Da racionalização do trabalho à produção enxuta ...
O que virá depois?

Desde o início da Revolução Industrial, no século XIX, os homens procuram racionalizar os trabalhos nas fábricas.
Assim, já no fim daquele século surgiu a tal e tanto criticada "Administração Científica do Trabalho", cujo criador, Taylor, virou sinônimo de "robotização" do homem.
E de lá até os anos 1970 deste último século, o mundo viu e colocou em prática várias metodologias e técnicas que sempre visaram eliminar as perdas de tempo, de movimentos inúteis, esperas, etc., ou seja, tudo o que nada adiciona de valor ao produto.
Assim, vimos sendo empregadas as técnicas de cronometragem e de cronoanálise, fluxogramas de processo com o uso de símbolos para representar as cinco principais atividades de qualquer processo industrial.
Destaca-se, ai, o surgimento da Ciência dos Tempos e Métodos. Já em 1932, Stewart introduzia o Controle Estatístico de Qualidade, que alavancou inúmeras aplicações nos processos, além de ser a base para o sucesso das técnicas de gerenciamento da Qualidade Total.
Também destaca-se o surgimento da Engenharia Industrial, logo após a 2ª Guerra Mundial, e da Engenharia/Análise de Valor, na década de 1950 - repetindo, todas estas técnicas visaram a eliminação das perdas em qualquer ambiente de trabalho.
Outra filosofia que surgiu nos anos 1970 foi o Just-in-Time, em que a Toyota adotou a definição de eliminação de tudo que não agrega valor ao produto - outra vez, perdas - e daí várias outras técnicas, como o Kanban, para puxar as necessidades de materiais, o setup rápido, para eliminar os excessos produzidos ou comprados através de fórmulas do lote econômico, e células de manufatura, para eliminar os movimentos na fabricação de famílias de peças que não adaptavam-se às linhas de fabricação automáticas. Tudo isso - repetimos - foi criado no Ocidente pelos americanos e pelos russos (células - tecnologia de grupo).
E nos anos 1990 surgiu a reengenharia, com a aplicação do Mapeamento de Processos, uma outra forma de eliminar as perdas.
Quando parecia que nada mais havia para ser inventado, surgiu outro americano (sempre eles) e mudou o rótulo das coisas já consagradas e introduziu o conceito de Lean Manufacturing, ou seja, da Produção/Manufatura e Empresa Enxuta.
Enxuta de quê? De tudo que agrega valor ao produto, serviço ou negócios, ou seja, mais uma vez eliminar tudo o que nada agrega de valor.
O mais interessante e crítico, toda vez que surge uma "velha novidade" destas, é que seus autores e os seguidores fazem com que todos desacreditem das técnicas já lançadas e em prática, que vêm apresentando bons resultados.
O mesmo vem acontecendo em outras áreas, como a da Qualidade Total, onde tudo agora virou 6 Sigma. Até a movimentação e armazenagem de materiais passou pela logística e agora pertence à Cadeia de Abastecimento.
Concluindo, o leitor deve estar perguntando "O que virá depois?".
Talvez estejamos dando voltas em cima do mesmo tema, como arroz que pode ser preparado por uma dona de casa ou por um "Chef" e ser apresentado num sofisticado prato decorado com ervas. Mas, na essência, ele não deixa de ser arroz.

agosto/2002

Reinaldo A. Moura,
Engenheiro com pós graduação em Engenharia da Produção. Fundador e Diretor do Instituto IMAM, Chefe das Missões Técnicas do IMAM à Ásia. Consultor e Instrutor da IMAM Consultoria, com especialização em Logística, Engenharia Industrial, Movimentação de Materiais, Produtividade e Qualidade. Autor de diversos livros publicados pelo IMAM.
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