Logística Interna para empresas prestadoras de serviço

Resumo: Esse trabalho tem como objetivo demonstrar a importância da logística interna nas organizações prestadoras de serviço. A logística é vista como uma ferramenta capaz de aumentar a eficiência organizacional através da redução dos custos operacionais, agilizando os processos em toda a cadeia de abastecimento. A logística é um termo militar que foi incorporado pelas organizações comerciais e industriais e poucos são os estudos sobre a logística interna em empresas prestadoras de serviço. Vamos apresentar de que forma o modelo de ressuprimento semi-automático de mercadorias muito utilizado nas indústrias e no comércio pode ajudar e contribuir para que as empresas prestadoras de serviço consigam criar vantagens competitivas através dessa efetividade operacional em sua área de recursos materiais e patrimoniais. A partir do momento que uma empresa prestadora de serviço consegue estabelecer e montar um bom sistema informatizado e semi-automático de ressuprimento consegue, também atender melhor seus funcionários e clientes da organização. O cliente como parte integrante de todo o processo da prestação de um serviço percebe e avalia a qualidade em cada uma das etapas do processo, e a simples falta de um suprimento ou recurso patrimonial no decorrer do processo pode afetar de forma negativa a percepção do cliente sobre o serviço que está sendo oferecido.
Palavras-chave: Logística, ressuprimento, prestadores de serviço.

1. INTRODUÇÃO
Segundo De Geus (1998) os fatores principais da longevidade das organizações são:

- Sensibilidade ao ambiente e sintonia com o mundo a sua volta;
- Coesão e dotação de um forte senso de identidade, não importando a extensão da diversificação de suas atividades. Seus funcionários e por vezes até seus fornecedores sentem que são partes de uma só entidade;
- Tolerância com as atividades paralelas e experimentos;
- Conservadorismo nas finanças; são frugais e não arriscam gratuitamente seu capital. Elas entendem o significado do dinheiro à moda antiga, sabem a utilidade de se ter alguma reserva em caixa.

Relacionando os estudos de Geus (1998) Identificamos bastante similaridade dos fatores apresentados por ele, com as possíveis dificuldades encontradas pelas empresas prestadoras de serviço de uma maneira geral. Manter uma estrutura organizacional de atividades tão diversas, dinâmicas, e com objetivos tão complexos como nas empresas prestadoras não é uma tarefa simples e fácil, há a necessidade de uma boa estrutura física, e um acompanhamento sistemático das evoluções tecnológicas e uma exelente efetividade operacional. Obter esta efetividade operacional nas empresas prestadoras de serviço na área de material passa pela definição do melhor momento da compra, armazenamento e distribuição dos recursos materiais utilizados nas atividades desenvolvidas dentro da organização.
As inovações tecnológicas provocaram nas organizações revoluções na forma de sua gestão e condução de suas atividades. Para o desenvolvimento dos recursos materiais e patrimoniais esta contribuição das inovações tecnológicas tem sido um diferencial para que as organizações atinjam seus objetivos de forma mais econômica e rápida. Um bom sistema informatizado na gestão de material ajuda a empresa realizar políticas mais eficientes de compra, armazenamento, e distribuição, isto porque permite que ela identifique rapidamente os parâmetros ideais de ressuprimento (demonstrando a fórmula de cálculo do modelo de ressuprimento semi-automático de
mercadorias analisando as variáveis: Consumo médio mensal, estoques máximos e mínimos, ponto ideal de compra, classificação ABC) para uma reposição de seus estoques de forma semi-automática.
Defendemos a reposição semi-automática como sendo a melhor para este tipo de organização que está sempre em sintonia com as mudanças do meio ambiente além de permitir a interferência dos Recursos Humanos no processo, pois são eles que possuem condições de avaliar e agir nas variáveis ambientais que podem interferir no processo de compra. Como causa direta desta ação teremos
a diminuição dos problemas em empresas prestadoras de serviço, da falta e ou do uso inadequado de materiais durante o processo de prestação do serviço ao cliente.
Dentre os benefícios do gerenciamento da logística interna nas organizações prestadoras de serviço outros resultados são esperados, dentre estes destacamos:
A - Aumento da eficiência operacional com a diminuição dos custos. O número de pedidos processados tende a aumentar fazendo com que a empresa absorva a filosofia do "just in time".
B - Manutenção e crescimento no número clientes. Quando os produtos passam a não faltar durante o processo de prestação do serviço ao cliente, este percebe que a empresa mantém padrões de qualidade que são incorporados aos serviços, agregando assim valor para ele.
C - Preservação do meio ambiente. Um dos maiores desafios de toda a sociedade contemporânea é a preservação do meio ambiente. O sistema de ressuprimento ideal não tem por objetivo somente a redução dos custos e o aumento na agilidade dos processos, mas também evitar que ocorra prejuízo
pelo armazenamento em excesso ou subutilização dos materiais.
D - Mudanças no comportamento das empresas fornecedoras ao longo do tempo.

Os avanços da tecnologia de informação ocasionados pela propagação da Internet propiciaram uma maior integração entre as empresas. Esta integração permite que o modelo proposto contribua para a execução das operações de negócios entre empresas (B2B).
A filosofia da logística foi incorporada nas organizações brasileiras recentemente, primeiro nas relações entre as indústrias e seus distribuidores, em seguida entre os seus fornecedores de matéria-prima e clientes. Segundo Ching (1999) é certo que as empresas que produzem e distribuem serviços se beneficiarão dos atuais conceitos e princípios logísticos e procurem assim, adaptá-los às suas necessidades.

2. REVISÃO HISTÓRICA DA LOGÍSTICA
A logística originou-se no século XVIII, no reinado de Luiz XIV, onde existia o posto de Marechal - General de Lógis -, responsável pelo suprimento e pelo transporte do material bélico nas batalhas. Segundo Moura (1998), a logística surgiu no Brasil entre as décadas de 1980 e 1990, e surgiu em função da mudança na forma com que as organizações viam seus clientes. Até então, acreditava-se que os serviços prestados eram suficientes para atenderem as necessidades do cliente, sem importar
realmente com o que ele queria. Essa mudança de visão fez com que as empresas procurassem não mais possuir depósitos descentralizados, mas sim centralizados e com maior poder de agilidade na distribuição, provocando uma redução nos estoques, um melhor nível de serviço e uma administração
reduzida na loja. A partir desse ponto de vista, o ritmo de mudança acelerou-se e o gerenciamento da cadeia de suprimento tornou-se importante.
Essa rápida movimentação dos materiais fez com que a palavra do momento fosse o just-in-time.
Uma visão mais globalizada da logística é apresentada por Ching (1999). Ele não separa o surgimento da logística de forma regional e a analisa de forma geral, separando-a entre as décadas. Até 1950 não existia uma filosofia dominante para conduzi-la. As empresas dividiam as atividades-chave da logística sob diferentes áreas: o transporte, a distribuição e os estoques, que estavam em gerências diferenciadas tais como produção, finanças e marketing. Para Ching, a logística sempre foi administrada pelas empresas e grande parte do aperfeiçoamento gerencial apareceu após as empresas terem começado o re-agrupamento das atividades. Os altos lucros obtidos pelas organizações nessa época fizeram com que a ineficiência da distribuição fosse tolerada.  Entre 1950 e 1970 houve uma decolagem da teoria e da prática da logística. Os teóricos começaram a dizer que não bastava somente a relação compra e venda para o atendimento das demandas dos clientes, mas era necessário dar importância à distribuição, pois ela interferia diretamente nos custos da organização, tornando assim o argumento básico para que as empresas fizessem o re-agrupamento lógico das atividades. O
autor também levanta outros aspectos que contribuíram para a valorização da logística. Dentre eles destacamos:
a) Alterações nos padrões de atitude da demanda dos consumidores. Migração das áreas rurais para as urbanas, busca por produtos variados, aumento nas áreas metropolitanas, fazendo com que os distribuidores criassem centrais de distribuição.
b) Pressão por custos nas indústrias. Após a Segunda Guerra, houve um crescimento econômico substancial seguido de recessão, que fez com que os administradores procurassem novas maneiras de melhorar a produtividade.
c) Avanços na tecnologia de computadores. Com o passar do tempo, os problemas logísticos passaram a ficar mais complexos em decorrência da abertura de novos mercados, fazendo com que as empresas procurassem novas alternativas. Uma dessas alternativas veio com o aparecimento do computador que passou a auxiliar na realização de funções complexas.

Ching (1999) abordou que, a partir de 1970, a logística empresarial passou para o estágio de semi-maturação, já que os princípios básicos amplamente definidos estavam proporcionando benefícios a empresas. Mesmo assim, segundo Ching (1999), a aceitação do mercado ainda era vagarosa, uma vez que as empresas se preocupavam mais com a geração de lucros do que com o controle de custos. Contudo, algumas forças de mudança e eventos influenciaram cada vez mais a logística. Ele destaca entre elas a competição mundial, a falta de matérias-primas, a súbita elevação nos preços do petróleo e o aumento da inflação mundial. Segundo Ching (1999, p.24), "houve mudança na filosofia que passou de estímulo da demanda para melhor gestão dos suprimentos".
Para esse autor (1999), o processo da evolução logística se deu, quando trata do reagrupamento das atividades como sendo uma das principais conseqüências para a utilização da logística nas empresas, está tratando do que aconteceu com as ciências da administração.
Stoner (1982, p. 23) apresenta em seus estudos da teoria da administração o processo de evolução. As datas apresentadas na evolução da logística coincidem com o período de transformações nas formas de entendimento e administração de uma empresa. A logística passa a ter grande importância
quando ocorre a inclusão da visão sistêmica e contingencial na análise da administração. Essa visão do todo e as inter-relações entre os setores e os departamentos que ocorreu com as abordagens sistêmicas e contingencial fez com que as atividades de logística sempre utilizadas de forma individual nas organizações passassem a ser integradas e suas ações fossem voltadas para atingir os objetivos comuns traçados pelas organizações.
 
3. DEFINIÇÕES E CONCEITOS DA LOGÍSTICA
Alguns autores colocam a logística acima de sua conceituação clássica, segundo o dicionário Aurélio (1999):
"Logística é a parte da arte da guerra que trata do planejamento e da realização de:
a) projeto e desenvolvimento, obtenção, armazenamento, transporte, distribuição, reparação, manutenção e evacuação de material (para fins operativos ou administrativos);
b) recrutamento, incorporação, instrução e adestramento, designação, transporte, bem-estar, evacuação, hospitalização e desligamento de pessoal;
c) aquisição ou construção, reparação, manutenção e operação de instalações e acessórios destinados a ajudar o desempenho de qualquer função militar."
Muitas denominações também são apresentadas para a logística, segundo o Glossário da Logística do IMAM (1998 p. 45-46): Logística contratada; Logística de abastecimento; Logística de distribuição; Logística de manufatura; Logística de terceira parte; Logística integrada; Logística de
negócios; Logística organizacional - pode ser tanto dentro da organização (logística interna) até a da organização envolvendo o planejamento e o controle do fluxo do produto desde o seu desenvolvimento e Logística reversa - faz com que os produtos após a sua utilização sigam o caminho contrário para fins de reciclagem.
Mas o que é logística? O conceito da essência da palavra foi apresentado conforme o dicionário, mas para os estudos da administração, o que vem a ser a Logística?
Vários autores apresentam definições com enfoques diferenciados. Para Ching (1999), logística é o canal de distribuição e é entendida como sendo a cadeia de suprimentos, abordada por Arnold (1999 p. 23). Segundo a sociedade dos engenheiros de logística (Sole - Society of logistic Engineers), a logística é uma técnica e uma ciência. Para Chistopher (1989), a logística é um processo. Para Kobaysch (2000), ela é um sistema, e a inclusão do termo da logística integrada é abordada por Fleury.
Destes autores, selecionamos o conceito de logística apresentado por Ching (1999):
"Podemos entender logística como o gerenciamento do fluxo físico de materiais que começa com a fonte de fornecimento no ponto de consumo. É mais do que uma simples preocupação com produtos acabados, o que era a tradicional preocupação da distribuição física. Na realidade, a logística está preocupada com a fábrica e os locais de estocagem, níveis de estoque e sistema de informação, bem como com seu transporte e armazenamento".
Nessa definição existe a inclusão do conceito da cadeia de suprimento, mostrando a necessidade de uma visão geral de todo o processo produtivo. O autor deixa claro também de quem é a responsabilidade pela gestão da logística, eliminando as confusões existentes entre o conceito de
administração de material e logística. Entendemos ainda que esta definição é mais completa, pois privilegia e coloca como foco da logística o atendimento das necessidades dos consumidores.

4. OBJETIVOS E CARACTERISTICAS DA LOGÍSTICA
O objetivo principal da logística é reduzir os custos e maximizar os lucros da organização. Este objetivo é alcançado através da agilidade de informação e flexibilização no atendimento de entrega dos produtos aos consumidores.
Para Ching (1999), a logística representa um fator econômico em virtude da distância existente tanto dos recursos (fornecedores), como de seus consumidores, e esse é um problema que a logística tenta superar. Se ela conseguir diminuir o intervalo entre a sua produção e a demanda, fazendo com que os consumidores tenham bens e serviços quando e onde quiserem e na condição física que desejam.
As principais características da logística são apresentadas pelo IMAM (2000, p.12):
"A logística representa uma oportunidade ideal para adicionar valor a fim de realizar o sucesso do cliente, isto pode ser por meio":
- Melhoria da qualidade: reduzir inventário; reduzir tempo em trânsito.
- Flexibilidade da embalagem: os clientes recebendo os produtos como desejam.
- Velocidade de resposta: fluxos rápidos de informações e redução de tempo.
- Distribuição coordenada: planejamento dos locais de distribuição".
Essas características apresentam-se na essência da logística para o IMAM (1998, p. 53):
"Um processo logístico efetivo é essencial para satisfazer o cliente e ganhar vantagem competitiva. Melhorar a qualidade do serviço que a logística fornece aumenta a satisfação do cliente e apóia a sua lealdade. Isso, por sua vez, leva ao aumento da participação do mercado e a maior margem de
lucro. Ao mesmo tempo, focalizar as reais necessidades do cliente elimina custo de serviço não valorizado. Melhorar a produtividade do processo logístico também reduz custo. Juntas, essas ações ajudam a tornar os produtos e serviços mais atraentes no mercado".

5. LOGÍSTICA INTERNA x LOGÍSTICA EXTERNA
A logística interna refere-se a todo o processo de recebimento, guarda, controle e distribuição dos materiais utilizados dentro de uma organização. Nas indústrias a logística interna é um fator primordial para a obtenção da eficiência e do aumento nas quantidades produzidas. Nosso objetivo é demonstrar que nas empresas prestadoras de serviço a logística possui tanta importância como tem na indústria. Mintzberg (2000, p. 84-85) destaca a importância das atividades de suporte para a elaboração das
estratégias em uma organização quando analisou em seu livro as escolas do processo de elaboração das estratégias. Segundo ele, o autor Porter introduziu uma cadeia de valor (1989 p. 33-49):
"Ela sugere que uma empresa pode ser desagregada em atividades primárias e de suporte. As atividades primárias estão diretamente envolvidas no fluxo de produtos até o cliente, e incluem logística de entrada (recebimento, armazenagem etc), operações (ou transformações), logísticas de saída (processamento de pedidos, distribuição física, etc,), marketing, vendas e serviços (instalações, reparos, etc). As atividades de suporte existem para apoiar as atividades primárias. Elas incluem suprimento, desenvolvimento tecnológico, gerenciamento de recursos humanos e provisão da infra-estrutura da empresa (inclusive finanças, contabilidade, administração geral, etc.)".
A logística interna é apresentada na abordagem de Martins & Campos (2000). Segundo eles, a logística surgiu em 1970 por meio de um de seus aspectos; a distribuição física, tanto a interna como a externa, e a justificam pelas organizações industriais e comerciais terem abandonado o empirismo para abastecer mercados emergentes em um país de dimensões continentais e de uma malha de transportes incipientes. Nessa cadeia de valor nenhuma das operações sustenta-se sozinha se elas não estiverem integradas entre si e, se as empresas acabarem desprezando uma dessas atividades, estarão
comprometendo o desenvolvimento de suas estratégias e automaticamente eliminando possíveis potencialidades de crescimento de sua organização.
Desse modo, o estudo e o desenvolvimento da logística interna vão fazer com que a organização obtenha vantagem competitiva perante seus concorrentes.
Em nosso entendimento a melhor forma de demonstrar a diferença entre a logística interna e a logística externa é avaliarmos e conhecermos um canal de distribuição. A logística externa refere-se a toda a movimentação de mercadoria de uma empresa para outra empresa. Um canal de distribuição ou um canal de Marketing é definido por Kotler (2000, p. 510) como "conjuntos de organizações interdependentes envolvidos no processo de disponibilizar um produto ou serviço para uso ou consumo". Para Fleury (2000, p. 42) a logística externa é responsável por todas as funções da administração dos recursos materiais: compra, armazenamento, distribuição, transporte e informações entre uma ou outra empresa pertencente à complexa estrutura do canal de distribuição.
Nas organizações, essencialmente nas prestadoras de serviço, a logística externa é quase nula. Como a logística refere-se à movimentação de materiais e o fluxo de informação, e nas empresas prestadoras de serviço não existem operações de compra e venda de produtos palpáveis, a logística externa passa
a não existir. Com raras exceções, determinadas empresas prestadoras de serviço oferecem produtos junto aos serviços oferecidos, mas nesse caso todos esses recursos materiais já foram gerenciados e trabalhados pela logística interna.

6. SISTEMA GESTÃO DE ESTOQUE
As principais questões que a gestão de estoque procura responder são: quanto deve a empresa pedir do material? Em que momento essa compra deve ocorrer? Quanto deve manter em estoque de segurança? E onde devemos armazenar esse material? As respostas a essas questões passam por diversas análises, dentre elas as exigências dos consumidores, a disponibilidade do material e o modelo adotado para o controle desse estoque. Essas respostas também não serão obtidas se não houver um aumento na eficiência operacional das atividades de transporte, de armazenagem e de processamento dos pedidos.
Todas estas atividades importantes para a logística interna bem como a escolha do modelo a ser adotado pela organização. Para as empresas prestadoras defendemos a escolha do modelo de reposição semi-automático.

7. MODELO DE REPOSIÇÃO SEMI-AUTOMÁTICO
Segundo Viana (2000), a otimização do estoque é obtida pelos parâmetros de ressuprimento, os quais têm a finalidade de manter os níveis permanentemente ajustados em função da lei de consumo, do prazo de reposição, da importância operacional e do valor de cada material. Esses parâmetros de ressuprimento, de acordo com Viana (2000), dentre outros são:
- Estoque máximo (EM). Quantidade máxima de estoque permitida para o material, indica o intervalo de cobertura.
EM = NR + TU x IC
- Estoque de segurança (ES). Também conhecido como estoque mínimo, indica a quantidade mínima capaz de suportar o tempo de ressuprimento e a condição crítica do material.
ES = K x TR x CMM
- Fator de segurança (K). Serve para reduzir as distorções por fatos externos à organização e é indicado pela importância operacional do produto para o desenvolvimento das atividades na organização. Pode ser representado pela seguinte tabela:

- Nível de reposição (NR). Quantidade que, se atingida, indica o momento de ser, providenciado a emissão do pedido de compra para a reposição do material.
NR = ES = CMM x TR
- Tempo de ressuprimento (TR). Intervalo de tempo compreendido entre a emissão do pedido de compra e o efetivo recebimento, gerando a entrada do material no estoque. É composto pelos tempos internos e externos, tais como:
TPC - tempo de preparação da compra
TAF - tempo de atendimento do fornecedor
TT - tempo de transporte
TRR - tempo de recebimento e regularização
De onde:
TR = TPC = TAF = TT = TRR
- Quantidade a comprar (QC). Quantidade de material otimizada solicitada para aquisição, quando atingido o nível de reposição, e prevista para o consumo durante o intervalo de cobertura.
QC = EM - EV
- Consumo médio mensal (CMM). Valor médio dos diversos consumos verificados em uma unidade de tempo.
De acordo com Martins & Campos (2000), o modelo recebe os nomes de reposição contínua, o lote padrão, o modelo do estoque mínimo, o modelo do ponto de reposição. Esse modelo emitirá o pedido de compras com quantidade igual ao lote econômico.

8. MODELO PARA EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO
Dentre os três modelos existentes (lote econômico, just in time e ponto de pedido), entendemos que o modelo de reposição semi-automático ou modelo matemático de reposição é o mais indicado para as empresas prestadoras de serviço e, conseqüentemente, para a adoção da logística interna nessas organizações. Apresentaremos alguns argumentos para essa nossa opção, conforme abaixo relacionado:
A) Por muito tempo os controles de mercadoria para consumo da organização não eram considerados pelos administradores. Julgava-se que o custo financeiro para se manter um sistema e controle era alto perto dos benefícios avaliados, ou o que se pudesse alcançar com esses controles,
mesmo porque também as empresas privilegiavam os controles para atendimento à clientela consumidora da organização.
B) Os métodos do lote padrão (lote econômico) e Just in Time (JIT) são métodos essencialmente adotados para sistemas produtivos. O primeiro método considera que a demanda é totalmente previsível e estável e o segundo propicia a diversificação da linha de produção a qualquer momento;
C) O método de reposição semi-automático é muito utilizado nas empresas comerciais e leva em consideração o conhecimento da demanda, o imprevisível que gera a necessidade de estoques de segurança, o tempo entre o recebimento e a expedição da mercadoria e o foco da organização que mantém um mix de produto com pouca variabilidade;
D) Em empresas prestadoras de serviço o volume financeiro e quantitativo dos recursos materiais são baixos, mas a importância da falta desses recursos na execução das suas atividades pode comprometer o atendimento de sua clientela, podendo inclusive a organização perder seus clientes;
E) Em empresas prestadoras de serviço, a qualidade dos serviços oferecidos passa pela flexibilidade do atendimento, mas as bases de suas operações internas são iguais, tendo pouca variabilidade de produto. As mercadorias consumidas nas realizações das tarefas quase sempre são as mesmas e existe a questão da imprevisibilidade, características pertencentes ao modelo de reposição semi-automática.
Tendo em vistas essas características, o método de reposição semi-automático se torna o método ideal para ser utilizado também nas empresas prestadoras de serviço. Assim, essas empresas deixam de ficar sem o controle dos seus recursos consumidos internamente, bem como de adotar métodos empíricos de controle, tal como o visual, comprando a mercadoria somente quando ela acaba.

9. CONCLUSÃO
Não podemos deixar de enumerar os enormes benefícios que essa filosofia tem trazido para o aumento da vantagem competitiva das organizações. Filosofia é um modo de pensar e a logística está muito mais relacionada a uma filosofia de trabalho do que simplesmente a uma ferramenta ou técnica. É um estilo gerencial de visualização de todo o processo adotado pela empresa no atendimento a seu cliente. Na teoria da administração de material, a função de transporte, a distribuição, a compra, o estoque e o armazenamento são estudados e conceituados como uma série de ferramentas administrativas para serem adotadas nas organizações. A cadeia de suprimento, quando estudada na
identificação das etapas de todo o processo produtivo, desde o fornecedor de matérias-primas até o consumidor final, passando pela produção e canal de distribuição, configura-se em uma ferramenta do planejamento estratégico e das políticas de marketing da organização. A logística nesse momento entra como uma filosofia, pois permite integrar as funções administrativas com as ferramentas de marketing e de planejamento para o oferecimento de um produto ao menor custo possível, dentro das expectativas do cliente no menor tempo possível. Isso vale tanto para o gerenciamento da logística empresarial externa quanto interna.


10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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CHING, H. Y. Gestão de estoques na cadeia de logística integrada. São Paulo: Atlas, 1999.
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FLEURY, P. F.; WANKE, P.; FIQUEREDO, K. F. Logística empresarial: a perspectiva Brasileira. São Paulo: Atlas, 2000.
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IMAM. Gerenciamento da logística e cadeia de abastecimento. São Paulo, 2000. Imam, 2000.
KOTLER, P. Administração de marketing: a edição do novo milênio. São Paulo: Printice Hall, 2000.
MARTINS, P. G.; CAMPOS, P. R. Administração de materiais e recursos patrimoniais. São Paulo: Saraiva, 2000.
MINTZBERG, H.; AHLSTRAND, B.; LAMPEL, J. Safári de estratégia. Porto Alegre: Bookman, 2000.
MOURA, R. A. Check sua logística interna. São Paulo: Imam, 1998.
PORTER, M. E. Vantagem competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. Rio de Janeiro: Campus, 1989.
STONER, J. A. F.; FREEMAN, R. E. Administração. Rio de Janeiro: LTC, 1999.
VIANA, J. J. Administração de materiais: um enfoque prático. São Paulo: Atlas, 2000.
GEUS, A. A empresa viva: como as organizações podem aprender a prosperar e se perpetuar. Rio de Janeiro: Campus, 1998.
LOGISTICS INTERNS FOR EMPRESAS PRESTADORAS OF SERVICE
 
 
Summary:  That work has as objective demonstrates the importance of the logistics it interns in the organizations installment service. The logistics is seen as a tool capable to increase the efficiency organization through the reduction of the operational costs, activating the processes in the
whole chain of provisioning. The logistics is a military term that it was incorporate for the commercial and industrial organizations and few are the studies on the logistics interns in companies service installment. We will present that it forms the model of semiautomatic ressuprimento of goods very
used in you elaborate them and in the trade it can help and to contribute so that the companies service installment get to create competitive advantages through that operational effectiveness in his/her area of material and patrimonial resources. Starting from the moment that a company installment service gets to establish and to set up a good computerized system and semiautomatic of suply it gets, also to assist their employees and customers of the organization better. The customer as integral part of whole the process of the installment of a service notices and it evaluates the quality in each one of the stages of the process, and the simple lack of a supply or patrimonial resource in elapsing of the process can affect in a negative way the customer's perception on the service that is being offered.  
 
Word-key:  Logistics, suply, service installment.

Paulo Teixeira de Sousa,
Chefe da SEMAT

paulo@sescgo.com.br  


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