O complexo portuário como plataforma logística
Das funções básicas dos portos, como efetuar o trânsito
portuário, formentar o comércio, alavancar a indústria e desenvolver seu entorno, uma
delas, o trânsito portuário, está hoje vinculada ao conceito de plataforma logística,
ou seja, a dinâmica racional (econômica e eficiente) do uso do seu espaço. Como
plataforma logística, o porto disponibiliza um conjunto de aparelhos fixos (guindastes de
cais, armazéns, pontos de atracação, áreas de circulação, acessos, entre outros) e
móveis (equipamentos de pátios e armazéns), adequadamente dispostos em ambientes
selecionados para atender melhor o mercado de cargas portuárias, com sua especificidade e
escala.
Como elemento logístico, é no palco portuário que se representam os papéis mais
importantes de comércio exterior, do abastecimento interno, da prestação de serviços
à carga e embarcação propriamente e outros. Esses atores se movem dentro de uma lógica
portuária de trânsito, reparo naval, industrialização de carga e seu comércio. São
ações e posições ocupadas dentro de um tabuleiro que não mais se atêm à área do
porto organizado, mas dentro de mercado de cargas portuárias, mercado cada vez mais denso
e concorrencial.
Limite
Como plataforma logística, sua relação de primeiro grau é com seus clientes
(fornecedores) de carga, portanto, as unidades concentrativas e alimentadoras do fluxo de
cargas portuárias. São elas os distritos industriais e comerciais, áreas metropolitanas
pertencentes ou não ao município portuário, estações aduaneiras, terminais
retroportuários alfandegados, e a embarcação como um aparelho móvel. Constituem assim
a família portuária, sendo conhecidas como áreas portuárias agregadas por afinidade.
Nesse sentido, rompe-se o limite físico da área do porto organizado, aumentando a
dimensão física, estendendo-se a uma rede de "trânsito de carga" ou fluxo de
carga, cujos nós extremos são essas unidades de carga. Delas, apenas a embarcação é
móvel. Se não bastasse esse espaço físico ampliado mais e mais (fixo e móvel) com
escala ampliada, o porto se desenvolve no seu espaço virtual , mais e mais. Vai assim
criando um universo de troca de informações (dados e outras) vinculadas à carga (fluxo
virtual e carga) a velocidade do impulso eletrônico, que faz com que a velocidade real da
carga seja um ônus a ser pago.
A soma desses dois portos, real e virtual, somente é possível, em termo de eficiência,
se o porto for uma plataforma logística onde seus operadores fossem múltiplos e não
únicos. Operadores, no sentido amplo, de operadores da plataforma, fazendo uso integral
de seu aparelho e da gestão desse. O porto não pertence apenas à Autoridade Portuária,
que é apenas mais um ator de relevância. O porto pertence à comunidade portuária, num
primeiro elo de propriedade e a sociedade num segundo elo mais abrangente. São os
primeiros, armadores, corretores de carga e navios, operadores de carga, exploradores de
instalações portuárias diversos, agentes de autoridade. Compõem o segundo elo a
comunidade portuária do entorno, etc.
Missão
Esse corpo portuário traduz-se na alma da plataforma logística e deve funcionar o mais
próximo de sua missão de servir o cliente portuário, representado pela carga,
embarcação e usuário do porto. Em relação a esse último, a parceria extrapola a do
simples usuário. E a parceria gestora, por meio da partilha dos destinos do porto. Será
impossível pensar numa plataforma cuja dinâmica determinasse a alienação do usuário
do porto. Por mais que ele fosse eficiente no atendimento à carga e à embarcação, o
afastamento do usuário dos destinos do porto, a colocaria longe de sua missão.
É através de Planos Estratégicos, homologados pela sociedade ali representada pelo CAP
(Conselho de Autoridade Portuária) que a plataforma se constitui física e
organizacionalmente num elo entre o desenvolvimento e o bem estar social. E essa gestão
tem atributos de agilidade, flexibilidade, economicidade, partilha de poderes, tecnicidade
e comercialidade (ou comercial). Por fim, mas não menos importante, essa plataforma
pulsante não poderia estar em desarmonia com o seu meio ambiente, ou seja, não poderia
gerar não-economias ambientais pela perturbação de seu habitat.
setembro/2001
Marco Maia Porto,
Especialista e consultor do setor portuário da Empresa Brasileira de Planejamento de
Transportes (Geipot) do Ministério dos Transportes.
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