Quando os processos mais óbvios são
atendidos de forma eficiente por praticamente todas as empresas, os fatores limitantes e
determinantes do sucesso estão no gerenciamento de processos como a logística reversa.
O que é logística reversa?
Quando falamos de logística reversa, o leitor pode considerar apenas o termo relacionado
com a logística utilizada na reciclagem de materiais e produtos pós-consumo. No entanto,
o que poucos sabem é que essa parte da logística refere-se também ao fluxo de produtos
ou materiais que chegou ao consumidor e, por alguma razão está retornando à sua origem
de comercialização ou de produção.
Para um melhor entendimento das diferenças entre a logística "para a frente"
ou progressiva e a logística reversa, veja a tabela comparativa das principais
características de cada uma.
Progressiva |
Reversa |
| Produto uniforme | Produto sem uniformidade |
| Visibilidade do processo é transparente | Não tem visibilidade do processo |
| Facilidade no gerenciamento financeiro | Gerenciamento financeiro é complexo |
| Facilidade na conciliação de inventários | Dificuldade na conciliação de inventários |
| Gerenciamento do ciclo de vida do produto | Dificilmente o ciclo de vida do produto é gerenciável |
| Facilidade de identificação | Não possui identificação clara |
| Gestão de armazenagem simples | Gestão de armazenagem complexa |
| Rastreabilidade dos produtos | Produtos dificilmente são rastreados |
| Custos e precificação são calculáveis | Custos e precificação são difíceis de serem calculados |
| Processo de armazenagem definido | Processo de armazenagem ambíguo |
| Negociação entre as partes com foco e progressista avanço | Negociação entre as partes é difícil |
Como podemos analisar, o "fulfillment" torna-se complexo quando o assunto é a
logística reversa, pois o retorno dos produtos envolve incertezas, sendo um comportamento
imprevisível do mercado.
Isso fica ainda mais grave quando conhecemos a realidade das empresas e sabemos que muitas
são negligentes no tratamento dos produtos devolvidos, pois eles são ignorados e, em
geral, estocados em um mezanino que mais parece o "quartinho dos fundos de
casa". Porém, não foi analisado o custo da depreciação dos produtos ali
estagnados, não havendo um procedimento para orientá-los. Imagine que alguns itens podem
ficar meses na mesma posição em que foram recebidos no ato da devolução: se o produto
for um equipamento de alto valor agregado, seu valor de mercado estará comprometido em
curto tempo.
Como tratar o retorno
As empresas que se preocupam com a logística reversa têm procedimentos claros e
específicos para gerenciar o retorno dos produtos, sendo uma prática comum a
classificação destes em cinco categorias diferentes:
1. Recondicionado: quando o produto retorna em bom estado, necessitando
apenas de limpeza e alguma revisão para ter aparência de novo.
2. Reciclado: quando o produto será reduzido a sua forma primária para
ser utilizado como matéria-prima ou apenas aproveitar alguns componentes.
3. Renovado: semelhante ao recondicionado, porém envolve mais tempo de
reparo na recuperação do produto.
4. Remanufaturado: semelhante ao renovado, contudo envolve a desmontagem
completa do produto e um trabalho para sua recuperação.
5. Revenda: quando o produto retornado pode ser vendido como novo.
As empresas que começam a tratar o retorno de seus produtos dentro dessas categorias,
aumentam a probabilidade de resultados positivos no gerenciamento da logística reversa,
pois conseguem estimar o potencial de receitas geradas pela devolução.
Elementos-chave
Os elementos que devem constituir um sistema de logística reversa no fulfillment são
semelhantes aos da logística progressiva. Porém, são poucas as empresas que possuem os
processos de retorno definidos: planejamento de transporte para retorno, parâmetros no
sistema de armazenagem que permitam um tratamento diferenciado para produtos devolvidos,
política de vendas diferenciada para comercialização de produtos devolvidos, entre
outros. Sendo assim, fica mais difícil definir o perfil da demanda de retorno e prever a
aceitação do mercado com relação aos produtos. O tempo do ciclo de retorno é um dos
elementos que podem afetar diretamente no custo logístico total do fulfillment caso ele
não seja reduzido e otimizado.
Fazendo a diferença
A logística reversa desempenha um papel estratégico no fulfillment, a partir do momento
que os detalhes fazem a diferença. Contudo, isso ainda é pouco explorado pelas empresas,
que consideram apenas a logística reversa do pós-consumo. Está aí portanto uma boa
oportunidade para começar a fazer a difrença!
setembro/2.002
Alexandre Anbar,
Consultor da IMAM Consultoria Ltda., de São Paulo.
Tel. (0--11) 5575 1400
imam@imam.com.br www.imam.com.br
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