Logística na prática - Operação logística para transporte marítimo de carga seca à granel
Como profissional responsável pela operação de abastecimento de
insumos para dez fábricas de um importante grupo industrial, tinha o desafio de abastecer
a fábrica de Manaus com um determinado insumo.
Localizada a grande distância do fornecedor, que fica no Espírito Santo, o meio mais
fácil e de menor custo operacional é por via marítima.
O grupo já adquiria mensalmente do fornecedor, 60.000 toneladas do produto para a
fábrica do Espírito Santo.
Este transporte é feito todos os dias do fornecedor para um pátio alugado próximo.
Para a fábrica de Manaus eram necessárias em torno de 25.000 toneladas a cada 2 meses.
Quando tinha que fazer carga para enviar a Manaus, contratava um navio graneleiro de carga
seca, com data de Lay-day para 20 dias de antecedência, já que precisava juntar a carga
no pátio do porto, o que demorava em torno de 17 dias.
Em seguida, já contratava o aluguel do pátio do porto e as máquinas que faziam o
rechego e carregamento da carga no navio, através da colocação das mesmas nas esteiras
transportadoras.
Uma vez tudo acertado, desviava o transporte rodoviário do produto, que ao invés de ir do
fornecedor para o pátio alugado, passava a ir do fornecedor para o pátio do porto de
Vitória - ES.
Quando o navio atracava (ETA), a carga já estava toda no pátio, pronta para ser
carregada.
Fazendo todo o controle por São Paulo via telefone, fax e telex (com o navio), que eram
as formas de comunicação da época, controlava tudo para que não houvesse nenhuma
falha.
Quando o navio zarpava (ETS), tanto a administração do porto como o capitão do navio me
informavam por telex. De posse desta informação, já coordenava com o pessoal da
fábrica de Manaus para que providenciassem tudo, visando o descarregamento do navio em
Manaus e o transporte rodoviário para a fábrica.
A viagem durava 9 dias e o capitão sempre passava boletins, a fim de me manter informado
sobre o andamento do transporte.
Era uma operação que não podia haver falhas, pois todos os custos envolvidos eram
altos, motivo da necessidade de haver um sincronismo perfeito.
Nesta época meu departamento era responsável pela movimentação de abastecimento de
todas as fábricas, que representava um número mensal em torno de 200.000 toneladas de
insumos, sendo todo o transporte terceirizado. Não tínhamos nenhum caminhão próprio.
Utilizava os modais rodoviário, ferroviário, marítimo, rodo-ferroviário e
rodo-marítimo.
Imagine abastecer fábricas que operam 24 horas de domingo a domingo, sem manter grandes
estoques nos pátios das fábricas, já que todos os insumos eram itens de classe A, em
termos de valores, ou seja, grandes estoques representariam dinheiro parado.
Todo dia tinha que ter contato com várias partes do Brasil, com fornecedores,
transportadoras, agenciadores de carga, nossas fábricas e terceiros, a fim de controlar
tudo.
Este é o trabalho do profissional de logística, que costumo comparar com aquele
malabarista de circo, que roda vários pratos na ponta de varetas e não deixa nenhum
cair. Quando algum prato está rodando pouco, ele vai lá e dá mais uma girada para
ganhar velocidade.
abril/2002
Marcos Valle Verlangieri
Diretor da Vitrine Serviços de Informações S/C Ltda.,
empresa que criou e mantém o www.guiadelogistica.com.br
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