Para vender bem é fundamental comprar bem
Imagine que você fosse o responsável por todo o setor
de compras de suprimentos de uma indústria que utiliza mais de 10.000 itens diferentes na
fabricação de seus produtos e a eventual ausência de um único item poderia interromper
a produção trazendo grandes prejuízos. Por outro lado, um grande volume de estoque
seria inaceitável tendo em vista o custo financeiro numa economia que possui altas taxas
de juro. E para finalizar o quadro, os suprimentos são produzidos por mais de 1.200
fornecedores geograficamente dispersos. Guardadas as proporções numéricas, essa é
uma situação comum para boa parte das Indústrias, o que torna o gerenciamento de
estoques e suprimentos, também conhecido como Supply Chain Management
uma área nevrálgica para essas empresas. Decisões vitais devem ser tomadas rapidamente
e os erros implicam diretamente em aumento de custos. A Internet representou um
considerável avanço na gestão de suprimentos, através da integração de
sistemas dos compradores e fornecedores. Antes, cada empresa gerenciava os seus sistemas
de informação isoladamente, até de forma incompatível com os sistemas de seus
fornecedores. A tendência hoje é de busca pela integração, de tal forma que os
fornecedores tenham acesso on-line as suas necessidades e possam imediatamente suprir os
produtos demandados.
Os benefícios são palpáveis e poderiam ser resumidos em termos de:
agilidade no acesso a informação;
diminuição substancial no nível dos estoques;
aumento da produtividade em função da diminuição do ciclo produtivo;
diminuição da margem de erros no processamento das informações;
diminuição de gastos
administrativos, principalmente com salários.
Os sistemas de gestão
de suprimentos, podem ser restritos a um grupo de fornecedores, que já transacionam
normalmente com a empresa, ou podem se abertos ao mercado de forma que qualquer
fornecedor, uma vez cadastrado, pode disputar o fornecimento. O processo chamado
e-procurement amplia de forma ilimitada a quantidade de fornecedores ao abrir
para o mercado, as ofertas de compras. A SABESP, empresa de saneamento de São Paulo que
abraçou com entusiasmo a tecnologia da informação, é um bom exemplo de empresa que vem
obtendo excelentes resultados nessa área. Em seu site, a empresa cadastra os fornecedores
que tem interesse em participar das compras, disponibiliza o chamado leilão reverso, onde
os fornecedores fazem lances e vence quem oferecer o menor preço, também disponibiliza
informações sobre, pagamentos, contratos, licitações em andamento, entre outras. De quebra, oferece prêmios para os fornecedores
que se destacam pela excelência no fornecimento. Tudo isso tem se traduzido em aumento da
eficiência e diminuição de custos. Para
empresas de menor porte, existe a alternativa mais barata de se utilizar site de
terceiros, os chamados Mercados Eletrônicos, que geralmente agregam empresas do mesmo
setor, como têxtil, eletrônico, petrolífero, químico, agrícola, entre outros, onde as
transações são realizadas nas mais diversas modalidades. Normalmente, a empresa paga
uma pequena taxa para fazer parte do mercado e uma comissão para o site no caso das
transações efetivadas. É um gasto facilmente coberto pelo ganho na redução do preço
dos produtos adquiridos. No Brasil existem
mais de 60 mercados desse tipo, embora, muitos deles não tenham atingido ainda, um
número suficiente de usuários para alavancar o negócio.
O fato é que hoje já existe no mercado, a disposição das empresas,
diversas soluções para agilizar a gestão de suprimentos. De
tal forma que a imagem da sua secretária datilografando um pedido de compra para enviar
ao seu fornecedor pelo correio se torna algo cada vez mais impensável.
outubro/2002
Dailton Felipini,
Mestre em Administração pela Fundação Getúlio Vargas. Consultor e Professor de
Planejamento e Gestão de Empresas Ponto-com na Universidade Ibirapuera.
Editor do site: www.e-commerce.org.br
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