OS GANHOS DAS NOVAS CONFIGURAÇÕES DA
INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA CONDOMÍNIO INDUSTRIAL E CONSÓRCIO MODULAR (PARTE II).
Uma pesquisa realizada com as montadoras: Volks-Resende(consórcio modular),
Volks-Audi, GM(RS), MBB(MG) as três últimas (condomínio industrial) constatou-se que
essas montadoras utilizando-se dessas novas configurações conseguiram excelentes
resultados. Na Volks-Resende os fornecedores parceiros estão fisicamente dentro da
própria linha de montagem da montadora, responsabilizando-se pela montagem de partes
inteiras dos caminhões e ônibus e respondendo até pela contratação de subfornecedores
que antes se relacionavam diretamente com a montadora, enfatizando o outsourcing, prática
esta que deverá cada vez mais estar presente nas configurações de consórcio e
condomínio. Nessa linha a mais antiga montadora do País desde os tempos de JK
(Volks-Anchieta-SBC) planejou até o final de 2002 com seu projeto Masterplan, ser uma
fábrica tão competitiva quanto à Volks- Audi.
CONDOMÍNIOS E CONSÓRCIO MODULAR
O condomínio industrial é
uma configuração, no qual alguns fornecedores escolhidos pelas montadoras se
instalam junto às plantas das indústrias automotivas, objetivando reduzir custos em
estoques, processos, transporte e facilitar a integração entre os parceiros.
Inicialmente, essas empresas faziam entregas em pequenos lotes (just-in-time).
Posteriormente, foram chamadas para participarem dos projetos, gerando um relacionamento
de parceria entre as partes. Atualmente, são fornecidos componentes e subconjuntos
completos, podendo estes, estarem já na seqüência de montagem (Salerno, 1997). Apesar
do comprometimento dos fornecedores em todas as fases do processo, a montadora permanece
como diretora de todo o projeto, sendo esta, uma das características fundamentais do
condomínio industrial (Dias e Salerno, 1999). Esta configuração é denominada de
Condomínio Industrial pela VW-Audi e de Parque de Fornecedores pela MBB-JdF. A VW-Resende
adota o Consórcio Modular onde os fornecedores, além de produzirem os componentes,
participam diretamente da montagem dos veículos, ou seja: a Volks não possui
funcionário próprio na linha de montagem, esta função é de responsabilidade dos
parceiros sendo internamente chamados de modulistas pela Volks.
Com o crescente processo de terceirização na montagem dos veículos obtém-se uma
produção paralela, que é a construção de vários subconjuntos pelos fornecedores
alocados nos condomínios industriais ou consórcios modulares, ao mesmo tempo, em que a
montadora produz os veículos. Este processo difere do sistema tradicional, no qual uma
série de peças são montadas seqüencialmente. O sistema reduz os custos associados a
montagem do veículo e os tempos de fabricação do produto final, reduzindo a
verticalização das montadoras e aumentando o nível de agregação de valor fora da
empresa, podemos observar esse fato na Mercedes Benz-JdF MG onde ocorre a montagem
das rodas nos pneus feita pela Continental que é uma empresa que se encontra dentro do
próprio prédio da montadora. A grande maioria dos componentes produzidos nos
condomínios ou consórcios, possuem em comum a característica de que se fossem produzir
longe da planta, apresentariam custos logísticos elevados, devido por exemplo, ao grande
volume em relação ao seu valor agregado (peças muito grandes com um custo muito baixo,
o que torna caro o transporte das mesmas a longas distância, por ocuparem todo o espaço
físico do caminhão), é o caso dos bancos na MBB-JdF e VW-Audi. Um outro elemento que
gera a elevação dos custos é a possibilidade de danos nas peças causadas no
transporte, de peças pintadas, fazendo com que as mesmas sejam transportadas em
embalagens especiais. Além da redução dos custos logísticos, os outros benefícios que
podem ser alcançados pela proximidade, são a prestação de serviços (assistência
técnica) oferecido pelos fabricantes dos subsistemas mais complexos e as entregas
seqüenciadas just in sequence - (entregas de subsistemas ou componente na
ordem correta de entrada na linha de montagem do veículo). Esta proximidade permite a
redução dos tamanhos dos lotes devido ao aumento de freqüência das entregas, fazendo
que haja redução nos estoques e consequentemente no espaço físico da fábrica.
O Just-in-time e o just-in-sequence são viabilizados, por meio da troca de informações
eletrônicas on-line feitas por EDI (Electronic Data Interchange) ou Internet, do qual
são repassados as seqüências de montagem dos componentes ou subsistemas para os
fornecedores, que abastecem diretamente a linha de montagem, com pequenos lotes e alta
freqüência.
O JIS só será
empregado pelos fornecedores de acessórios ou peças, que diferenciam os modelos dos
automóveis, como é o caso do fornecimento de bancos, painel de instrumentos, motor,
retrovisores pintados nas cores dos veículos, etc. Os componentes comuns a todos os
produtos obedecem apenas a filosofia do Just-in-time. Quanto maiores forem os pesos dos
custos logísticos e as economias advindas da adoção de um sistema de entregas
seqüenciado, maiores as chances dos fornecedores se instalarem em condomínios
industriais. Na MBB-JdF por exemplo: partes como embreagens, motor e caixa de
câmbio que não apresentam volume elevado em relação ao valor agregado nem muitos
riscos de deterioração no transporte, serão fornecidos a partir de plantas localizadas
em São Paulo e, para os dois últimos componentes, na Alemanha. O elevado custo fixo na
produção dos componentes pode ser um dos obstáculos para a instalação de uma empresa
dedicada em um Condomínio Industrial, levando muitos fornecedores, a instalarem apenas
depósitos, ao invés de indústria para garantir a entrega seqüenciada. Isto ocorre
porque o investimento em equipamentos necessários para a produção de componentes, só
será viabilizado em muitos casos, com escalas maiores do que as pretendidas pelas
montadoras. Para solucionar o problema do baixo volume de produção, os fabricantes de
veículos tentam estabilizar o planejamento e o controle dos programas de produção para
dar alguma estabilidade aos fabricantes de componentes. Outro problema observado pelos
fornecedores nacionais é o fato de se confrontarem com política de follow
sourcing, que ocorre quando um fornecedor que é selecionado na fase de projeto de um
determinado veículo, passa a acompanhar a montadora em todos os locais onde serão
produzidos o modelo e o global sourcing que é a busca das melhores condições de
fornecimento não importando sua localização geográfica. Isto, aliado a concentração
das decisões de escolha de fornecedores pelas matrizes torna cada vez mais difícil a
presença de empresas de capital majoritariamente nacional na primeira camada de
fornecimento.Para que o Condomínio Industrial, Parque de Fornecedores ou Consórcio
Modular reduzam efetivamente os seus custos, é necessário uma logística de suprimento
adequada, sendo este um problema macro-logístico devido suas característica: produção,
estoque, transferência e distribuição. A logística de suprimento envolve decisões de,
como e quando movimentar cargas, com o propósito de atender a demanda através da entrega
dos produtos no momento e locais determinados. Na logística de suprimento existe um
alinhamento de planos estratégicos de fornecedores e empresas (buyer-supplier
relationships) que direcionam recursos para reduzir custos de desenvolver novos produtos,
essa parceria pode fazer surgir a política de follow sourcing. Nenhuma atividade deve
acontecer em um sistema enquanto não houver necessidade dela, o que é um dos princípios
mais importantes da filosofia just-in-time adotada pelas montadoras no abastecimento de
suas linhas de montagem.. Na figura abaixo o tradicional sistema de entrega e o atual
utilizado pela Volks Audi e esse será o caminho a seguir para ser altamente competitivo
no seu core competence.
FORNECIMENTO
CONVENCIONAL |
| Fornecedores |
---entrega---> |
Centro de Consolidação |
---entrega---> |
Montadora
VW-Audi |
|
FORNECIMENTO
INTEGRADO |
| Fornecedores |
---entrega (sequenciada)---> |
Montadora
VW-Audi |
|
Délvio Venanzi,
Doutorando em Engenharia de Produção UNIMEP Piracicaba-SP
Consultor industrial.
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