Mobilidade Urbana

Os princípios do desenvolvimento sustentável aplicados à adoção de uma política de logística e transportes necessitam de uma consideração no âmbito de uma abordagem global que integre planificação e desenvolvimento local.
As implicações de uma política de transportes não devem simplesmente ser avaliadas nesse setor, mas em todos os outros setores: habitação, urbanismo, meio ambiente, desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e vida local.
Precisamos reformular desde os parâmetros de transporte em si, até a ocupação do solo urbano, para diminuir as distâncias e utilizar fontes energéticas menos impactantes. Combustíveis alternativos – álcool, GNV, biodiesel e a células de hidrogênio devem começar a ser implementadas, com maiores investimentos em tecnologia para que alcançemos nos próximos 20 anos uma nova matriz energética associada ao transporte.
Políticas integradas relativas ao urbanismo, ao desenvolvimento rural, à organização territorial, ao habitat, aos serviços e aos meios de transporte devem envolver um grande número de partes interessadas no processo e se exprimir, em termos de meios de transporte, por ações acerca dos serviços multimodais, dos transportes coletivos, das redes de vias de baixa velocidade e a reutilização de sistemas rodoviários.
Os movimentos mais complexos da industrialização, trazem a necessidade de criações de distritos industriais atraindo um maior desenvolvimento econômico social ao seu entorno, por outro lado, traz graves desequilíbrios sociais. Tais desequilíbrios, se rebatem sobre os espaços urbano e metropolitano, gerando dualidades e segregações, fenômeno comum, aliás, às metrópoles brasileiras e suas periferias.
Tais desequilíbrios por exemplo são, os assentamentos humanos, que apontam para uma desordem ocasionada pelo fenômeno da metropolização incontrolável e ressalta a importância das cidades, agentes políticos plenos, ao lado dos Estados, para a adoção de políticas de desenvolvimento sustentável, sobretudo em matéria de deslocamentos e mobilidade de transporte.
Numa perspectiva metropolitana, fica patente a falta de estratégias e políticas mais abrangentes para a questão urbana pois, apesar dos problemas comuns, usualmente os municípios que compõem uma  Região não atuam de forma cooperativa, em prejuízo das necessidades básicas dos seus habitantes.
As alternativas de encaminhamento de soluções para reduzir as dificuldades e suas repercussões negativas, tanto na qualidade dos serviços oferecidos à população, quanto no planejamento e resultados das empresas, devem ser procurados através do debate, troca de experiências, “cases”, “benchmarking” e, principalmente, vivência de empresários, administradores públicos e especialistas. Assim, deve-se implementar um planejamento estratégico e neste sentido, alguns temas podem ser mencionados, com vistas a suscitar um debate mais aprofundado tais como:

· Promover uma abordagem global e integrada dos problemas urbanos; com planos e ações executivas compatíveis com a complexidade das operações;

· Promover a implementação das Agendas 21 locais;

· Articular o plano global com o local, principalmente as escalas decisórias dos Estados e das cidades.

· Mobilizar a sociedade como um todo.

· Melhorar a qualidade, o conforto urbano e o meio ambiente das vias de pedestres;

· Investir nos meios de transporte de tráfego não rodoviário;

· Criar vias reservadas ao transporte coletivo, ao transporte cooperativo e ao transporte não-motorizado;

· Favorecer a introdução de veículos não-poluentes sem restrições de uso;

· Desenvolver tecnologias de automóveis ecológicos ou de baixo consumo;

· Aperfeiçoar a gestão dos fluxos de tráfego;

Do ponto de vista prático, o que se pode fazer é buscar debater soluções institucionais que dêem suporte aos esforços conjuntos e à adequada divisão de trabalho entre a União, o Estado e os Municípios, para a solução dos problemas de habitação popular, saneamento básico, transporte público, preservação ambiental e marginalidade social, que extrapolem os limites municipais e consubstanciem uma visão metropolitana.

 novembro/2002

José Vitor Mamede,
Eng. de Produção Mecânica
Pós Graduação em Adm. Geral
Especialista em Logística da FIESP
jvmamede@uol.com.br ; jvmamede@fiesp.org.br


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