O Projeto Radar do MDIC

A Secretaria de Comércio Exterior - SECEX, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, está elaborando a série de estudos Radar Comercial, que tem como objetivo selecionar os mercados e os produtos que apresentam maior potencialidade para o incremento das exportações brasileiras, no curto, médio e longo prazos, de acordo com critérios definidos pela própria SECEX.
Para tanto, foram desenvolvidas algumas metodologias, que por meio do cruzamento e da análise de diversos dados estatísticos, permitem a identificação de oportunidades comerciais capazes de melhor responder aos esforços do Brasil para expandir suas exportações.
Inicialmente, foram selecionados os mercados-alvo, ou seja, aqueles mercados para onde o Brasil deve direcionar seus esforços para exportação. Nesse sentido, foram identificados os cinqüenta mais promissores mercados importadores em nível mundial, levando-se em conta o volume das importações totais e o tamanho do Produto Interno Bruto (PIB), de cada país, projetados para o ano 2002. Tais países representam 88,12% do PIB mundial e 87,97% das importações globais. A partir desse ranking de países, o estudo passa a analisar cada mercado selecionado isoladamente. A pauta importadora do país em foco - nível de seis dígitos do Sistema Harmonizado (SH-6) - é comparada com a pauta exportadora brasileira, extraindo-se daí a pauta de produtos coincidentes.
O estudo de cada país é apresentado em quatro volumes, contendo as diversas informações importantes sobre os países a exemplo de: perfil do país analisado, com dados geográficos, econômicos e do setor externo, além de tabelas mostrando o intercâmbio comercial do Brasil com o referido país; endereços de órgãos e entidades relacionadas com as atividades do comércio exterior, localizadas no Brasil e no país em foco; análise dos produtos prioritários para o aumento das exportações brasileiras para o país em estudo, no curto prazo; informações, para cada produto selecionado, referentes aos principais fornecedores para o país em estudo, e referentes às medidas tarifárias e não tarifárias vigentes no país em estudo; etc.
No trabalho, já disponível na internet, através do site do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - MDIC
(http://www.mdic.gov.br) é apresentada as pautas dos produtos selecionados como prioritários em dezessete países (Alemanha, Austrália, Áustria, Canadá, China, Coréia do Sul, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Irlanda, Itália, Japão, México, Reino Unido, Suíça e Taiwan), para os quais estão sendo desenvolvidas análises detalhadas.
As pautas dos produtos selecionados são apresentadas em ordem decrescente de potencial importador a ser explorado. No estudo entende-se como potencial importador a ser explorado, o  valor anual médio, nos últimos três anos, das importações do produto, pelo país em estudo, provenientes de terceiros países. Ou seja, média dos valores totais importados anualmente do produto, pelo país em estudo, nos últimos três anos, menos a média dos valores importados do Brasil.
Um outro conceito desenvolvido no estudo é o de desempenho exportador brasileiro, que é medido através da média das exportações brasileiras do produto nos últimos três anos e pode ser classificado em baixo, médio e alto.
O desempenho exportador brasileiro baixo é quando a média das exportações brasileiras do produto, nos últimos três anos, for igual ou inferior a US$ 1.700.000,00 - valor que corresponde a 100 empregos, conforme pesquisa da CNI; é médio, quando a média das exportações brasileiras do produto, nos últimos três anos, for superior a US$ 1.700.000,00 e igual ou inferior a US$ 17.000.000,00, valor que corresponde a 1.000 empregos, conforme pesquisa da CNI; e é alto, quando a média das exportações do produto, nos últimos três anos, for superior a US$ 17.000.000,00.
E finalmente, mais um importante conceito que o trabalho apresenta é o de dinamismo. Dinamismo que é medido através da evolução do valor das importações do produto pelo país em estudo, nos últimos três anos, com a evolução das importações totais do país em estudo no mesmo período. Dessa forma, é considerado dinâmico, produtos cujas importações pelo país em estudo tiveram taxas de crescimento maiores que a taxa de crescimento das importações totais; é considerado estável, produtos cujas importações pelo país em estudo tiveram taxas de crescimento igual ou inferior à taxa de crescimento das importações totais; e é considerado em declínio, produtos cuja média das importações pelo país em estudo diminuíram em relação ao valor importado no primeiro ano do período analisado.
Está de parabéns a equipe da Secex que elaborou o trabalho e, esperamos que seja estendido para mais países com os quais o Brasil mantém relações comerciais, pois constitui-se numa importante ferramenta de análise de mercados, onde o Brasil pode buscar políticas macroeconômicas capazes de desenvolver e aplicar de fato a teoria das vantagens absolutas, conforme já
pregava o economista Adam Smith no século XVIII (1776), bem como, a teoria das vantagens comparativas do também economista David Ricardo (1772/1823).

março/2002

Saumíneo da Silva Nascimento,
Especialista em Comércio Exterior, Economista, Pós-Graduado em Comércio Exterior pela Universidade Católica de Brasília, Doutor em Geografia pela Universidade Federal de Sergipe, pós-Doutorando em Comércio Exterior pela American World University - AWU e Diretor de Planejamento e Articulação de Políticas da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste - SUDENE.
ssn@sudene.gov.br

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