A tão anunciada
crise no abastecimento de energia já prevista há alguns anos, infelizmente chegou. Os
especialistas, as vezes chamados de profetas do apocalipse avisaram que se o País
"decolasse" rumo a uma retomada econômica mesmo com índices modestos de
crescimento, faltaria energia elétrica. E isso já é uma realidade, infelizmente. Quando
tudo parecia bem, recebemos agora ameaças de redução em até 50% da taxa projetada para
crescimento de nossa economia neste ano, ameaçando o nível de emprego. É mais do que um
balde de água fria!
O que fazer para enfrentar o racionamento e os "apagões" que fatalmente
aprenderemos a conviver, justamente num período de inverno, quando as pessoas mais
consomem energia em proveito de seu conforto, ou quando os dias são mais curtos e,
portanto, as lâmpadas são acesas mais cedo e apagadas mais tarde? Deixando de lado o
consumo residencial que é responsável por cerca de modestos 10% do consumo de energia
elétrica na região sul/leste, a questão é como as empresas poderão conviver com mais
este novo desafio de gerenciamento brasileiro, que nunca deixou a desejar, pois já
enfrentamos as maiores dificuldades do século XX e saímos vivos.
A solução está na visão holística de seu negócio e para tanto uma área que está em
evidência e crescerá ainda mais - estamos falando da logística, ou seja, como poderemos
obter o máximo de nossos recursos instalados? O equacionamento deste problema está na
logística da produção, distribuição etc, ou seja, como as pessoas deverão fazer
rodízios (outro rodízio!) para aliviar os horários de pico em que os apagões serão
inevitáveis. Isto significará em alterar jornadas de trabalho, horários para jantares,
períodos maiores de descanso, além da ativação de geradores que precisarão de
combustíveis para garantir a sua operação, principalmente em equipamentos vitais que
não podem ser desligados por muito tempo (ou implicará numa perda do que estiver
processando caso a energia falte). O que veremos serão verdadeiras operações de guerra,
que aliás é o berço da logística - o que fazer para que não falte nenhum insumo a
todo e a qualquer recurso?
Para os Centros de Distribuição ou em armazéns, algumas sugestões para economizar
energia incluem:
- iluminação apenas nos corredores do estoque no momento de trabalho (estocar ou retirar
algum produto);
- carga e descarga durante o dia para evitar consumo extra de energia elétrica;
- carregamento de baterias em período noturno (madrugada) quando a demanda por energia é
menor.
Quanto a demanda de energia para transportes de massa (metrô, trens etc) os especialistas
deverão enfrentar verdadeiros desafios, para evitar junto às concessionárias de energia
elétrica, que não desliguem ou não caia o sistema em momento algum, isto requererá uma
outra logística nestas concessionárias para evitar apagões em regiões, zonas e até
mesmo clientes "críticos".
Deveremos em breve mudar nosso modo de vida, adaptando nossos hábitos aos horários de
disponibilidade de energia ou a falta. A logística pode reduzir as penalidades pela falha
de energia e aumentar a confiabilidade do processo. Para que este cenário não se
consolide conforme previsões, a logística deverá mostrar sua força gerenciando a
economia com a escassez de um de seus recursos principais: a energia!
maio/2001
Reinaldo A. Moura,
Diretor da IMAM Consultoria Ltda., de São Paulo.
Tel. (0--11) 5575 1400
imam@imam.com.br
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