Armazenagem Terceirizada ou Própria?

Uma operação de armazém será controlada por seu próprio pessoal ou por terceiros? Antes de considerar a questão, é essencial que concordemos com algumas características.
Entre a ampla variedade de fornecedores estão os especialistas, tanto nas funções do armazém quanto nos tipos de clientes. Você poderá encontrar um especialista com ampla experiência na armazenagem de produtos similares aos seus.
Ao tomar a decisão de gerenciar seu próprio armazém ou contratar os conhecimentos técnicos externos, é aconselhável pesquisar cuidadosamente o número e a qualidade dos fornecedores terceirizados que estão qualificados por local e experiência para armazenar seus produtos.
Na armazenagem, a decisão é direcionada por cinco fatores principais:

Sua organização possui, atualmente, gerenciamento suficiente para uma nova operação de armazenagem? Se a resposta for não, qual é o risco de uma terceirização com pessoas desconhecidas?
Por outro lado, se sua empresa tem pessoas em excesso, a terceirização do armazém fornecerá um meio de transferência de emprego. À medida que examina essa alternativa, considere se as pessoas transferidas teriam a experiência e as aptidões necessárias para operar um armazém. Ao mesmo tempo que tais aptidões podem ser aprendidas, considere onde e quando isso ocorrerá.
A filosofia gerencial tem muito a ver com a decisão de administrar ou terceirizar. Atualmente, um número cada vez maior de empresas premia os gerentes por reduzir pessoal e ativo sob seu controle. Downsizing ou rightsizing são termos e ações populares atualmente.
Ainda assim, muitas organizações permanecem burocráticas onde o poder é medido pelas pessoas e ativo. Se um gerente percebe que o caminho para o sucesso é aumentar o número de pessoas e o ativo sob seu controle, é natural que favoreça a idéia de um armazém próprio, ao invés de um terceirizado. Antes de mais nada, o armazém próprio representa um aumento no número de pessoas na organização.
A armazenagem é de ativo intenso e a maioria das operações exige investimento para novas instalações e equipamentos.
A estratégia financeira tem importante influência na questão de administrar seu próprio armazém ou terceirizar. As empresas, na sua grande maioria, medem seu sucesso por meio do exame da relação lucro líquido sobre as vendas, enfatizando "os lucros". Contudo, um número crescente de empresas coloca ênfase igual ou maior em sua habilidade de receber um retorno sobre o ativo, que é uma mistura de margem de lucros e capital de giro.
O capital de giro é o coeficiente do ativo total sobre a receita das vendas, e esse índice pode ser melhorado pelo aumento das vendas ou pela redução do número de ativo sob seu controle. Quando uma empresa se concentra na melhoria do retorno sobre o ativo, os gerentes são premiados pela redução dos inventários e minimização da quantidade do ativo fixo.
Um fator-chave na decisão de administrar ou terceirizar é o custo e a disponibilidade da mão-de-obra do armazém. As práticas existentes podem fazer com que a mão-de-obra seja de custo mais alto do que as disponíveis no mercado.
Por outro lado, algumas empresas acham que podem contratar e manter uma força de trabalho a um custo menor que os operadores terceirizados cotam para um serviço similar.
A causa mais frequente para uma decisão de utilizar armazenagem terceirizada é a necessidade de flexibilidade. Se você sabe que sempre precisará de espaço de estocagem para 10.000 paletes semanais e que tem necessidades suficientes de mão-de-obra para manter doze operadores ocupados diariamente, uma operação de armazenagem própria pode ser econômica. Todavia, poucos usuários possuem necessidades estáveis para espaço ou mão-de-obra, e é esta instabilidade que pode tornar atraente o uso de um terceiro.
Uma vez que as disposições contratuais da armazenagem terceirizada podem ser canceladas, o risco do espaço vazio é controlado pela habilidade do operador do armazém em compartilhar as necessidades de espaço de muitos usuários.
Reconhecendo a importância de compartilhar para reduzir riscos, alguns operadores de armazéns recusam cotar para um cliente potencial que exige grandes quantidades de espaço. O fundamento lógico é que se o cliente decidir sair, o montante de espaço que, repentinamente, torna-se vazio é maior do que aquele que o operador do armazém pode absorver sem graves perdas. Por esse motivo, um usuário que necessita de grandes quantidades de espaço é frequentemente incapaz de encontrar um operador que forneça a ele sem um contrato a longo prazo.
A natureza de sua utilização é uma consideração para selecionar operadores e, particularmente, decidir por utilizar armazenagem esporádica/temporária ou por contrato.
Itens sazonais e a granel são os principais candidatos às armazenagens temporárias, porque os custos de espaço podem ser mais importantes que os de mão-de-obra. O operador de armazém geral tradicional provavelmente oferecerá um espaço a um custo inferior que o típico operador por contrato.
Entretanto, a armazenagem por contrato poderá ser necessária caso o inventário tenha características únicas de movimentação e estocagem, ou se forem necessários equipamentos especiais de movimentação e sistemas de informações personalizados.
A pespectiva empresarial de usuários é um fator importante na seleção entre dois tipos de operadores terceirizados. Se a filosofia empresarial é reduzir custos, poderá escolher a exposição de risco reduzido do armazém alugado. Se suas necessidades são a curto prazo, então a armazenagem geral temporária é adequada, porque evita qualquer comprometimento a longo prazo.
Se sua meta é reduzir o ativo fixo e a mão-de-obra, então a armazenagem por contrato representa uma alternativa melhor que o armazém geral. A armazenagem por contrato é frequentemente mais atraente a um negócio em crescimento, porque cria uma parceria que pode ser ampliada.
Sempre que as quantidades necessárias de espaço e mão-de-obra sejam desconhecidas, ou sempre que existir a probabilidade de que o local necessário para a armazenagem pode mudar, a compra de serviços de armazenagem de terceiros fornece uma flexibilidade que pode ser medida em valores poupados por evitar o risco.
O argumento mais forte para a decisão de manter o próprio armazém ou terceirizar é o controle. Se um erro pode provocar a perda de um cliente, ou (no caso de produtos médicos) a perda de uma vida, pode-se concluir que o controle da armazenagem não pode ser delegado a um terceiro sem levar em consideração a reputação do fornecedor.
Ao mesmo tempo que poucos admitirão, a questão de controle é emocional. Alguns gerentes são incapazes de aceitar o risco de que um terceiro possa executar um trabalho satisfatório. Importantes falhas podem custar o emprego dos gerentes, e o gerente que passou por uma experiência ruim com um terceiro, dificilmente enfrentará a possibilidade da perda de controle.
Colocando o fator emocional de lado, o monitoramento eletrônico permite aos usuários obter maior controle sobre as operações do armazém terceirizado do que nunca. Se alguma coisa de errado acontece, pode ser rapidamente detectada.


Edson Carillo Júnior,
Diretor da IMAM Consultoria Ltda., de São Paulo.
Tel. (0--11) 5575 1400    www.imam.com.br

Esta página é parte integrante do www.guiadelogistica.com.br .