O que esperar da logística digital?

Mal algumas empresas de logística acabaram de definir o seu novo papel como negócio, pois a maioria encontrava-se sem rumo ou, no melhor dos casos, no meio do caminho, migrando de transportadora para operador logístico, ou de armazém geral para EADI (Entreposto Aduaneiro do Interior), ou até mesmo algumas muito atrasadas, implementando a ISO 9000 e começando a enxergar o cliente e suas necessidades, eis que mais uma "onda" chega para aumentar a entropia já existente no setor:  o e-procurement e o e-delivery.
Advindo do e-business, o e-procurement (termo mais abrangente) e o e-delivery (mais focado em transporte) visam gerar bons negócios pela Internet, muito rapidamente.
Esta enorme bolsa de negócios funciona da seguinte maneira: imagine que tenhamos que embarcar uma carga de São Paulo para o Acre e entremos em um destes sites discriminando as características da carga, como peso, valor da Nota Fiscal, volume, origem e destino e, em poucos segundos, recebemos mais de uma dezena de ofertas para este serviço, podendo confirmar imediatamente com a melhor (a de menor preço) e fecharmos o negócio "on-line". Não é maravilhoso? Mais fácil do que comprar um CD pela Intenet. Muito rapidamente teremos o mesmo serviço para a estocagem de carga e para operações de etiquetagem e reembalagem.
O que há de errado nisso? Bem, se não pararmos para analisar este novo conceito, assim como todas as tendências que aparecem nos negócios, nos perguntando se esta ferramenta vai de encontro à estratégia da nossa empresa, e se ela irá agregar mais valor para o negócio ou não, podemos correr o risco de seguirmos a manada e entrarmos em uma roupa muito apertada que não nos deixará respirar.
Está claro que o conceito do e-procurement se encaixa no quadrante de "Melhor Custo", ou seja, ganha quem tiver o menor custo, em um leilão às avessas. Se nossa empresa se encaixa neste quadrante e não estiver focada em um dos outros dois existentes (melhor serviço ou melhor produto), sem dúvida esta ferramenta terá que ser absorvida rapidamente, pois representa o tal "bonde da história" que não pode ser perdido. Estamos falando de empresas que transportam commodities, por exemplo, trabalhando com "carga fechada" (ponto a ponto).
Se a nossa empresa de logística estiver se adaptando ou já operando na estratégia de diferenciar-se no quadrante de "Melhor Serviço" prestado, ou seja, analisando os problemas dos clientes e oferecendo a melhor solução global para eles, por exemplo, assumindo a Cadeia de Distribuição de uma carga fracionada destinada ao varejo, com entregas no Brasil todo, partindo-se da localização dos centros de distribuição, certamente esta não é a melhor ferramenta a ser utilizada, já que o preço deste serviço já não é a peça mais importante do "quebra-cabeças", mas se enquadra em um conjunto de outros pré-requisitos, como know-how, capacitacão dos profissionais, estrutura física e de transmissão de dados, entre outras.
O mercado de logística no Brasil caminha a passos largos para uma profissionalização completa.
O primeiro passo é definirmos par onde correr e que caminho seguir e tomarmos o cuidado para não termos a pretensão de atuarmos em todos os segmentos e compertirmos em todas as frentes, já que é muito difícil, hoje, se adaptar e seguir em apenas uma delas.
Embora se diga no mercado do e-commerce que a regra principal é que não há tempo para planejamento, já que as oportunidades existem às centenas a todo o momento, e temos que errar dentro do jogo e consertar nossas falhas com o avião em pleno vôo, tenho certeza que esta regra seja útil para quem está inventando a empresa, ou seja, partindo do zero, e mesmo assim, podendo arriscar tempo e capital, pois a segunda regra deste mercado é que os clientes digitais não perdoam as falhas na rede. E, enquanto na era do Dr. Deming, um cliente insatisfeito contava para outros 7, na era digital, o mesmo contará para milhares, em uma fração de segundos.
Acredito, sim, que é imperioso o planejamento neste momento, rápido e objetivo, porém, ao menos para dar direção a ser seguida, dentro deste "mar de oportunidades" ou "ameaças" ?

set/2000

Sidney Francisco Trama Rago,
Consultor da IMAM Consultoria.
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