder mundial em soluções para reciclagem, comprou a brasileira Latasa, maior fabricante de latas de alumínio do país.
Há mais de uma década, a Latasa foi pioneira no Brasil na criação de um Programa Permanente de Reciclagem . De lá para cá, desenvolveu uma série de projetos e promoções para estimular a formação de uma industria recicladora, tais como o Projeto Escola, por meio do qual as instituições de ensino trocam latas de alumínio por equipamentos didáticos e paradidáticos ; Projeto Praia Limpa; Sede de Saber; Vá Catar Lata; entre outros. Todos esses programas de incentivo à reciclagem contribuíram para a disseminação do reaproveitamento de materiais, sobretudo da lata de alumínio, que hoje coloca o país na liderança mundial de reciclagem desse material – em 2001 foi de 85% em relação à produção.
Com o ingresso da Tomra Systems ASA no negócio, no ano passado, nasceu a Tomra Latasa Reciclagem , que começa a voltar-se também para a reciclagem das garrafas PET. O objetivo da empresa, agora é, aumentar a coleta dessas embalagens , cuja reciclagem , atualmente no Brasil é de 24%.
A Tomra, com sede na Noruega, está presente em 36 países e é responsável pelo funcionamento de 45 mil máquinas do tipo Reserse Vending Machines espalhadas pelo mundo.
Os postos – localizados na Tijuca, Barra da Tijuca, Boulevard, Niterói, Ilha do Governador, Alcântara, Nova Iguaçu e Maracanã – está equipado com duas RVMS. Nestas máquinas, com capacidade para receber uma embalagem por segundo, o próprio consumidor introduz a embalagem, que tanto pode ser a  lata de alumínio quanto a garrafa PET. Em seguida, o equipamento emite automaticamente um cupom que indica a quantidade de embalagens inseridas e o valor em dinheiro daquela operação de coleta. “Pagam R$ 0,01 por garrafa PET e R$ 0,02 por lata de alumínio ” , os cupons emitidos são utilizado na compra de qualquer produto dentro do supermercado.
No momento em que a embalagem é colocada na máquina, um leitor ótico faz a identificação do tipo de material, separando o alumínio e o plástico. “No caso do PET, há ainda uma segunda operação de triagem que utiliza a cor como parâmetro. Ou seja, separa as garrafas pelas cores verde, âmbar e cristal, para facilitar o acondicionamento das embalagens na área de armazenamento”.
Cada posto de coleta do Replaneta, que funciona 24 horas ininterruptamente, ocupa um área de 45 m² (o equivalente a quatro vagas de estacionamento), onde ficam as duas máquinas e uma balança para pesagem do material coletado. Outros 30 m² são destinados à área de armazenagem, que abriga dois contêineres fixos de 20 pés, um para as latas e outro para o PET.
Segundo Gerude Filho, coordenador da área de Logística da Tomra Latasa, a escolha da capital fluminense como base para o lançamento do projeto-piloto foi conseqüência natural de um trabalho que a Tomra Latasa já vinha desenvolvendo na região. “Instalamos no Rio de Janeiro porque foi lá que começamos o projeto de troca de latas e PET por cupons. Alguns dos pontos em que o projeto está em operação atualmente já comportavam postos de troca manual, formados por contêiner e um atendente que pesava o material. Portanto, havia uma fidelização dos clientes, e avaliamos que – implementando um avanço tecnológico naqueles locais – corríamos menos riscos de não-aceitação do Replaneta por parte da população, uma vez que já havia sido criado o hábito de descartar as embalagens” , acrescentando que o projeto começou a ser implantado nesses pontos, avançando em seguida para outras regiões da cidade.
Segundo  Gerude Filho, a automação do processo apresentou um salto qualitativo na logística da empresa “ Primeiro , porque o Replaneta viabilizou a coleta do PET, o que antes não fazíamos. Segundo, pelo fato de a máquina fazer a separação das latas de alumínio e do PET, e desde por cor, ganhamos muita na hora de acondicionar esse material. Os fardos saem dos pontos de coleta enfardados por cor, eliminando assim esta operação no nosso Centro de Coleta” , diz o coordenador, acrescentando que a separação por cor traz, ainda, ganhos na venda do produto. “Existe diferença de preço se o PET estiver misturado. Por exemplo , se eu vender  o PET verde justamente com o cristal tenho um preço, se ele estiver separado por cor, há outro”, destaca, acrescentando que o parceiro da empresa no projeto , o Extra, também está colhendo benefícios. “Percebemos que o projeto gerou uma grande impacto junto à população em relação à imagem do supermercado. Outra coisa que notamos é que o cupom de troca, emitido na coleta, aumenta o ticket padrão de compras em torno de 20% a 30%. O cliente vai à loja com um cupom do Replaneta de R$ 1,00, mas consome sempre de R$ 1,20 A R$ 1,30”.
Ainda sobre os resultados, o coordenador destaca a ampliação efetiva na coleta de material. “ O volume aumentou substancialmente, atingindo em torno de 35% a mais em relação aos postos de troca antigos”, diz Gerude Filho, lembrando a sazonalidade típica da indústria de reciclagem. “ No verão , em função do aumento no consumo de bebidas envasadas neste tipo de embalagem, coletamos muito mais que n inverno. Estamos , ainda, sujeitos a alguns eventos que acontecem fora da operação e que causam um impacto direto na quantidade coletada. Por exemplo, em novembro do ano passado, o rompimento de uma tubulação de esgoto da Cedae (Companhia de Águas e Esgotos), do Rio, contaminou a água potável, o que elevou muito o consumo de água mineral, aumentando, conseqüentemente , o volume da coleta em todos os nossos postos. Só para se ter uma idéia, no Replaneta da Tijuca subiu de 63 mil, em outubro , para 107 mil , em novembro”, exemplifica.
Se por um lado esses eventos promovem o crescimento do volume de coletado, que é a meta essencial do projeto , por outro acarretam problemas que aumentam a complexidade do processo logístico. “ Essa é uma das grandes dificuldades da logística reversa, porque não temos a previsibilidade da demanda, não sabemos como o consumidor vai se comportar. A questão é que há uma área limitada para fazer o estoque do material e, de repente, o volume explode, motivado por um evento externo, interferindo nos processos de armazenagem e distribuição, obrigando-nos a realizar alterações imediatas na operação. Por isso, é necessário monitorar diariamente o comportamento da coleta” observa o coordenador.
Com o Replanete instalado e operando, foi possível redesenhar alguns pontos do projeto original, promovendo mudanças no sentido de corrigir alguns problemas, dar maior agilidade às operações e reduzir custos. “ Mudamos , primeiro , o modal de transporte. Na operação manual, precisávamos de caminhões de três tamanhos diferentes. Agora, estamos operando apenas com um veículo, que tem chassi alongado de 10 metros , o que deu maior capacidade de transporte por volume e não peso. Além disso, mudamos a maneira de acondicionar  as embalagens, porque percebemos que estávamos tendo um aproveitamento pequeno na área de armazenamento. Então , eliminamos os sacos e passamos a usar big bags para acondicionar os PETs, o que permitiu um aproveitamento de praticamente 100% da área de armazenamento vertical. Com isso, ganhamos tempo no manuseio e consolidação da carga, reduzindo ainda os custos com os sacos” , explica Gerude Filho, informando que a Tomra Latasa promoveu, também, um estudo sobre o tempo para carregar o caminhão e do trajeto entre um ponto e outro, melhorando sua eficiência. “Com as mudanças do modal, na maneira de acondicionar as embalagens e melhoria no tempo de manuseio e transporte de carga, atingimos uma   redução de 43,73% no número de diárias por mês do caminhão , cujo serviço é terceirizado “, destaca o coordenador de logística.
Segundo ele, com essas mudanças, mesmo numa situação de aumento imprevisto da demanda, a empresa está constantemente preparada para dar uma solução bastante ágil aos problemas ultima hora. “ Para não nos deparamos mais com explosões de volume, passamos a fazer uma coleta pró-ativa. Ou seja, quando a capacidade de armazenamento nos Replanetas atinge algo em torno de 70%, coletamos o material” , diz Gerude Filho, explicando que a coleta pode não esvaziar o estoque do ponto. “A idéia é otimizar o frete, fazendo com que o caminhão recolha o material em pelo menos três Replanetas por dia. Para que esta meta seja atingida, precisamos eliminar a retirada do material por ponto, de tal forma que o estoque dos três Replanetas caiba no caminhão”.
O material armazenado nos contêineres dos Replanetas é retirado pela empresa transportadora e segue para o Centro de Coleta da Tomra Latasa, localizado em São Cristóvão. Lá, as latas de alumínio passam por processos de compactação e enfardamento, enquanto os PETs seguem para uma empresa terceirizada, onde é feito seu enfardamento. Desse ponto, dirige-se a um terceiro Replaneta  depois de carregar o caminhão repete o roteiro de descarga anterior.

Redução de Custos

Do centro de coleta do Rio de Janeiro – a empresa conta com sete centros em todo o país, depois de consolidada, a carga formada pelas latas de alumínio segue para a cidade de Pindamonhangaba, no interior de São Paulo, onde está instalada a refusora da Tomra Latasa, que recicla o alumínio em lingotes ou cadinhos. Já as garrafas de PET são encaminhadas para uma industria de reciclagem, parceria da Tomra Latasa, localizada na cidade de São Paulo, onde serão transformadas em flake ou pellet.
No caso da lata, e empresa realiza o ciclo completo da reciclagem , da coleta até a transformação em matéria-prima. Já o PET, até o momento, os processos de compactação e enfardamento até a reciclagem para torna-lo novamente matéria-prima são terceirizados.
“ Nossa intenção é evoluir para colocar no mesmo espaço do Centro de Coleta, a compactação e enfardamento da lata e do PET, um prazo de aproximadamente seis meses. Dessa forma, vamos eliminar dois ponto no roteiro, que são as duas descargas, num mesmo dia, do PET na empresa terceirizada, e consolidaremos a carga destinada à reciclagem num só local”, explica Gerude Filho, acrescentando que a multinacional também está finalizando um projeto de compactação do material no próprio Replaneta. “A idéia é compactara embalagem, seja PET ou lata, no próprio ponto de coleta o que irá proporcionar uma redução de 60% a 70% no volume estocado” , comenta o coordenador de logística. E acrescenta : “A grande dificuldade é conseguir ter processo eficiente para viabilizar a coleta do PET, porque o valor agregado dele é muito mais baixo do que o da lata. Por isso, precisamos de mais volume e maior eficiência. E a sua compactação no Replaneta é uma das maneiras de obter essa eficiência, uma vez que , ao compactar o material, no lugar de transportar peso, muito mais quantidade e, conseqüentemente, otimizar o frete. Com isso, estimamos uma redução no custo do frete em torno de 60%”.
A empresa também não descarta a possibilidade de completar o ciclo de reciclagem do PET, assim como faz hoje com as latas de alumínio. “A idéia é formar uma rede de coleta consistente, que possa viabilizar, no futuro, a montagem de uma planta para reciclar o PET. Porque, ao contrário da logística normal, cuja filosofia é consolidar os centros de distribuição, nós temos de ampliar nossa rede de coleta, ter capilaridade, porque essa é a essência da logística reversa”, acentua o coordenador de Logística da Tomra Latasa , que já está desenvolvendo estudos de viabilidade para o PET. “Não adianta ter uma planta, com processos  bem desenvolvidos, mas sem uma rede consistente de coleta. Hoje, muitas recicladoras coletam o PET em lixões, demandando um grande investimento financeiro só para limpar e descontaminar a embalagem . No caso da Replaneta, como o material sai do consumidor direto para a rede de coleta, a embalagem é muito mais limpa. E esse é um diferencial competitivo”, afirma Gerude Filho.
Quanto à possibilidade de expandir a área de atuação do Replaneta , Gerude Filho declara que a empresa tem intenção de, além de aumentar o número de postos no Rio, levar o projeto para São Paulo ainda este ano. “ Vamos focar principalmente nas grandes capitais”, finaliza. 

3.2  ALCAN – A MAIOR RECICLADORA DA AMÉRICA LATINA

No Brasil temos a empresa ALCAN - A maior recicladora da América Latina como exemplo.
O Brasil atingiu novo recorde nacional de reciclagem de latas de alumínio com um índice de 85% do total de latas disponível no mercado brasileiro. A atuação da Alcan fez do Brasil um dos líderes mundiais em reciclagem, uma vez que a empresa consome 55% do total processado.
"A Alcan é a maior consumidora individual de sucatas de latas de alumínio do Brasil", afirma Paulo Lara, diretor de Planejamento e Reciclagem - Alcan Laminados. "Em 2001, foram processadas pela Alcan cerca de 66 mil toneladas de latas de alumínio, sem contar com os retalhos de processos de fabricação dos fabricantes de latas e da própria empresa", informa Paulo.
A Alcan foi a primeira empresa do Brasil a reciclar alumínio como um negócio integrado às suas operações e hoje é a maior recicladora da América Latina. A reciclagem é mais um processo que a Alcan utiliza para aproveitar todas as propriedades do alumínio, o único metal não-ferroso infinitamente reciclável. Hoje, a empresa trabalha com um fluxo de retorno permanente que permite uma economia de até 95% em relação à energia utilizada para produzir alumínio primário. O resultado é a diminuição de desperdício e a preservação da Natureza.
Esta operação gera economia de energia elétrica e minério: a produção de uma tonelada de alumínio reciclado economiza cinco toneladas de bauxita, responsável pela fabricação do alumínio.
O Centro de Reciclagem da Alcan, em Pindamonhangaba - interior de São Paulo, tem capacidade para processamento de 80 mil toneladas/ano. A reciclagem tem papel estratégico na companhia, na medida em que cumpre uma função social, econômica e ecológica.
Atualmente, a reciclagem é uma alternativa de renda para cerca de 150 mil pessoas vivem da reciclagem do alumínio no país. O kg da lata de alumínio rende hoje 33 vezes mais que a lata de aço, 39 vezes o valor do vidro colorido e 6 vezes mais que o PET.
Na Alcan a preocupação com o Meio Ambiente é um compromisso de extrema importância.
No Brasil, a empresa conta com uma equipe que gerencia o Sistema de Gestão Ambiental (SGA), que visa identificar todos os aspectos e impactos ambientais, definindo projetos e metas claras para sua solução. O SGA foi implementado de acordo com as normas do Comitê de Meio Ambiente da Alcan mundial e a Política Ambiental. Todas as cinco fábricas da Alcan no país - Santo André, Aratu, Mauá, Ouro Preto e Pindamonhangaba - possuem certificação IS014001.
Outro exemplo é a empresa Fujitsu , umas das principais empresas japonesas fabricantes de computadores, que criou um sistema de reciclagem de seus produtos.

CONCLUSÕES

Diante da realidade do comércio mundial, onde uma das características básicas é o dinamismo, transformando o novo em ultrapassado num espaço de tempo relativamente curto, somado as crescentes exigências dos consumidores, assim como o acirramento da concorrência, a sobrevivência da empresa baseia-se na sua capacidade de atender todas essas exigências sem, no entanto, perder o foco no seu objeto principal, ou seja, na qualidade de seus produtos ou serviços sempre buscando, mais do que a satisfação de seus clientes – é preciso superar as expectativas dos mesmos, colocando-se em posição de destaque no segmento de mercado em que atua.
Com a necessidade de encontrar estratégias eficazes muitas empresas acabaram por absorver uma gama de teorias administrativas que foram surgindo na tentativa de instrumentalizar as empresas para enfrentarem o novo contexto mercadológico, ao ponto de provocarem um desgaste tanto de seu pessoal quanto de seus clientes. Muitas vezes as novas teorias fracassaram por falta de conhecimento ou por pouco comprometimento de todos os setores da empresa. Dentre as teorias surgidas, a logística que inicialmente parecia mais um modismo administrativo, com todas as mudanças geradas com os avanços tecnológicos e da quebra das barreiras comerciais foi ganhando importância crescente tornando-se atualmente fator decisivo para a empresa manter-se no mercado.
No sucesso comprovado de algumas empresas outras tantas tentaram implantar a logística no entanto, na falta ou pouco conhecimento sobre os fatores que implicam no processo logístico, recursos foram desperdiçados  e o foco principal da empresa foi descaracterizado.
Paralelamente as empresas que obtiveram sucesso com a logística passaram a aperfeiçoa-la chegando a um nível de qualificação e capacitação que alavancaram de forma considerável seus negócios.
No caso da logística reversa, verifica-se que diante das ações que visam a preservação do meio ambiente, visando o desenvolvimento sustentável, o planejamento eficiente da mesma tornou-se fundamental não só para as empresas, mas também para a sociedade como um todo.
Como exemplo da relevância da logística reversa, tem-se que no ano de 2000 o Brasil reciclou mais de 7,4 bilhões de latas de alumínio, que representa 111 mil toneladas. O material é recolhido e armazenado por uma rede de aproximadamente 2 mil sucateiros, responsáveis por 50% do suprimento de sucata de alumínio à indústria. Outra parte é recolhida por supermercados, escolas, empresas e entidades filantrópicas. O mercado brasileiro de sucata de latas de alumínio movimenta US$ 129 milhões por ano. As latas corresponderam a 82,3 mil das 182 mil toneladas de sucata de alumínio disponíveis para reciclagem em 1999. Com liga metálica mais pura, essa sucata volta em forma de lâminas à produção de latas ou é repassada para fundição de autopeças. 78% da produção nacional de latas é reciclada. Em 1999, o índice foi de 73%. Os números brasileiros superam países industrializados como Inglaterra e Alemanha (Reciclagem, 2002).
Pelo exposto, conclui-se que a qualificação da logística reversa pode vir a contribuir de forma significativa para o incremento da reutilização de materiais recicláveis. Ressalta-se ainda a importância das especificidades de cada setor, como por exemplo do setor de baterias, cuja logística reversa implica em cuidados que minimizem os riscos de contaminação no manuseio das mesmas, bem como no transporte do consumidor para a empresa.

 

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dezembro/2.002

Carla Ferreira,
Centro Universitário Assunção - UniFAI
São Paulo

Trabalho de conclusão de Curso apresentado no Curso de Administração de Empresas para obtenção de grau de Bacharel em Administração de Empresas.
Orientador: Prof. Sylvio Quintino Júnior

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