Todos os benefícios trazidos pela Internet na gestão
de fornecedores, abordados em nosso artigo anterior, também se aplicam aos
distribuidores. Uma comunicação mais ágil com o distribuidores, a diminuição do custo
administrativo, principalmente de mão de obra, a diminuição na margem de erro devido ao
processamento eletrônico das informações e também uma melhor sintonia entre a
produção e a demanda do mercado de forma a gerar maiores níveis de eficiência. Um
cenário perfeito seria imaginar uma empresa ligada on-line com todos os seus fornecedores
numa ponta e com todos os seus distribuidores em outra. De tal forma que qualquer
oscilação na demanda seria captada na ponta da distribuição e imediatamente
percorreria toda a cadeia distributiva chegando até os fornecedores. Se me permitem
sonhar um pouco, imagine a informação fluindo eletronicamente com tal agilidade por
todas as empresas, em todos os setores da economia. Teríamos uma sociedade extremamente
eficiente com níveis baixíssimos de desperdício e estoques desnecessários. De certa
forma, foi isso que fez o Japão com sua indústria automobilística na década de 80.
Embora na ocasião, a Internet não existisse no moldes atuais, a informatização das
montadoras e seus fornecedores e distribuidores, calcados em um forte filosofia de
aproximação e parceria foi um dos fatores do extraordinário avanço da indústria
japonesa no setor, a ponto de competir com sucesso com as próprias montadoras americanas
dentro dos Estados Unidos.
Mas nem tudo são flores nessa relação com os
distribuidores. Uma palavra que faz qualquer empresa que está posicionada entre o
fabricante e consumidor final, perder o sono, é a tal de desintermediação. Basicamente,
significa eliminar um ou mais elos da cadeia de distributiva e vender diretamente ao
cliente. Com a Internet isso não só é possível, como está sendo feito de forma
intensa por muitas empresas em diversos setores. Cias Aéreas vendem passagens diretamente
ao consumidor pela Internet, a Dell Computer vende quase toda a sua produção de
computadores pela Internet, a Caloi vende bicicletas pela Internet, a GM do Brasil
vendeu mais de 70% de seus automóveis Celta pela rede no ano passado. Só para citar
alguns exemplos. Embora em boa parte dos casos não tenha havido uma eliminação
total dos revendedores, houve com certeza uma diminuição em seu poder de negociação e
também em sua margem de lucro na revenda. O que não deve ser nada animador, tendo em
vista que a maioria dessas empresas já sofre também a concorrência das ponto-com que
estão se posicionando fortemente em praticamente todos os mercados. Apesar da grita
compreensível, por parte das revenda, a desintermediação é positiva do ponto de vista
econômico, na medida em que possibilita a diminuição do preço para o consumidor final.
Embora, não exista a garantia de que isso vá ocorrer para todos os produtos. Outro
aspecto, é que essa possibilidade de acesso direto aos clientes força todos os elos da
cadeia distributiva a buscar a geração de valor para seus clientes, através de apoio
logístico, suporte pós-venda, assessoria na escolha do produto, entre outros, que
justifiquem a sua presença no mercado.
A moral dessa história toda é que as margens de lucro agregadas ao longo da cadeia
distributiva tendem a ser cada vez menores, existindo cada vez menos espaço para empresas
que adicionam muito custo e pouco valor ao produto.
novembro/2002
Dailton Felipini,
Mestre em Administração pela Fundação Getúlio Vargas. Consultor e Professor de
Planejamento e Gestão de Empresas Ponto-com na Universidade Ibirapuera.
Editor do site: www.e-commerce.org.br
Esta página é parte integrante do www.guiadelogistica.com.br .