Ampliação das rodovias Anchieta-Imigrantes,
uma obra mais que necessária

No começo dos anos 70 a construção da rodovia Imigrantes vinha para acabar com o sufoco que era o trânsito da Anchieta. Ligando São Paulo à Santos, com pouco mais de 70 quilômetros de extensão era uma viagem que chegava a durar horas nas épocas de férias e feriados prolongados. É um importante canal de transportes que faz a conexão da capital paulista ao Porto de Santos e o polo petroquímico de Cubatão e vice-versa, gerando riquezas para a economia brasileira, devido ao movimento muito grande nas importações e exportações. Pelo Porto de Santos passa 25% do movimento do comércio exterior brasileiro. A obra da Imigrantes consistiu na construção de 4 pistas para o litoral e 4 pistas para a capital no trecho de planalto, e 3 pistas somente para subida no trecho de serra. Na época as autoridades competentes e responsáveis pela obra, alegaram falta de verba para fazer as pistas de descida no trecho de serra. Durante muitos anos a Polícia Rodoviária e a DERSA adotaram o sistema de utilizar as 3 pistas de serra para ter o sentido, conforme a tendência maior de fluxo de tráfego. Foram as famosas "operação descida" e "operação subida".
No começo funcionava, mas o aumento de veículos ao longo dos anos mostrou que a situação estava insustentável e até esquemas de segurar caminhões em horários de pico foi utilizado, o que gerava a revolta de caminhoneiros, sindicatos de transportes, empresas que tinham compromissos a cumprir, etc., pois imagine só, parar caminhões em um importante canal de captação de riquezas para a economia de nosso país, representava prejuízo para o Brasil de forma global.
Passados muitos anos achou-se a saída para a construção das pistas inacabadas da Imigrantes, conservação da mesma e da Anchieta que estavam em uma situação péssima, e para ampliação da Anchieta na parte de planalto; seria com a privatização das estradas. Esta medida também foi adotada para privatizar outras importantes estradas no Brasil.
Foi a saída mais acertada na minha opinião, pois de outra maneira não conseguia ver uma solução mais imediata para começar a recuperar nossas estradas, que estavam no caos total e para num segundo momento fazer obras de ampliação.
Hoje cerca de 2 mil operários trabalham em três turnos, para entregar a segunda pista da Imigrantes no verão de 2002, cinco meses antes do prazo contratual. Serão 21 quilômetros na parte de serra, com um desnível de 730 metros, que consumirá aproximadamente R$ 700 milhões, sem aumento de pedágio, segundo a Ecovias, que é a concessionária responsável pela obra e administração das estradas Anchieta - Imigrantes. Gerará um aumento da capacidade de trafégo em aproximadamente 25%, com cerca de 10 mil veículos/hora.
A nova pista descendente ganhou mais extensão em túneis e menor para viadutos, gerando mais economia e rapidez.
É uma obra gigantesca que compreende a construção de três túneis (3.146 m, 3.005 m e 2.080 m), totalizando 8.231 m. Em janeiro deste ano, 2.300 m já estavam escavados, e mais 172 m do "túnel janela" haviam sido escavados em rocha, ligando o maior deles à estrada de serviço. Isto representa 27% dos serviços concluídos. Para abertura dos túneis, o Consórcio Imigrantes, importou 3 jumbos com plano de fogo computadorizado. Os equipamentos são dotados de 3 braços perfuratrizes e um braço adicional para elevação da caçamba ou cesto de serviço. Os jumbos posicionam-se automaticamente dentro dos túneis porque têm as coordenadas básicas do projeto armazenadas em seu computador e, a partir de feixes de raio laser, localizam o ponto exato a perfurar. Com isto, ganha-se rapidez e precisão na escavação.
O túnel com 3.146m será o maior do Brasil, quando concluído.
Quem sobe a Serra do Mar pela Rodovia dos Imigrantes já pode ver os pilares dos viadutos. No total, são 9 unidades, com 4.270 m de extensão. Mais de 80% das fundações e 60% dos blocos e pilares estão concluídos. As superestruturas e a concretagem dos tabuleiros em "balanço sucessivos" estão em andamento em 3 viadutos, assim como o lançamento em vigas pré-moldadas.
Na construção de 2 viadutos no trecho da Baixada Santista será usada uma tecnologia inédita no Brasil. É o sistema de "ponte empurrada", na qual os módulos do tabuleiro são deslizados sobre os pilares com o uso de macacos hidráulicos auxiliados por um sistema especial de frenagem. A fôrma metálica para concretagem dos módulos foi produzida no Brasil e os acessórios de empurre e frenagem foram importados da Europa.
Apesar do processo já ter sido utilizado no país, a inovação deve-se ao fato de que os tabuleiros dos viadutos, pesando 600 toneladas, serão empurrados em rampa descendente de 6 graus. Normalmente, essa operação é feita em plano horizontal, sem a necessidade da frenagem.
Ao término das obras, os túneis da Segunda Pista da Imigrantes terão batido o recorde brasileiro de escavação subterrânea em rocha, com 1 milhão 260 mil m³ escavados. Os volumes totais de serviços e materiais desta obra são:

A preservação do meio ambiente tem sido preocupação constante da Ecovias durante todas as etapas da construção da Segunda Pista da Rodovia dos Imigrantes. Uma das medidas de proteção ambiental, no entanto, é inédita em todo o mundo.
A escavação dos túneis gera a drenagem de muita água, que escorre constantemente, misturando-se outros materiais. Para evitar que essa água contamine o meio ambiente, a Ecovias instalou em cada um dos túneis uma Estação de Tratamento de Água - ETA.
As três ETAs têm capacidade total para tratar 200 mil litros de água/hora, ou seja, produzem água limpa suficiente para abastecer uma população de 100 mil habitantes.
Recolhidas por dutos dentro dos túneis e após passar pelo tratamento, a água é devolvida à natureza completamente limpa.
Essa é uma medida ecológica jamais adotada em qualquer outra parte do mundo.
Está previsto também a construção de duas pistas na via Anchieta sentido capital, no trecho de planalto.
A conclusão das obras gerará mais fluidez no tráfego, mas não representa o fim dos problemas, pois  nas épocas de férias e fins de semana prolongados existirá um grande aumento de veículos, que representa a demanda reprimida de turistas, que deixavam de viajar nestas épocas para não ter que enfrentar os "congestionamentos monstros".
Com a duplicação já em andamento da rodovia Régis Bittencourt, que liga São Paulo à Curitiba e ao sul do país, será viável ampliar a Estrada da Banana, que faz a subida/descida para a cidade de Peruíbe, o que poderá significar uma ótima opção para quem vai para Mongaguá, Praia Grande, Cananéia, Itanhaém, Iguape, Ilha Comprida e a própria Peruíbe, desafogando o número de veículos de passeio do sistema Anchieta - Imigrantes e proporcionando mais tranquilidade para o grande tráfego de caminhões. 
Estas obras já eram necessárias a muitos anos. Vamos esperar que agora tenha um acompanhamento e planejamento constante da demanda do tráfego, e que providências mais rápidas sejam tomadas com  obras deste porte, para que não haja novos gargalos no futuro.   

Fonte dos dados estatísticos e numéricos: Ecovias e DERSA.


junho/2001

Marcos Valle Verlangieri,
Diretor da Vitrine Serviços de Informações S/C Ltda.,
empresa que criou e mantém o
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