Utilização sequenciada de diversos modais não é a solução para problemas logísticos

O transporte multimodal não é caracterizado apenas pela utilização de dois ou mais modais com alto nível de eficiência (de cada modal e respectivas interfaces), mas por seu enfoque sistêmico, ou seja, as cargas são transportadas desde a origem até seu destino sob a responsabilidade de apenas um operador (com unificação de seguro e conhecimento de transporte), mesmo que este responsável venha a subcontratar operações físicas de terceiros.

Por que utilizar o transporte multimodal

Com a desregulamentação das importações na década de 80, os efeitos da globalização acirraram a concorrência, forçando um forte ajuste nas empresas instaladas no Brasil e a implementação de inúmeros programas voltados para o aumento de produtividade, e foi identificada a logística como fator de competitividade, particularmente o transporte, possibilitando a redução de custos e a elevação do nível de serviços.
O transporte rodoviário ainda é responsável por aproximadamente 63% de todo o movimento de cargas no território nacional e este contexto não é o mais propício para alteração de modal. Entretanto, os programas governamentais, entre os quais estão os investimentos e privatizações, mostram uma forte tendência no sentido de alterar a atual matriz de transportes, induzindo principalmente ao crescimento substancial do ferroviário, que deve passar dos atuais 21% para mais do que 50% nesta década, além do hidroviário e da cabotagem (costeiro).

Dificuldades e o que está sendo feito para saná-las

Os fatores que normalmente os usuários utilizam para a seleção do transporte são: preço, disponibilidade de rota e frequência, transit-time (porta-a-porta), segurança (física e patrimonial), regularidade, pontualidade e cultura em relação à utilização de um determinado modal, etc.
A característica comum entre os modais ferroviário, hidroviário e cabotagem é que normalmente dependem do rodoviário em pelo menos uma das pontas e têm o custo menor para distâncias maiores que 600 km. Entretanto, a avaliação do conjunto das demais características deixa muito a desejar.
A eficiência dos modais com menor nível de utilização, que sob o ponto de vista do cliente podem ser medidos a partir dos fatores relacionados no parágrafo acima, está sendo sensivelmente melhorada, principalmente em função dos investimentos e interesses das empresas da iniciativa privada, devendo atingir níveis satisfatórios nos próximos anos.
Sob o ponto de vista sistêmico, para a plena viabilização da multimodalidade era necessária a solução de um aspecto institucional de fundamental importância, que era a regulamentação do operador de Transporte Multimodal - OTM, através da lei de nr. 9.611/98, cuja assinatura ocorreu em 12 de abril de 2000. Ela terá um efeito significativo nos transportes internacionais ou inter-regionais, reduzindo procedimentos burocráticos, custos e impostos, além de possibilitar a negociação com um único responsável por toda a operação logística (porta-a-porta).
Outro fator fundamental para viabilizar a multimodalidade é o grau de integração operacional entre os diversos modais. Portanto, à medida que as empresas percebem as vantagens de tal operação passam a investir, estando muitos projetos em fase de implantação ou em estudo.

Conclusão
Tendo em vista as transformações em curso citadas acima, devemos estudar e entender muito bem o assunto, avaliar as possibilidades potenciais, reavaliar a cultura de transportes em nossas empresas e, se necessário, romper com paradigmas atuais e nos preparar para as mudanças que virão em curto prazo.
Quando tais mudanças estiverem em fase de consolidação, as empresas deverão estar preparadas para que a migração ocorra de forma consciente e sem atropelos.
Se a decisão for postergada, pois em um determinado momento a avaliação se mostrou desfavorável, deve-se monitorar sistematicamente os fatores que levaram a tal decisão, pois os mesmos podem sofrer alteração e influenciar no resultado.
Não devemos deixar de tomar a decisão mais correta em tempo hábil, a ponto de ver nossos concorrentes obterem vantagens competitivas que teremos dificuldades de superar.  


Edson Carillo Júnior,
Diretor da IMAM Consultoria Ltda., de São Paulo.
Tel. (0--11) 5575 1400    imam@imam.com.br

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