Novo impulso na logística em Portugal
1. Conclui-se, num dos relatórios do Estudo da Logística do Porto de
Lisboa, que a Logística associada às cadeias vinculadas ao referido porto é pobre,
sendo praticamente insignificantes as actividades logísticas de valor acrescentado que
nele ocorrem. Pode dizer-se, sem perigo de errar, que se encontra tudo por fazer, entre
nós, em matéria de logística portuária, cujos estudos principiaram todavia não há
muito tempo.
Mas tal não acontece só nos portos. Das iniciativas prioritárias atribuídas à
reformulação do Sistema Logístico Nacional, não existem, nem há sinais visíveis de
criação dos CTMs Centros de Transporte de Mercadorias, a implantar nas
Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, não se sabe qual é a situação dos
previstos CCA´s Centros de Carga Aérea, a instalar igualmente em Lisboa (na
Portela e/ou na Ota?) e no Porto (no Aeroporto Francisco Sá Carneiro), nem se conhece o
estado de desenvolvimento da ZAL Zona de Actividades Logísticas, a criar em Sines,
presumindo-se que esteja a dar os primeiros passos, embora ainda
no papel!
O Plano da Rede Nacional de Plataformas Logísticas viu a luz do dia, não há muitos
meses, mas, dada a rigidez de um tal tipo de instrumento de ordenamento territorial,
diz-se que irá ser posto ao serviço das iniciativas logísticas, de uma maneira mais
pragmática, o que implica que adquira uma maior agilidade e adaptação à realidade.
Supomos que esse trabalho se encontra em curso.
Os Programas de Reordenamento Logístico das Áreas do Carregado/Azambuja, Coina/Palmela,
e Bobadela/Alverca, na zona de Lisboa, e o Programa correspondente da Área do Norte do
país, estão a aguardar oportunidade de enquadramento no dispositivo instrumental de
ordenamento do território, que vigora no país, para então se avaliar da sua efectiva
utilidade.
O desenvolvimento da intermodalidade não se vê concretizado, fracassando as iniciativas
rodo-marítimas e não tendo lugar qualquer empreendimento rodo-ferroviário no domínio
das mercadorias, ambos os factos perturbando a definição, e sobretudo a implementação,
de uma estratégia macrologística para Portugal que melhor defenda os nossos interesses.
2. As razões pelas quais, de um período de grande divulgação da Logística em
Portugal, que se verificou nos últimos 10 a 15 anos, passámos actualmente para uma
situação de enorme expectativa acerca de soluções pragmáticas a empreender,
radicam-se, a nosso ver, nas dificuldades financeiras que o país atravessa, mas também
num certo desinteresse pela questão da Logística verificado a todos os níveis,
sobretudo no plano político e administrativo, uma vez que no plano privado a actividade
dos operadores logísticos segue de vento em popa, traduzida numa actuação extremamente
útil e na constituição de inúmeras plataformas logísticas.
Os empreendimentos logísticos de interesse público todavia tardam a aparecer, parecendo
fazer crer que não há necessidade de projectos dessa natureza, e que o Estado não deve
propugnar por eles. Nada mais errado, porque sem iniciativa pública não teremos
infra-estruturas com tal cariz, ou pelo menos com as virtualidades que essa
característica impõe.
A vontade política na Logística não tem vindo a manifestar-se em termos
práticos, independentemente da convicção que temos de que o actual Ministro da Tutela
atribui ao sector particular atenção.
3. Não bastam porém as intenções, se é que existem. É preciso que haja
meios financeiros que se torna indispensável fazer convergir para a Logística. O POAT
Programa Operacional de Acessibilidades e Transportes tem verbas previstas para o
efeito. O Project Finance é uma modalidade que tem sido capaz de apoiar financeiramente o
sector dos transportes, como outros. As Câmaras Municipais podem certamente contribuir,
por exemplo com terrenos, para as infra-estruturas. E acaba de nascer a API - Agência
Portuguesa de Investimento que pode ter uma palavra a dizer sobre este assunto. Do que
não há dúvida é que a Logística precisa de um novo impulso, sem o qual se começará
a descrer dela. Porque esquecer é morrer. E isso nós não gostaríamos de ver acontecer.
novembro/2002
A. Figueiredo Sequeira,
Professor e Consultor de Transportes, Portos e Logística
figsequeira@mail.telepac.pt
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