Situações hostis ao elemento humano

Sabemos que o corpo humano é uma máquina perfeita e uma combinação de engenharia física, química e eletrônica. A máquina humana, embora perfeita, pode apresentar um baixo rendimento ao trabalho e sofrer um desgaste prematuro de suas partes quando submetida a situações que exigem o uso de esforço físico.
Problemas de coluna representam uma das principais causas de afastamentos do trabalho no mundo atual, e estima-se que para cada grupo de 100 pessoas, pelo menos 50 a 70 delas irão apresentar lombalgia em alguma fase de sua vida.
Na Grã-Bretanha, cerca de 33% dos acidentes ocorridos anualmente referem-se às atividades relacionadas com movimentação de materiais, sendo que a coluna representa 46% dos casos, e nos Estados Unidos cerca de 1,2 milhões de trabalhadores se afastam anualmente em função deste problema.
As lombalgias (dor na região lombar) e as dorsalgias (dor na região dorsal) são as principais consequências de condições anti-ergonômicas nos locais de trabalho, pois muitos dos problemas decorrem da utilização biomecânica incorreta da máquina humana e do desconhecimento das limitações da coluna vertebral.

Existem alguns fatores de esforços que são causadores de lombalgias:
- Pegar carga pesada com o tronco em flexão. Ex.: pegar sacos com material, quando posicionados no chão;
- Torcer e girar a coluna para pegar carga em local difícil. Ex.: retirar ou colocar material dentro de caçambas metálicas;
- Manusear carga com o tronco em flexão. Ex.: arrumar, posicionar e cintar material em paletes.
- Pegar e manusear carga com o tronco em flexão lateral ou rotação. Ex.: pegar produtos em esteiras, posicionando-se lateralmente ou de frente para as mesmas, com as áreas de pegada acima dos alcances máximos do operador.


Critérios NIOSH
O National Institute for Ocupational Safety and Health (NIOSH), dos Estados Unidos, patrocinou em 1980 o desenvolvimento de um critério de avaliação para o levantamento manual de cargas, e em 1991 este critério foi revisto. Foram propostos pelo grupo de estudiosos dois indicadores - Limite de Peso Recomendado (L.P.R.) e Índice de Levantamento (I.L.) - que servirão como parâmetros para avaliação das chances de ocorrer uma lesão de coluna no trabalhador na operação de movimentação de cargas.
Este método estabeleceu como sendo 23 kg o peso que mais de 90% dos homens e mais de 75% das mulheres podem levantar sem apresentar problemas na coluna. Analisando-se a fórmula do Limite de Peso Recomendado (L.P.R.), podemos observar que existem 6 situações que podemos considerar como hostis para o elemento humano quando este fizer um levantamento de carga, ou seja:

1. Cargas superiores a 23 kg (este é o máximo de carga a ser levantado em condições ideais);
2. Frequência de levantamento da carga acima mais que uma vez a cada 5 minutos;
3. Distância da carga ao corpo do trabalhador. Quanto mais longe estiver, pior para a coluna. Distâncias superiores a 25 cm são problemáticas;
4. Ângulo de rotação do tronco no plano sagital. São consideradas críticas para as facetas da coluna lombar e para os discos as pegadas que exigem movimentos lateralizados e em diagonal. Ângulos de rotação acima de 30º são críticos;
5. Pegar cargas em altura superior a 1,20 m do chão ou à distâncias menores que 75 cm do chão;
6. A pessoa, ao pegar uma carga, não consegue dobrar os dedos próximo de 90º debaixo da carga.

Para concluir, lembramos que o grande mérito do Critério NIOSH é que ele deverá trazer um grande impacto nas empresas, no sentido de diminuírem o peso das cargas que as pessoas têm que levantar, questiona o tradicional "método correto de levantamento de peso" e permite avaliarmos as chances do trabalhador apresentar lesões na coluna e no sistema músculo-ligamentar durante a jornada de trabalho, em função do peso da carga transportada.

Recomendações
- Cargas a serem pegas no chão não devem ultrapassar 15 kg, quando pegas com o corpo na posição agachada, e 18 kg, quando pegas com o corpo na posição fletida;
- Somente utilizar a técnica agachada quando a carga for compactada, e que caiba entre os joelhos.


Antonio Francisco Abrantes,
Instrutor da IMAM para o curso "Ergonomia Industrial".
Tel. (0--11) 5575 1400
 
  imam@imam.com.br

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