Estocagem: seletividade + ocupação

O seu armazém tem problemas de falta de espaço? Os itens que você precisa separar estão em locais de fácil acesso? O método PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai) está comprometido em seu armazém? A expedição de seu Centro de Distribuição (CD) transforma-se no gargalo de seu processo por falta de espaço e dificuldade de acesso aos itens no final do mês? Sua produtividade operacional está com um índice baixo em relação à outros processos de armazenagem de natureza semelhante?
Se estas questões fazem sentido também para sua empresa, você pode estar diante de um processo de adequação da seletividade e ocupação do processo de armazenagem.


Seletividade
Indica a capacidade de acessar determinados itens de uma área de estocagem sem ter a necessidade de remanejamento de cargas, ou seja, é a proporção de itens que estão disponíveis para serem acessados no primeiro movimento. Fica evidente que, quando as empresas investem em novas áreas de armazenagem, o que predomina é a grande quantidade de espaço disponível que pode ser utilizada, assegurando assim 100% de seletividade. Em uma estrutura porta-paletes convencional, por exemplo, que permite o acesso direto a qualquer palete com o auxílio de uma empilhadeira, o índice de seletividade é 100%.

Ocupação
Já a ocupação se caracteriza pelo percentual de aproveitamento de um espaço (volume) de estocagem, pelos itens, considerando-se todo o volume disponível. Analisando a mesma estrutura de estocagem (porta-paletes convencional) integrada a um sistema de movimentação, que se caracteriza pela utilização de empilhadeiras contrabalanceadas, pode-se identificar um índice de ocupação inferior a 40%.

Seletividade + Ocupação
Assegurar uma adequada integração da seletividade com a ocupação é um dos desafios de um sistema de armazenagem de classe mundial. É cômodo as pessoas avaliarem superficialmente as alternativas de sistemas de estocagem e movimentação e concluírem que nada podem fazer para melhorar os indicadores de seletividade e ocupação.
A escolha dos recursos operacionais de um armazém afeta significativamente estes índices e, portanto, uma adequada análise dos mesmos se faz necessária.
Esses sistemas devem ser continuamente avaliados, pois muitas empresas alteram, com o passar do tempo, algumas características de seus SKU (referências distintas mantidas em estoque), tais como: quantidades estocadas por SKU; número de SKU; giro e popularidade por SKU, entre outros. Essas alterações demandam sistemas de armazenagem com diferentes características de seletividade e ocupação.


Casos práticos
O grande desafio das empresas é encontrar a melhor combinação de sistemas de armazenagem, que assegurem uma adequada seletividade e ocupação.
Dentre os inúmeros projetos desenvolvidos pela IMAM Consultoria, pode-se citar alguns que demandaram análises detalhadas do binômio seletividade e ocupação e que alteraram significativamente o processo anterior de estocagem:
Brasif (Duty Free Shop): aumento da ocupação por meio de estruturas porta-paletes de dupla profundidade;
Festo Automação: aumento da ocupação e seletividade dos itens de maior popularidade com uso de estruturas dinâmicas de estocagem;
Tok & Stock: aumento da seletividade e ocupação com a utilização de estruturas de braços em balanço para itens não paletizáveis e de alto giro;
Kolynos: otimização da ocupação e seletividade por meio de estruturas porta-paletes convencionais e empilhadeiras trilaterais, bem como estruturas de trânsito interno e empilhadeiras de mastro retrátil;

Dupé Sandálias: aumento da ocupação e seletividade com a utilização de estruturas porta-paletes convencionais e estanterias dinâmicas.

Conclusão
A partir de uma detalhada análise do comportamento atual e futuro de cada SKU, pode-se desenvolver uma solução de armazenagem que atenda a seletividade e ocupação no curto, médio e longo prazo. Mas não subestime essa análise, pois se mal desenvolvida poderá incorrer em perdas oparacionais crônicas que comprometerão a produtividade do seu processo de armazenagem.
Em vários artigos já constantes no Guia Log, mostramos Soluções Integradas, onde observamos que isoladamente as soluções podem não gerar os resultados que soluções integradas proporcionam.
Desta forma, invista um pouco mais de esforço na obtenção de soluções que assegurem o crescimento contínuo e sustentado do seu negócio.
Sucesso a todos!

Alternativas de sistemas de estocagem

Sistemas de armazenagem  Seletividade Ocupação
Blocagem Baixa Alta
Estrutura porta-paletes de dupla profundidade Média Média
Estrutura porta-paletes de trânsito interno Baixa Alta
Estrutura porta-paletes dinâmicas Média Alta
Estrutura porta-paletes tipo "push-back" Média Alta
Estrutura porta-paletes convencional (empilhadeira trilateral)  Alta Média / Alta
Estrutura porta-paletes convencional (empilhadeira contrabalanceada) Alta Baixa
Estrutura porta-paletes convencional (empilhadeira de patola) Alta Média / Baixa
Transelevadores Alta Alta
Estrutura de braços em balanço (cantilever) Alta Média / Alta
Estrutura porta-paletes deslizantes Alta Alta


dezembro/2001

Eduardo Banzato,
Gerente da IMAM Consultoria Ltda., de São Paulo.
imam@imam.com.br

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