Novos horizontes para a logística brasileira
O Brasil representa menos de 1% do comércio mundial e,
para sair dessa situação nada cômoda, precisa cada vez mais apostar no crescimento dos
serviços logísticos. É verdade que o mercado de logística tem assinalado taxas de
crescimento ao redor de 25% ao ano, mas esse número é ainda irrisório para um país de
dimensões continentais como o nosso.
Em outras palavras: o Brasil não pode mais se limitar a vender seus produtos para o
exterior, como fazia há 30 ou 50 anos, de acordo apenas com a demanda externa. Para que
se torne um país exportador, como tanto tem apregoado o governo federal nos últimos
tempos, necessita não só reduzir a carga tributária que incide sobre as exportações
como criar um sistema logístico que contribua para reduzir o custo da operação.
Em países mais desenvolvidos, esse sistema logístico pode reduzir os custos de uma
operação em mais de 15%. Mas para que esse quadro mude no Brasil, é preciso também que
as empresas exportadoras que ainda não utilizam plenamente os operadores logísticos
entendam a importância do segmento. E não continuem a encarar a palavra logística
apenas como uma jogada de marketing, mas sim como uma solução eficiente para a
movimentação, transporte, armazenamento e distribuição de suas mercadorias. Ou seja,
é imprescindível que se crie no país uma cultura logística.
Impostos
Só o operador logístico conhece em profundidade a legislação do país comprador, dado
fundamental para o bom êxito da exportação. Mas não é só. Hoje, com o limite imposto
pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior) de 20% do valor da exportação para a
remessa de divisas destinadas ao pagamento de despesas com a liberação e o transporte de
carga, é cada vez mais necessária a presença de um operador logístico eficiente. Esse
limite só vale para vendas DDP (Delivery Duty Paid), sigla em inglês para entrega com
tributos aduaneiros pagos.
Exportadores agressivos estão cada vez mais optando pelo DDP, ou seja, pela entrega do
produto com imposto pago, modalidade também conhecida como door to door. Essa opção é,
sem dúvida, a única para quem quer conquistar mercados e ganhar credibilidade no
exterior. Isso significa que o exportador de bens venderá também uma série de
serviços, como o transporte, a liberação aduaneira e até os tributos, o que exigirá
um rigoroso controle de custos, pois o preço da venda incluirá todas as despesas e
riscos até que a carga seja entregue no domicílio do importador. A importância da
modalidade DDP está não só nessas vantagens como na possibilidade que oferece ao
exportador de manter um estoque estratégico de mercadorias em determinados mercados, por
meio de vendas em consignação. Afinal, com um estoque já colocado em um país, será
possível entregar mercadorias em poucos dias para outros interessados.
Por outro lado, falando-se de importação, a importância do operador logístico nacional
cresce da mesma maneira. Sabemos que vários operadores logísticos internacionais não
conhecem a legislação tributário-aduaneira do Brasil e que esse desconhecimento tem
resultado em atraso e altos custos no desembaraço aduaneiro advindos de taxas de
armazenagem. Esses obstáculos, porém, só podem ser evitados se houver uma análise
criteriosa na confecção dos documentos de instrução ao desembaraço aduaneiro, o que
só é possível com a participação de um operador logístico nacional que tenha
ligações com um grande operador logístico internacional.
Esse perfeito entendimento é condição sine qua non para o sucesso das
operações. E isso se explica por uma razão muito simples: acostumados a atuar em outros
mercados, o operador logístico internacional não se preocupa com o desembaraço
aduaneiro e o custo tributário, já que em outros países essas exigências burocráticas
não existem no nível em que ocorrem no Brasil. É, então, que a presença do operador
logístico nacional se torna imprescindível.
julho/2002
Milton Lourenço,
Diretor-presidente da Fiorde Logística Internacional.
www.fiorde.com.br
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