IMS: a estratégia européia para produção global

Com a rápida evolução dos tradicionais processos de fabricação e do conjunto das atividades agregando valor de suporte (projeto e logística), é crescente o desafio técnico para as empresas industriais: como implementar e controlar um crescente volume de serviços e informações associados aos produtos ? Isto é, como planejar e controlar a dinâmica da configuração das empresas do futuro, empresas onde o volume dos fluxos tende a uma verdadeira explosão ?
Tanto ao nível dos principais blocos econômicos quanto ao nível das empresas, passando pelos países, é geral a busca por uma resposta eficaz ao problema.
A Europa está executando diversos projetos para equacionar o problema. Uma das iniciativas merece destaque: o projeto IMS (Intelligent Manufacturing Systems). Tomando a indústria manufatureira como um ambiente com variadas interações ao longo da cadeia produtiva, o IMS contempla diversas ações de (re)equilíbrio dos fluxos que entram e saem da produção através do desenvolvimento de ferramentas e modelagem de processos das áreas de Project Management e de Logistics. Trata-se de organizar uma base de produção com forte sustentação em conhecimento prático e teórico a fim de reforçar as atividades tradicionais de desenvolvimento, produção e distribuição.
O projeto IMS é o resultado de uma parceria reunindo empresas e instituições de pesquisa da Austrália, Canadá, União Européia, EUA, Japão, Suiça e, brevemente, também com a Coréia. Interessantes são as razões da parceria para o trabalho conjunto no projeto: constatando que as modernas tecnologias de produção são onerosas e que nenhuma das empresas individualmente dispõe de recursos e sobretudo experiência necessária para tratar questões fundamentais, as instituições resolveram se unir e lançar um projeto de desenvolvimento de uma tecnologia cooperativa com a finalidade de minimizar custos e riscos e partilhar conhecimento .
O IMS possue uma característica particular: assegura uma eficaz proteção da propriedade intelectual, garantindo, desta forma, um ambiente favorável e seguro no plano da cooperação global.
De seu início, em 1995, sob a iniciativa do Professor Yoshikawa, até a presente data, o projeto já reuniu mais de 250 empresas e mais de 200 instituições de pesquisa em 20 projetos. Os principais consórcios europeus de pesquisa da área estão participando do IMS e atualmente existe 45 novas proposições para serem apreciadas.
Em sua essência, o IMS está estruturado em grandes áreas técnicas: a) ciclo de vida do produto; b) projetos; c) estratégia e planejamento ; c) questões humanas, sociais e de organização e d) questões relativas às empresas virtuais.
De acordo com os participantes, um dos grandes resultados atuais do projeto é possibilitar a partilha de dados, metodologias e de resultados de aplicação de ferramentas, o que está gerando sensíveis melhorias nas relações com clientes e fornecedores. O primeiro projeto IMS, o GLOBEMAN 21, já gerou diversos frutos, incluindo a implantação de soluções nos sistemas de produção das empresas participantes do projeto. Entre outros benefícios, o projeto está acelerando a real estruturação de empresas virtuais.
Na atualidade, um lote de 16 projetos IMS (focando aspectos operacionais dos sistemas inteligentes de produção) foram selecionados para serem contemplados com vultosos financiamentos da CEE.
Resta dúvida: por que não se realizar um IMS Mercorsul ?
Dada a premissa de um desenvolvimento da indústria automotiva, estes países necessitam de soluções adaptadas a sua realidade. Tal iniciativa, nos permitirá dispor de uma plataforma de investimentos tecnológicos suportando os processos de negócios das indústrias do Mercorsul e nos colocando em condições de competir com o mercado global de forma igalitária.
Quem sabe , dentro do esboço de um acordo automotivo de longo prazo tenha espaço para tal iniciativa. Afinal, os principais requisitos para a boa implantação de um IMS Mercorsul estão presentes no ambiente industrial automotivo da região.


Darli Rodrigues Vieira,
Ph.D., Consultor, Professor na UFPR
darli.vieira@mais.sul.com.br 
e
Mário Henrique Lima
Engenheiro na AUDI/VOLKSWAGEN (Business Unit Curitiba)

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