Embalagens Retornáveis

Uma tendência é a utilização de embalagens retornáveis, reutilizáveis ou de múltiplas viagens, para produtos usados em montadoras, armazéns de varejo, lojas e embarques interplantas. Muitas embalagens reutilizáveis são de aço ou plástico. Algumas empresas reutilizam caixas de papelão corrugado e caixas de madeira sobre palete. Geralmente, os paletes de madeira são reutilizados. Também existem sistemas reutilizáveis flexíveis, como arqueamento coletivo e contenedores flexíveis para produtos a granel.
Um dos maiores desafios do sistema de embalagens retornáveis é a administração e rastreamento do contenedor. O gerenciamento da movimentação de embalagens retornáveis se caracetriza por uma grande oportunidade de negócio na Cadeia de Abastecimento, pois pode-se compartilhar os benefícios de um investimento, viabilizando o sistema de embalagens retornáveis. Todos os parceiros num sistema retornável devem cooperar e é necessária uma relação transparente para coordenação e controle. Caso contrário, as embalagens são facilmente perdidas ou extraviadas.
Dadas algumas das dificuldades de administração dos contenedores, existe um maior interesse na terceirização da administração, logística e propriedades dos contenedores retornáveis. As novas empresas de gerenciamento de contenedores organizam os integrantes (clientes) de uma cadeia de utilização de contenedores e os custos de acesso, gerenciam o procedimento de troca e o estoque de embalagens, limpam, reparam e rastream as mesmas. Estas podem ser de propriedade de terceiros ou dos próprios clientes. Alguns grupos tiveram sucesso na Europa, sendo que alguns já se encontram no Brasil. Tais prestadores de serviço de terceira parte podem desenvolver economia de escala para justificar uma rede de depósitos e motoristas, para ser capaz de coletar embalagens vazias a um custo razoável.
Alguns dos usos mais populares de contenedores retornáveis são: na distribuição de materiais na indústria automobilística, produtos químicos e alimentos frescos, além de contenedores retornáveis, tipo gôndolas de supermercados, que são especialmente projetados para exposição no ponto de venda sem desembalar.
Ao investir num sistema de embalagens retornáveis é necessária uma comparação com as "descartáveis". Muitos embaladores são tentados a justificar a compra apenas em termos de economia sob custos das embalagens descartáveis. Contudo, a decisão deve considerar todos os custos relevantes em toda a Cadeia de Abastecimento - o investimento determinado pelo número de embalagens no ciclo, bem como os custos de movimentação, classificação, rastreamento, limpeza e gerenciamento das embalagens - contra a compra e custos de disposição das descartáveis. Benefícios intangíveis como melhoria do Housekeeping da fábrica. Melhor ergonomia e redução dos danos são frequentemente considerados como fatores qualitativos na tomada de decisão. Embalagens retornáveis modulares podem melhorar a utilização cúbica do transporte.
Muitas análises financeiras de sistemas retornáveis foram dificultadas pela utilização do modelo do "payback", em vez de se beneficiar com a abordagem do "VPL - Valor Líquido Presente", o qual demonstraria o valor estratégico e de lucro do investimento num sistema de embalagens retornáveis. Geralmente, como os custos variam dependendo do produto e sistema logístico, é desejável uma avaliação caso a caso e uma implementação gradativa. O valor das embalagens retornáveis deve ser calculado na base de sistema individual. O uso de embalagens de propriedade de terceiros e/ou serviços de administração torna o custo explícito e mais fácil de analisar.
Em alguns casos, e muitos são documentados na indústria automobilística, a embalagem retornável pode ser muito lucrativa, bastando avaliar cuidadosamente a viabilidade técnica e econômica da mesma.

Eduardo Hope,
Consultor da IMAM Consultoria Ltda., de São Paulo.
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imam@imam.com.br

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