Como consultor fiz um projeto, onde o foco principal era a
reestruturação da malha de distribuição de um produto no interior de São Paulo. Tinha
as seguintes características:
- o produto era fabricado na capital;
- a empresa não tinha filiais e/ou depósitos no interior. Somente distribuidores
autônomos;
- carretas levavam o produto para determinadas regiões em dias específicos do mês, onde
era feito o transbordo para os caminhões menores dos autônomos, responsáveis pela
distribuição aos pontos de vendas das cidades.
Não havia um critério específico para escolha das cidades dos transbordos e nem do
número de transbordos necessários. Era feito de acordo com a comodidade de se ter um
local para a operação ou porque já era assim desde o início.
Analisando a situação, comecei a fazer o levantamento considerando as unidades vendidas
por cidade e por ponto de venda, baseado nos relatórios de vendas. Foi um serviço
trabalhoso, pois eram várias pilhas de relatórios para serem compilados.
Com este levantamento ficou mais clara, situações de cidades com significativas vendas
do produto, cidades com muitos pontos de vendas e não proporcional vendas do produto, e
cidades com menos número de pontos de vendas, mas com fortes vendas (hiperlojas).
Coloquei um papel vegetal por cima do mapa de São Paulo e quadriculei tudo, como linhas
de latitude e longitude, dando-lhes numeração como marcação do território. Ficou um
gráfico com eixos de "x" e "y".
Em seguida indiquei com pontos, todas as cidades que eram abastecidas pelos Distribuidores
(ver exemplo do gráfico abaixo - pontos amarelos).
De posse dos números levantados, fiz tabelas por regiões geográficas (ver exemplo
simplificado de tabela abaixo).
1 |
2 |
3 |
|||
Localiz. Geográfica |
vendas |
1x3 |
2x3 |
||
CIDADE |
X |
Y |
p/ unidade |
||
A |
1 |
4 |
60.000 |
60.000 |
240.000 |
B |
1 |
8 |
4.000 |
4.000 |
32.000 |
C |
3 |
8 |
2.000 |
6.000 |
16.000 |
D |
5 |
2 |
1.000 |
5.000 |
2.000 |
E |
5 |
8 |
10.000 |
50.000 |
80.000 |
F |
6 |
6 |
1.500 |
9.000 |
9.000 |
Total |
78.500 |
134.000 |
379.000 |
||
134.000 dividido por 78.500 = |
1,71 |
ponto X ideal |
|||
379.000 dividido por 78.500 = |
4,83 |
ponto Y ideal |
|||
![]() |
Baseado nestes números, ficou mais fácil ver os melhores pontos de transbordo. No caso
do exemplo, o ponto de transbordo esta indicado pelo triângulo vermelho.
As mudanças geraram economia de tempo, kilometragem, aproveitamento de carga nos
caminhões, combustível, número de transbordos, número de motoristas, etc. Enfim
economia de dinheiro.
Foi uma solução aparentemente simples, mas de grande efeito. Muitas vezes, os
profissionais responsáveis pela operação acabam deixando de fazer tais estudos, pois
estão muito envolvidos com a rotina diária e não sobra tempo para nada extra.
Uma pessoa que vem de fora e com tempo dedicado só para isto, que é o papel do
consultor, tem condições de agregar melhorias significativas no processo logístico.
mar/1998
Marcos Valle Verlangieri
Diretor da Vitrine Serviços de Informações S/C Ltda.,
empresa que criou e mantém o site www.guiadelogistica.com.br
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